A questão LGBT+ e o socialismo

Por Pablo Pedrosa, junho de 2018.

Ao contrário do que é pregado por uma parcela significativa da classe dominante e pelos reacionários em geral, a repulsa ao comportamento homossexual não é um instinto natural do ser humano, que em seu processo de desenvolvimento social vem abrindo espaço às minorias sexuais para que “tenham liberdade de amar”. Outro mito atribuído à sexualidade humana é que ancestralmente o acasalamento tinha apenas uma função reprodutiva, e que nossa espécie evoluiu de maneira que este envolvesse laços de afetuosidade entre um casal de macho e fêmea.

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La huelga de los camioneros en Brasil

Por Marcio Torres, mayo de 2018.

Un llamamiento para ayudar a traducir artículos: este artículo fue traducido al español por hablantes no nativos y nos disculpamos por cualquier error ortográfico y otros errores que pueda contener. El Reagrupamiento Revolucionario tiene una perspectiva internacionalista y queremos que nuestra literatura política esté disponible en otros idiomas. Si desea ayudarnos en este objetivo internacionalista traduciendo nuestros artículos o brindando apoyo para mejorar nuestras traducciones, contáctenos en rr-4i@krutt.org. ¡Gracias!

Brasil se encuentra en ese momento en una complicada situación. Desde hace siete días, los camioneros del país están en huelga, contra el incremento en los precios del diésel. El alta de los precios es resultado de un cambio en la orientación de Petrobras, la empresa estatal de petróleo, que tiene la más grande producción de combustibles derivados del petróleo en el país. Desde 2016, como parte de la política neoliberal clásica que orienta el actual gobierno, la presidencia de la empresa suspendió el control de los precios, que desde entonces se encuentran directamente vinculados a aquellos del mercado internacional, sujetos a la fluctuación del dólar. Esta fue una medida adoptada en beneficio de los grandes accionistas privados de la empresa y también en conformidad con las reglas exigidas por las bolsas de valores de Estados Unidos, donde la presidencia de Petrobras intenta abrir el capital de la empresa, como parte de los planes de profundizar su privatización. Por eso la situación es tan difícil de resolver: el gobierno no puede prometer a los camioneros una baja duradera de los precios del diésel, una vez que está comprometido con la lógica de precios fluctuantes para Petrobras. La huelga tiene carácter mixto, una vez que parte – la mayoría – de los camioneros son autónomos (dueños de sus propios vehículos) y otra parte son asalariados de empresas de transporte, que paralizaron sus actividades por iniciativa de sus patrones (y no levantan demandas proprias). En el primer momento, el gobierno negoció con las empresas, que aceptaron el término de la huelga (en realidad, de su lockout / paro patronal).

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Observações preliminares da greve dos caminhoneiros

Por Rafael Ferreira, maio de 2017

Estamos diante de um movimento por parte dos caminhoneiros que tem gerado grandes debates e muita confusão acerca do assunto, além, é claro, de consequências como a possibilidade de desabastecimento de cidades por causa do bloqueio das estradas e a interrupção dos transportes. Diante da complexidade do assunto e dos discursos confusos e contraditórios que muito aparecem na internet, tentarei fazer uma reflexão com a qual espero contribuir para começarmos a entender o que está acontecendo.

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Declaración internacional – En defensa de Siria, China y Corea del Norte!

El imperialismo de EEUU ataca nuevamente!

En defensa de Siria, China y Corea del Norte! Solo una revolución socialista internacional puede asegurar la paz!

Originalmente publicado en portugués el 23 de abril de 2017.

Un llamamiento para ayudar a traducir artículos: este artículo fue traducido al castellano por hablantes no nativos y nos disculpamos por cualquier error ortográfico y otros errores que pueda contener. El Reagrupamiento Revolucionario tiene una perspectiva internacionalista y queremos que nuestra literatura política esté disponible en otros idiomas. Si desea ayudarnos en este objetivo internacionalista traduciendo nuestros artículos o brindando apoyo para mejorar nuestras traducciones, contáctenos en rr-4i@krutt.org. ¡Gracias!

El 6 de abril [de 2017], Trump he ordenado un ataque con mísiles en contra una base militar siria. Fue el primer ataque estadounidense contra un objetivo del gobierno sirio, ya que hasta ahora los Estados Unidos habían bombardeado solo objetivos del grupo fundamentalista Estado Islámico. La decisión de Trump se produjo después de declaraciones del servicio de inteligencia estadounidense, reproducidas rápidamente por los principales medios de comunicación de todo el mundo, de que el gobierno de Assad fue el responsable de un ataque químico que mató a unas 80 personas en la provincia de Idlib. El gobierno sirio niega las acusaciones y culpa a la oposición armada en lugar. Si bien es imposible saber en este momento qué afirmación es cierta, los imperialistas son expertos en inventar excusas para justificar ataques y acciones militares contra otros países, como en el caso de las inexistentes “armas de destrucción masiva” de Irak. [El 13-14 de abril de 2018, los Estados Unidos atacaran una vez más objetivos militares del gobierno sirio, esa vez con auxilio de Inglaterra y Francia.]

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Revista Reagrupamento Revolucionário n. 11

É com alegria que anunciamos a nossos leitores e leitoras o lançamento de mais uma edição da revista Reagrupamento Revolucionário. É possível ler online, através dos links do sumário abaixo, baixar a versão PDF, ou obter a versão impressa com nossos militantes. Boa leitura!

 

 

 

Reagrupamento Revolucionário n. 11
Download (PDF)

LEIA ONLINE

 

Aonde vai o Brasil? – Entre a “colaboração de classes” do PT e a extrema-direita antidemocrática
Unidade sim, mas para lutar! Nada de blocos políticos com o lulismo!
Contra a intervenção militar no RJ! Segurança se consegue com empregos decentes e qualidade de vida! Por Marielle Franco!
Sobre o julgamento e a prisão de Lula: A “Lava Jato” e a Justiça burguesa não têm legitimidade, mas não perdoamos os crimes do PT contra a classe trabalhadora!
A Independência Catalã e a luta por uma Federação Socialista da Península Ibérica

 

Contra os ataques aos direitos e o avanço reacionário, construir uma frente de lutas dos trabalhadores!

Unidade sim, mas para lutar! Nada de blocos políticos de colaboração de classes!

Reproduzimos a seguir panfleto que vem sendo distribuído em atividades diversas por militantes do Reagrupamento Revolucionário desde o início de maio de 2018. [Levemente editado em 21/05/2018, sem alterações de conteúdo]

Apenas a mobilização da classe trabalhadora pode reverter as derrotas e frear os ataques. Foto: manifestação de 28 de abril em São Paulo.

Desde o golpe que tirou o PT do governo para aprofundar as medidas de austeridade, a classe trabalhadora brasileira tem sofrido uma avalanche de derrotas. Em 28 de abril de 2017, os trabalhadores mostraram sua disposição à luta, ao atenderem com força o chamado de greve nacional. Foi a maior paralisação desde 1989. Não era o que esperavam o PT, PCdoB e seus satélites, que, mesmo com o golpe e a perseguição a Lula, estão em uma rota suicida para evitar mobilizações que assustem os patrões. Adiaram ao máximo a convocação de um segundo dia de greve nacional e, quando ela finalmente ocorreu, se retiraram na última hora, aceitando a “reforma trabalhista” em troca da promessa de manutenção do imposto sindical. Nesse meio tempo, usaram toda sua força para desviar a indignação proletária com impotentes “marchas à Brasília” e em inofensivos showmícios pelas “diretas já”. Nisso, contaram com a colaboração vergonhosa de praticamente toda a esquerda dita socialista, que colocou os métodos da luta de classes em segundo plano.

Mesmo antes do golpe, nós do Reagrupamento Revolucionário temos feito agitação por uma frente nacional de lutas da classe trabalhadora (em outras palavras, uma frente única proletária), que unifique e expanda as lutas, organizando uma forte resposta aos ataques da burguesia e seus lacaios no Estado capitalista. Uma frente assim encontraria forte oposição da burocracia que hoje dirige as maiores organizações que dizem representar os interesses dos trabalhadores (CUT, CTB, Força Sindical etc.), pois essa burocracia é uma aristocracia mercenária, que usa suas posições de liderança para se engraçar com os patrões e/ou se eleger, “subindo na vida”.

Mas fica cada vez mais claro que a política imobilista do PT e cia. está gerando forte tensão em suas bases, que exigem alguma forma de resistência aos ataques violentos da burguesia. Um exemplo significativo foi quando a multidão que estava em São Bernardo em solidariedade à Lula tentou impedir na marra que ele se entregasse à Polícia Federal. Portanto, há espaço fértil para que uma esquerda revolucionária dê o pontapé na formação de uma frente dessas e consiga separar, pela força do exemplo, setores cada vez maiores de trabalhadores da burocracia pró colaboração de classes, conforme a frente assuma lutas de várias categorias e movimentos sociais.

Mas não é o que, na prática, avalia o grosso da esquerda dita socialista. Diante de novos fatos políticos alarmantes – a execução da vereadora do PSOL Marielle Franco e o atentado à caravana de Lula no sul, num contexto perigosíssimo de intervenção militar no Rio de Janeiro – várias organizações passaram a bradar por uma unidade com o PT e aliados “em defesa da democracia”. Com isso, se fortaleceu uma rota que já vinha sendo traçada pela direção do PSOL, de aliança política com o PT, PCdoB (como na forma das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo) e, na esteira disso, até mesmo com os partidos burgueses PDT e PSB, expressa no “Manifesto pela Reconstrução do Brasil”, assinado pelas fundações desses partidos; pela falta de demarcação classista entre a plataforma VAMOS e Guilherme Boulos com as gestões petistas; e na recente “Frente Ampla pela Democracia, Soberania Nacional e Direitos do Povo Brasileiro”, que incluiu também PCB e o hoje “lulista combativo” PCO.

Para justificar essa aliança “pró-democracia”, muitos têm falado em uma ascensão fascista. Mas diante do avanço do autoritarismo do Estado e dos movimentos de extrema-direita (que não consideramos que sejam majoritariamente fascistas nesse momento), necessitamos de uma frente única que seja um instrumento de mobilização do proletariado, usando de métodos como manifestações de rua, autodefesas, ocupações e greves. Nada parecido com o ato eleitoreiro com o qual o PT lançou as candidaturas de Lula, Celso Amorim e Lindenberg Farias no Circo Voador, travestido de “ato em defesa da democracia”. Mesmo com o crescimento de uma direita violenta que tem no PT seu alvo principal, é ridículo ainda ter ilusões de que a direção petista vá dar um “giro à esquerda” e mobilizar a classe trabalhadora contra a burguesia com a qual desesperadamente quer reatar. O que o PT e cia. querem é retornar ao poder via eleições, e para isso tem atuado sistematicamente no sentido de transformar toda e qualquer mobilização potencial em ganho eleitoral.

Diante disso, a postura de alguns grupos socialistas do PSOL – as correntes MAIS/NOS, LSR, Insurgência – e de organizações como PCB tem sido não a de denunciar essas jogadas do PT e seus aliados, mas de lhes dar cobertura pela ‘esquerda’, aderindo com entusiasmo a blocos políticos que acabam reforçando as ilusões de que é possível derrubar a austeridade por meio de plebiscitos e eleições, e de que seria possível resolver as contradições sociais entre os trabalhadores e patrões por dentro do Estado burguês. Com isso, acabam mais uma vez reforçando ilusões na institucionalidade burguesa, como já haviam feito ao focarem na agitação por “direitas já” e/ou “eleições gerais”, “assembleia constituinte” etc. Por outro lado, o PSTU (que até março de 2017 também defendia “eleições gerais”) insiste em não enxergar nenhum avanço da direita e segue vendo com indiferença, ou até com bons olhos, a seletiva “prisão dos corruptos” da Lava Jato, que reforça a Polícia Federal e o Judiciário burguês, tal como fizeram diante do golpe e da prisão de Lula.

Ao contrário dessas perspectivas, nós do Reagrupamento Revolucionário encaramos que a tarefa mais fundamental dos socialistas revolucionários é a denúncia sistemática do capitalismo e das instituições da burguesia, construindo desde já e de forma insistente a noção fundamental de que são os trabalhadores que tem que governar, através da expropriação econômica e política da burguesia. Também insistimos na urgência de uma frente nacional de lutas, que acumule ações e forças para lançar uma greve geral por tempo indeterminado como a única forma possível de derrotar os ataques da burguesia. No interior de um espaço assim, defenderíamos a necessidade de extinção das forças repressoras do Estado burguês, o direito dos movimentos sociais à autodefesa e a luta por um governo revolucionário da classe trabalhadora, além de demandas democráticas e sociais. Já está mais do que na hora de pararmos de difundir ilusões no Estado dos patrões e na ordem capitalista, e nos chocarmos frontalmente contra ela!

Aonde vai o Brasil?

Entre a colaboração de classes do PT e a extrema-direita antidemocrática e antissocialista

Por Rafael Ferreira, maio de 2018.

Os tempos não são fáceis para aqueles que nem negam a realidade diante dos seus olhos, e nem se rendem a ela buscando a linha mais “viável” ou fácil (que frequentemente é uma proposta de repetir os erros do passado). A conjuntura se desloca cada vez mais à direita, pois não existem alternativas fortes de esquerda e aqueles reconhecidos como parte desse campo político majoritariamente se limitam aos quadros da institucionalidade burguesa. Qualquer coisa que vá além dessa limitada institucionalidade é taxada por ambos os lados do espectro político como muito “radical”, “sectário”, enfim, “extrema esquerda”, e é apagado da disputa política e ideológica. O resultado é que o centro vira “esquerda”, direita vira “centro” e extrema-direita aparece como uma alternativa viável, enquanto muitas correntes de esquerda são vistas como extremistas, terroristas, algo a que não se pode dar atenção.

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Brasil: El juicio de Lula

El juicio de Lula

La Operación “Lava Jato” y la Justicia burguesa no tienen legitimidad, pero no perdonamos los crímenes del PT contra la clase trabajadora!

 Originalmente publicado en portugués el 26 de janeiro de 2018.

Los tres jueces que decidieron la condena de Lula en segunda instancia (foto de Sylvio Sirangelo)

 

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El 24 de janeiro, Lula da Silva, presidente de Brasil de 2003 hacia 2010 y la principal figura pública del Partido de los Trabajadores (PT), fue condenado en secunda instancia por crimines de corrupción a una pena de 12 años y 1 mes de cárcel, poniendo en risco sus intenciones de candidatearse una vez más al cargo en las próximas elecciones, en octubre (las cuales mucho probablemente ganaría, de acuerdo con diferentes encuestas electorales). Ahora su destino depende de apelaciones a la Corte Suprema y la Corte Electoral Suprema. No obstante, según las leyes brasileras, él ya puede ser encarcelado [un pedido de Habeas Corpus fue negado por la Corte Suprema el 04 de abril y Lula se encuentra en la cárcel en ese momento – fines de abril de 2018].

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Sobre a prisão de Lula | On Lula’s imprisonment

Lula se entrega à Polícia Federal, apesar da resistência ao redor da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, que até tentou impedir sua saída. | Lula surrenders to the Federal Police, despite the resistance outside the Metalworkers Union headquarters, which even attempted to block his way out.

PORTUGUÊS | Percebemos que que em nossa declaração sobre a condenação de Lula pelo TRF4 não estava suficientemente clara nossa oposição à prisão de Lula (efetivada no último dia 07 de abril), não por acreditarmos em sua inocência, mas pelo caráter de clara perseguição política de todo o processo que culminou em sua condenação, incluindo violações da própria “normalidade burguesa”. Não fosse a confiança suicida do próprio Lula e PT nas instituições burguesas, sua prisão poderia ter sido evitada através dos métodos da luta de classes, uma vez que é do interesse objetivo da classe trabalhadora frear essa ofensiva judiciária, por mais que Lula e o PT há muito tenham se tornado a “ala esquerda do partido da ordem”.

ENGLISH | We realized that in our statement about Lula’s conviction by the TRF4 tribunal, our OPPOSITION to Lula’s imprisonment (effectuated on April 7th) was not sufficiently clear. We held this position not because we believe in his innocence, but because of the clear character of political persecution of all this process that culminated in his conviction, which included violations of the own “bourgeois normality”. Had it not been Lula and PT’s own suicidal confidence in the bourgeois institutions, his arrest could have been avoided through the methods of class struggle, since it is the objective interest of the working class to curb this judicial offense, however much Lula and the PT have long since become the “left wing of the party of order”.

Reagrupamiento Revolucionario (Español) No. 3

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Contenido online

Venezuela en llamas: La crisis del chavismo, la oposición derechista-imperialista y la necesidad de una salida socialista revolucionaria

Declaración de relaciones fraternas entre el Reagrupamiento Revolucionario y el grupo Qué Hacer?

La Independencia Catalana y la lucha por una Federación Socialista de la Península Ibérica

Guerra civil siria, Estado Islámico y la batalla por Kobane: ¡Defender a Siria contra el imperialismo! ¡Por una posición de independencia de clase en la guerra civil!

La Muerte de Kim Jong-Il y el Futuro de Corea del Norte

Los revolucionarios y las elecciones burguesas: apuntes teóricos

Revolución socialista: La solución a la cuestión del cambio climático

Partido Obrero (Argentina) y la colaboración de clase con la burguesía

Contra a intervenção militar no RJ! Segurança se consegue com empregos decentes e qualidade de vida!

[Reproduzimos a seguir panfleto utilizado pelo Reagrupamento Revolucionário no Rio de Janeiro]

Massivo ato no Rio de Janeiro, em repúdio à execução de Marielle Franco e contra a intervenção militar no estado (15/março) [Foto: EXAME]

“Quantos mais vão precisar morrer”?

A intervenção militar no Rio de Janeiro cumpre dois objetivos principais: acalmar o empresariado local, que vem fazendo grande pressão por conta dos roubos de carga e assaltos, e tentar elevar a popularidade do governo golpista de Temer e sua gangue de corruptos, para ajudar nas urnas o candidato que eles escolherem para sucessão em outubro. Ou seja, nunca teve como objetivo atender aos interesses da população trabalhadora. Muito pelo contrário, os trabalhadores pobres das favelas e bairros do subúrbio – com destaque para os negros e negras – tem sofrido com a intensificação dos absurdos cotidianos como esculachos, ameaças e execuções (por “bala perdida” ou “achada”).

Sem dúvidas há um aumento da violência na cidade e na baixada, mas isso ocorre por conta da crise econômica e das contrarreformas, que tem gerado demissões, aumentado o custo de vida, reduzido salários e direitos e precarizado as condições de trabalho, empurrando muitos para a criminalidade em ato desesperado de sobrevivência (enquanto empresários e banqueiros seguem ganhando isenções e empréstimos milionários para manterem seus lucros). Obviamente isso não se resolve com repressão, pois há anos a polícia, braço armado dos patrões, age dessa forma e isso só faz piorar a vida dos trabalhadores pobres.

Além disso, a intervenção militar, assim como a criação de um Ministério de “Segurança Nacional”, posto nas mãos de um general, confere mais poder aos militares do que eles tiveram desde o fim da ditadura, abrindo enormes riscos aos direitos democráticos já fragilizados. O general Sérgio Etchegoyen, aliado chave de Temer e linha de frente na intervenção, já deixou claro que vê os movimentos sociais, que defendem os direitos do povo trabalhador, como inimigo a ser combatido.

É isso tudo que a vereadora Marielle Franco (PSOL) vinha denunciando: os responsáveis pela intervenção militar já deixaram claro que querem carta branca para matar quem eles bem entenderem, e os racistas assassinos de farda da PM tem ficado mais à vontade que nunca para realizarem suas matanças de praxe. Por mexer nesse vespeiro tentaram silenciar Marielle da forma mais brutal, mas milhares de vozes estão ecoando suas denúncias e sua luta contra a intervenção, no Rio, no Brasil, no exterior. Se antes já era urgente unificar os movimentos sociais, sindicatos e organizações da esquerda em um forte movimento contra os ataques de Temer e a intervenção militar, depois dessa execução que tenta calar as denúncias isso se tornou questão de vida ou morte, literalmente.

Chega de ilusões no Estado dos patrões e na ordem capitalista!

Uma tarefa imediata da classe trabalhadora do Rio de Janeiro e baixada é construir um espaço de mobilização com representações de todos esses setores, criando um instrumento de lutas enraizado na mobilização das bases e gerido democraticamente pela nossa classe. Um instrumento desses precisa tomar para si a tarefa de investigar de forma independente a execução de Marielle, pois é óbvio que os órgãos de repressão do Estado capitalista não são confiáveis para isso. Ele precisa também lançar uma jornada de lutas, que vá além das necessárias manifestações de rua e englobe greves, piquetes, ocupações de órgãos públicos, como forma de colocar contra a parede os patrões e seus lacaios nos governos municipal, estadual e federal. Pois só assim conseguiremos arrancar uma vitória verdadeira e duradoura, indo da exposição e punição dos executores de Marielle até o fim da intervenção militar e à reversão das contrarreformas de Temer e sua corja.

Isso não é uma tarefa fácil, pois vai contra a perspectiva de boa parte da esquerda, que desde o golpe que removeu Dilma do poder e demonstrou a serviço de quem e do que está o Estado, até o recente começo da “corrida eleitoral”, vinha focando em defender falsas soluções que não vão além da institucionalidade burguesa, como “eleições gerais” (conjunto do PSOL, MAIS, NOS, e mesmo o PSTU, que defendeu isso até março de 2017) ou “assembleia constituinte” (MRT/Esquerda Diário), para não mencionar os que acham que a solução era o “volta Dilma” e/ou “Lula 2018” (PT, PCdoB, PCO).

Ao contrário dessas perspectivas, nós do Reagrupamento Revolucionário encaramos que a tarefa mais fundamental dos socialistas é a denúncia sistemática do capitalismo e suas instituições, difundindo a mais profunda desconfiança nelas e construindo a noção fundamental de que são os trabalhadores que tem que governar, através da expropriação econômica e política da burguesia (uma revolução socialista). Por isso, temos defendido a formação de uma frente nacional de lutas, que acumule ações e forças para lançar uma greve geral por tempo indeterminado até que caiam todos os ataques. Uma frente no RJ contra a intervenção militar, mobilizadora e enraizada nas bases, seria um excelente embrião para esse instrumento. No interior de um espaço assim, defenderíamos a necessidade de extinção das forças repressoras do Estado burguês, o direito dos movimentos sociais à autodefesa e a luta por um governo revolucionário da classe trabalhadora. Já está mais do que na hora de pararmos de difundir ilusões no Estado dos patrões e na ordem capitalista, e nos chocarmos frontalmente contra ela. A execução de Marielle foi um “recado” para todos os lutadores e lutadoras e para a população pobre e negra. Nossa resposta tem que ser devastadora!

Brazil: Lula’s trial

Operation “Car Wash” and the bourgeois justice have no legitimacy, but we shall not forgive the Workers’ Party’s crimes against the working class!

Three judges who decided on Lula’s conviction in second instance (photo by Sylvio Sirangelo)

January 2018

An appeal for help translating articles: this article was translated to English by non-native speakers and we apologize for any misspelling and other errors it may contain. Revolutionary Regroupment has an internationalist perspective of growing around the globe and we want to make more of our political literature available in English and other languages. If you want to help us in this internationalist goal by translating our articles or providing support to improve our translations, please contact us at rr-4i@krutt.org. Thank you!

Last January 24th, Lula da Silva, Brazil’s President from 2003 to 2010 and the Workers Party (PT) main figure, was convicted in second instance for crimes of corruption, jeopardizing his intentions to run once more for Presidency in next October 2018 elections (being the almost certain winner according to different polls scenarios). His fate will now depend on the appeals to the Supreme Court and the Supreme Electoral Court, but, according to Brazilian laws, he can already be imprisoned under his 12 years and 1 month sentence. Continuar lendo

Atualização no Arquivo Histórico — Revoluções do Pós-Guerra

Atualizamos nosso Arquivo Histórico com duas traduções para o português de artigos sobre Revoluções do Pós-Guerra.

Originalmente publicado pela então revolucionária Spartacist League (SL, EUA) em Workers Vanguard (WV), n. 102, 25 de março de 1976.
Guerrilheiros no poder  

Por Ted Grant (então membro do RCP inglês). Originalmente publicado em janeiro de 1949, republicado na coletânea The Unbroken Thread (Fortress Books, 1989).
A Revolução Chinesa  

Cataluña y el programa marxista

La Independencia Catalana y la lucha por una Federación Socialista de la Península Ibérica

Foto: Reuters

Originalmente publicado en portugués en noviembre del 2017

El día 1º de octubre, la Generalitat (gobierno regional) de Cataluña realizó un referendo de independencia que fue duramente reprimido por la policía española, además de declarado “ilegal” por el presidente Mariano Rajoy y por las Cortes. Los locales de votación fueron atacados por la policía, así como también fueron reprimidas manifestaciones favorables a la independencia. A pesar de eso, la participación expresiva en el referendo y el resultado (más del 90% favorables a la separación) dejó claro el deseo popular por la creación de una República Catalana.

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Venezuela en llamas

La crisis del chavismo, la oposición derechista-imperialista y la necesidad de una salida socialista revolucionaria

Foto: El País

Marcio Torres, originalmente publicado en portugués en  julio-agosto del 2017

Durante la última década, Venezuela atrajo la atención – y la admiración – de parte significativa de la izquierda, que se animó con la retórica socialista de Hugo Chávez y con su proyecto “bolivariano” de transformación del país, que despertó la furia de sectores de la burguesía nativa y del imperialismo estadounidense. Desde la muerte de Chávez, en marzo del año 2013, y la elección de su entonces vice para el cargo de presidente, en abril siguiente, el país ha pasado por un deterioro económico y una creciente crisis política, que en el presente año asumió aires explosivos. ¿Qué fue el chavismo y realmente a qué aspiraba el proyecto bolivariano? ¿Venezuela está en transición para un “socialismo del siglo XXI”? ¿Qué ocurre en este momento y cómo ha reaccionado la izquierda socialista? Estas son algunas de las cuestiones que en seguida, pretendemos abordar.

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Julgamento de Lula

A “Lava Jato” e a Justiça burguesa não têm legitimidade, mas não perdoamos os crimes do PT contra a classe trabalhadora!

Janeiro de 2018

Três desembargadores que decidiram pela condenação de Lula em segunda instância (foto de Sylvio Sirangelo)

Um partido da classe trabalhadora não pode jamais delegar à polícia e à Justiça dos patrões a tarefa de realizar a limpeza dos políticos e empresários corruptos, pois é evidente que isso não acontecerá. A operação “Lava Jato” já demonstrou que não vai se colocar a serviço de uma investigação da casta política ou do meio empresarial de forma minimamente séria. As prisões e denúncias buscam criar uma fachada de “luta contra a corrupção”, além de serem usadas por uma fração da classe dominante contra seus adversários políticos. Não será “levada até o fim” pois os órgãos do Estado burguês não podem fazê-lo o que significaria o Estado voltar-se contra si mesmo e contra os poderosos que mantêm vínculos íntimos com chefes dos três Poderes.

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Soon (In 48 Years’ Time)

In the December 31st of every year, we from Revolutionary Regroupment, like to end the year with a publication to stimulate the revolutionary will of our readers. For 2017 we chose the following story by Alexandra Kollontai, written in 1922. In this short story, the Russian revolutionary tell the tale of Christmas in the world after the victory of Communism. We hope that this story may bring some hope to the times of uncertainty in which now live on, as well as to remember all fighters that the victory for all workers will still come someday.

We wish to the working class, and to all that fight for a world of social justice, a 2018 of many struggles and victories! Continuar lendo

Em breve (No tempo de 48 anos)

Todo dia 31 de dezembro, nós do Reagrupamento Revolucionário, gostamos de encerrar o ano com uma publicação de estímulo a vontade revolucionária. Para 2017 escolhemos a seguinte crônica escrita por Alexandra Kollontai em 1922. Nela, a revolucionária russa conta uma história do Natal no mundo após a vitória do Comunismo. Esperamos que esse texto possa trazer um pouco de esperança nos tempos incertos de hoje e lembrar todos os lutadores de que a vitória ainda virá para todos os trabalhadores.

Desejamos à classe operária, e a todos que lutam por um mundo mais justo, um 2018 de muitas lutas e conquistas! Continuar lendo

Nota de solidariedade à Federação Anarquista Gaúcha e demais alvos da operação “Érebo”

Dezembro de 2017

No fim de outubro, sedes de organizações culturais e artísticas relacionadas com a Federação Anarquista Gaúcha (membro da Coordenação Anarquista Brasileira) foram visadas pela polícia. Há informação de que o mandado da ação policial mencionava a FAG/CAB pelo nome. A operação diz respeito a um suposto grupo criminoso, que seria responsável por ataques contra viaturas policiais, bancos, delegacias e concessionárias de veículos desde 2013. Num dos locais vistoriados foram apreendidos computadores, telefones e livros do grupo cultural que o mantém. O delegado que chefiou a operação afirmou que prisões poderão ser autorizadas pela Justiça no próximo período.

No fim de semana seguinte, uma reportagem da Rede Globo (no programa Fantástico) tentou incitar a opinião pública contra os movimentos sociais e o anarquismo. Apresentando de forma sensacionalista a operação, a matéria insinuou que o movimento anarquista seria o realizador de “atos terroristas”. Trata-se de uma “frente única” entre a polícia do Estado burguês e a grande mídia para atingir uma organização de luta dos trabalhadores e dos oprimidos, que tem se colocado contra os ataques dos capitalistas e poderosos.

Manifestamos nossa solidariedade à FAG/CAB e aos demais grupos atingidos por essa operação, pois sabemos que os mesmos métodos podem amanhã ser usados contra nós e outras organizações da classe trabalhadora. É preciso dizer com toda clareza que um ataque contra um dos nossos é um ataque contra todos nós. Criminoso e terrorista é o Estado burguês que desrespeita os mínimos direitos democráticos e sociais do povo, da condenação de Rafael Braga à “reforma trabalhista”. É este Estado, seus órgãos e representantes que merecem o ódio dos trabalhadores. Apesar dos nossos humildes recursos humanos e materiais, nos colocamos à disposição para construir atividades de solidariedade nos locais em que possuímos presença.

Catalonia and the Marxist Program

The Catalan Independence and the struggle for a Socialist Federation of the Iberian Peninsula

Protest in favor of an independence referendum, September 2017 (Reuters)

Originally posted in Portuguese in November 2017

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On October 1, the Generalitat (regional government) of Catalonia held an independence referendum that was severely repressed by the Spanish police, and declared “illegal” by President Mariano Rajoy and the Cortes. Voting sites were attacked by troops, as were demonstrations favoring independence. Despite this, widespread participation in the referendum and the result (more than 90% favorable to the separation) made clear the popular desire for the creation of a Catalan Republic.

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