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Documentos do CCI/Coletivo Lenin (2008-2010)

Postamos aqui uma seleção de importantes textos teórico-programáticos do CCI/Coletivo Lenin, organização da qual se originou o Reagrupamento Revolucionário, entre 2008-2010, período no qual tal grupo contribuiu para a reconstrução de uma tradição trotskista consistente no Brasil.

Teses sobre a China
CCI/Coletivo Lenin, fevereiro de 2008

A esquerda brasileira e o governo “democrático e popular”
CCI/Coletivo Lenin, abril de 2008

Defesa do MST e a questão agrária no Brasil
Coletivo Lenin, maio de 2009

A tentativa do “Bando dos 8” e o fim da URSS
Coletivo Lenin, 2010

Resposta à Luta Marxista

Resposta à Luta Marxista

Junho de 2017

Em junho de 2013, a Luta Marxista (LM), um grupo trotskista do Rio Grande do Sul, escreveu um texto intitulado Resposta a Icaro Kaleb (http://lutamarxistablog.blogspot.com.br/2013/06/resposta-icaro-kaleb.html). O título fazia referência ao nome de um companheiro do Reagrupamento Revolucionário (RR) e tecia críticas a comentários informais feitos por este companheiro numa postagem da LM no Facebook, divulgando o texto A frente única segundo a Liga Comunista (26/05/2013). Em seguida, criticava posições políticas presentes em textos do RR. A escolha do título citando um militante (e não o nosso grupo), assim como a reprodução de comentários individuais feitos no Facebook e que tinham um caráter claramente informal (e não de declaração pública da organização) não fazem parte do nosso método de debate. Também não pudemos deixar de notar que a LM não disponibilizou nenhum link para o nosso site ao longo do seu texto, dificultando aos leitores terem acesso à nossa formulação original. De qualquer forma, é para nosso demérito que não tenhamos respondido anteriormente à crítica da LM, diante das várias outras tarefas que foram colocadas para nosso grupo nesse meio tempo. Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca. Por isso, tomaremos essa oportunidade para responder a tal crítica, ponto a ponto. (Os extratos do texto da LM estão em negrito).

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Falsa acusação da Liga Quarta-Internacionalista do Brasil contra o Reagrupamento Revolucionário

No último dia 03 de maio, o Reagrupamento Revolucionário enviou uma carta à  Liga Quarta-Internacionalista do Brasil (LQB) e ao Internationalist Group dos EUA (IG) –  ambos membros da Liga pela Quarta Internacional / League for the Fourth International – solicitando a correção de uma falsa acusação feita contra nós em um recente artigo da LQB, no qual afirmam que capitulamos à candidatura liberal-burguesa de Marcelo Freixo (PSOL) a prefeito do Rio de Janeiro na eleições passadas. Como a LQB / IG optou por nos ignorar, ao invés de corrigirem seu erro, publicamos tal carta para que prevaleça a verdade quanto à nossa posição. Reforçamos que não é através de calúnias que se realizará o necessário debate entre a esquerda.

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Balanço do dia 28 de abril

28 de abril: o que foi e como impedir que tenha sido em vão

Maio de 2017

Imagem: G1

O dia 28 de abril no Brasil foi significativo como o dia em que a classe trabalhadora entrou em ação com seus métodos históricos de luta (paralisações, piquetes, bloqueios de rodovia) audaciosamente contra a onda de ataques de Temer e do Congresso (“Reforma trabalhista”, “Reforma da Previdência” e lei da terceirização). A lista das categorias paralisadas é impressionante: muitos setores industriais, do transporte, do comércio e de serviços básicos cruzaram os braços e saíram às ruas [1]. Segundo estimativas gerais, no mínimo 30 milhões teriam deixado de trabalhar (a CUT diz 35mi, a Força Sindical 40mi). E, por mais que os dados ainda estejam muito incompletos, seguramente muito mais de um milhão tomou as ruas em todo o país, incluindo todas as capitais. Diante disso, surge a oportunidade de derrotar os ataques da classe dominante contra os trabalhadores, e que estes emerjam como fator político no vácuo de poder (“crise de representatividade”) que vive o país, espaço que até então vinha sendo ocupado apenas pela direita organizada e aspirantes a “salvador da pátria” [2].

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Declaração internacional – Defender a Síria, China e Coreia do Norte!

O imperialismo americano estica suas garras

Defender a Síria, China e Coreia do Norte! Para garantir a paz, lutar pela revolução socialista internacional!

Abril de 2017

Em 6 de abril, Trump realizou um ataque com mísseis contra uma base militar síria. Trata-se do primeiro ataque americano contra um alvo do governo sírio, dado que, até o momento, os Estados Unidos vinham realizando bombardeios apenas contra alvos do grupo fundamentalista Estado Islâmico. A decisão de Trump se deu após afirmações do serviço secreto americano, rapidamente repercutidas pelas grandes empresas de mídia mundo afora, de que o governo Assad seria o responsável por um ataque com gases químicos que matou cerca de 80 pessoas na província de Idlib – responsabilidade essa que o governo sírio nega, culpando a oposição armada a seu regime. Embora seja impossível saber no momento qual afirmação é a verdadeira, os imperialistas são especialistas em inventar desculpas para justificar ataques e empreitadas militares em outros países – lembremos das inexistentes “armas de destruição em massa” do Iraque.

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“O caminho é a luta e não as eleições”: novo giro do PSTU

O caminho é a luta e não as eleições”: novo giro do PSTU

Cartaz utilizado pelo PSTU

Por Pablo Pedrosa, abril de 2017

Ziguezagues entre uma linha reformista e uma com aparências de revolucionária são a marca maior de organizações centristas. Depois de passar mais de um ano bradando por “Eleições Gerais para por para fora todos os corruptos”, o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados) parece ter abandonado essa palavra de ordem, que já não aparece em seus textos principais desde os fins de 2016. Em recente editorial do jornal Opinião Socialista, o partido simplesmente se esqueceu de seu passado recente e defendeu que:

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Partido Obrero (Argentina) e a colaboração de classes com a burguesia

Partido Obrero (Argentina) e a colaboração de classes com a burguesia

Por Icaro Kaleb

Partido Obrero em Buenos Aires, 2006 [Foto: Candelaria Lagos/Télam]

O artigo que segue foi originalmente publicado em fevereiro de 2013, como parte de uma polêmica sobre as incoerências do Partido da Causa Operária (PCO, Brasil) ao criticar outras organizações brasileiras por capitularem a governos e coligações eleitorais de colaboração de classes, ao mesmo tempo em que reivindicam como correto o apoio que eles próprios deram à coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições presidenciais de 1989 e 1994, a qual já agregava alguns setores significativos da burguesia [1]. Nessa polêmica, apontávamos as raízes dessa capitulação do PCO à colaboração de classes no legado programático do Partido Obrero da Argentina, dirigido por Jorge Altamira, com o qual o PCO manteve relações por muitos anos [2]. Pequenas modificações foram feitas para a publicação desse texto como material separado do restante do original.

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A resposta da esquerda dos EUA a Trump e as eleições de 2016

A resposta da esquerda dos EUA a Trump e as eleições de 2016

Colaboração de classes e a importância do programa revolucionário

Por Joseph Donnelly, originalmente publicado em inglês em março de 2017.

Protesto anti-Trump em Los Angeles, 12 de novembro de 2016 [Foto: laweekly.com]

Em 20 de janeiro, Donald J. Trump fez seu juramento para se tornar o 45º Presidente dos Estados Unidos. Sua campanha eleitoral, lançada formalmente em 16 de junho de 2015, se tornou o centro das atenções de muitos ativistas políticos, preocupados com os rumos do país sob sua gestão. Para muitos apoiadores do Partido Democrata, bem como de outros agrupamentos liberais, Donald Trump aparentou ser uma ótima forma de agregar pessoas à sua causa – segundo eles, se você não escolher um liberal Democrata (como Hillary Clinton), você estará escolhendo Trump. Já fazem pelo menos uns cem anos que os revolucionários tem se confrontado com esse tipo de lógica, de escolher o “mal menor”. E nós sempre apontamos que se trata de um argumento para dar apoio a forças burguesas – levando a desarmar e a desmobilizar a independência das lutas de classes. Ainda assim, muitas pessoas e organizações que se reivindicam revolucionárias caem nesse conto.

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A esquerda ante a crise brasileira

Estratégia revolucionária versus ilusões na institucionalidade burguesa

A esquerda ante a crise brasileira

Por Icaro Kaleb e Marcio Torres, março de 2017.

Protesto pelo “Fora Temer” na Av. Paulista (São Paulo), 04 de setembro de 2016. Na foto é possível ver faixas de diferentes grupos, com alguns dos eixos aqui debatidos. [foto: Portal da RMC]

Recentemente nós do Reagrupamento Revolucionário publicamos um artigo de análise da atual conjuntura nacional, que é marcada, de um lado, por uma profunda crise política nas instituições burguesas, com lutas intestinas ocorrendo nos bastidores, e, por outro, pela existência de uma sólida “frente única” da burguesia e seus representantes institucionais em relação aos duros ataques à classe trabalhadora. Também abordamos elementos preocupantes, como o crescimento da extrema direita, e a ausência até o momento de um instrumento capaz de unificar e expandir a resistência proletária e popular a tais ataques. Em tal artigo, realizamos algumas polêmicas pontuais com análises e posições da esquerda das quais discordamos e apresentamos o que encaramos serem os elementos básicos de um programa classista e revolucionário ante a atual conjuntura. (Ver A crise política brasileira e a necessidade de um programa classista e revolucionário, fevereiro de 2016: https://rr4i.milharal.org/2017/02/16/a-crise-politica-brasileira-e-a-necessidade-de-um-programa-classista-e-revolucionario/).

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A crise política brasileira e a necessidade de um programa classista e revolucionário

A crise política brasileira e a necessidade de um programa classista e revolucionário

Fevereiro de 2017

Grande manifestação em Brasília dezembro passado, contra a PEC 241/55, duramente reprimida [foto: ASFOC]

[Pequenas alterações e correções neste texto foram realizadas no dia 18/02/2017]

Está consolidado o golpe de Estado realizado pelo Congresso e Judiciário, com auxílio chave da Polícia Federal. O golpe claramente veio para, dentre outras coisas, aprofundar em ritmo e intensidade os ataques à classe trabalhadora, os quais já haviam se iniciado sob a gestão de Dilma e do PT. A conclusão prática é que, pelo menos pelo próximo período político, a luta central deverá ter caráter defensivo, com o objetivo de resistir a tais ataques. Qualquer ilusão na possibilidade de anulação do impeachment de Dilma, ou ainda uma tentativa de emplacar um “volta Dilma” (como o que deseja o Partido da Causa Operária, PCO [1]) não só será infrutífera, como desviará criminosamente o foco da luta contra tais ataques.

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Postagem de ano novo | New year’s eve post | Post de año nuevo

Seguindo nossa tradição, todo final de ano postamos um material histórico de estímulo à determinação e à vontade revolucionária de nossos militantes, apoiadores e simpatizantes. Esse ano escolhemos um trecho da autobiografia de Leon Trotsky (Minha Vida, 1930) no qual o revolucionário fala de seu exílio forçado, do significado histórico da Revolução Soviética e de seu destino pessoal. Acesse clicando aqui: O Planeta sem Visto – Leon Trotsky (1930).

Following our tradition, every new year’s eve we post a historical material dedicated to the revolutionary will and determination of our members, supporters and sympathizers. This year we chose an excerpt of Leon Trotsky’s autobiography (My Life, 1930) in which the revolutionary deals with his forced exile, the historical meaning of the Soviet Revolution and his personal fate. Access by clicking here: The Planet Without a Visa – Leon Trotsky (1930).

Seguiendo nuestra tradición, cada fin de año publicamos un material histórico de estímulo a la determinación y la voluntad revolucionaria de nuestros miembros, apoyadores e simpatizantes. Este año eligimos un extracto de la autobriografia de Leon Trotsky (Mi Vida, 1930), en que el revolucionario trata de su exilio forzado, del significado histórico de la Revolución Soviética y de su destino personal. Para accesar, hace clic aqui: El Planeta sin Visado – Leon Trotsky (1930).

Ocupar tudo com greve estudantil! (Panfleto)

Ocupar tudo com greve estudantil!

Por uma universidade dos trabalhadores, derrotar a PEC 241/55 e a MP do ensino médio!

Reproduzimos a seguir panfleto que temos distribuído em unidades da UFRJ desde novembro de 2016.

No dia 04 de novembro, centenas de estudantes da UFRJ realizaram uma assembleia que decidiu pela ocupação da Reitoria a partir do dia 07, contra a PEC 241/55 e a MP do Ensino Médio. A “PEC do fim do mundo” significará cortes e congelamento do orçamento das áreas sociais, tendo efeitos nefastos nas educação pública, na assistência estudantil e na vida dos estudantes mais pobres e da classe trabalhadora. A MP do Ensino Médio irá restringir o acesso dos jovens trabalhadores à educação e elitizar ainda mais o ensino superior.

Mais de mil unidades escolares e universitárias já se encontram ocupadas pelo país afora, em um poderoso movimento que tem o potencial de barrar esss ataques, caso se unifique e se expanda para mobilizações que envolvam a classe trabalhadora. Porém, o Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFRJ – dirigido por vários coletivos, como “Não vamos pagar nada”, Correnteza, UJC e “Quem vem com tudo não cansa” – NÃO defende a paralisação das aulas na universidade. Ocupar os prédios e deixar as atividades seguirem como se nada estivesse acontecendo não basta. Parar as aulas é um elemento fundamental para prestar solidariedade ativa à greve em andamento dos técnicos-administrativos e causar mais impacto, com vistas a derrotar as medidas do governo golpista. Frente a esse cenário, nós do Reagrupamento Revolucionário estamos defendendo:

  • Ocupação com greve estudantil: fazer piquetes e trancaços em todos os prédios! Apoio ativo à greve dos técnicos-administrativos!
  • Unidade pela base: eleger representantes revogáveis pela base em todos as unidades ocupadas para unificar o movimento de forma democrática! Formar um comando de luta da UFRJ!
  • Por uma frente nacional de lutas: incentivar a formação de um comando estadual de ocupações, rumo a uma frente nacional de lutas, democrática e pela base, que erga uma poderosa resistência estudantil e proletária aos ataques do governo golpista e do judiciário!
  • Universidade para a classe trabalhadora: efetivação dos terceirizados e das terceirizadas com plenos direitos! O orçamento da UFRJ deve ser para assistência aos estudantes e trabalhadores (creches, restaurantes universitários, alojamentos), não para pagar empresas privadas! Lutar pelo fim do vestibular/ENEM e pelo livre acesso! Expandir a rede pública estatizando sem indenização as empresas privadas de ensino! Exigir da Reitoria começar obras para um bandejão no centro e acelerar a obra na PV, os estudantes tem fome!
  • Gestão democrática: que os estudantes, funcionários/terceirizados e professores tenham o poder de decidir os rumos da universidade, através de uma gestão tripartite!
  • Rechaçar as provocações direitistas e reacionárias, como a do “UFRJ Livre” e MBL, de todas as maneiras necessárias! Diego não será esquecido!
  • Nenhuma confiança nos ex-governistas do PT e PCdoB! Não esquecer que Dilma já vinha encaminhando pesados ataques à educação pública e à classe trabalhadora!

O movimento trotskista internacional e as revoluções do pós-guerra (1944-1963)

O movimento trotskista internacional e as revoluções do pós-guerra (1944-1963)

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Reproduzimos a seguir um artigo sobre a história da fragmentação do trotskismo no pós Segunda Guerra Mundial com o qual possuímos acordo em termos gerais. Ele foi escrito pelo historiador Marcio Lauria Monteiro e foi originalmente publicado pela revista Outubro n. 27, de novembro de 2016 (disponível em http://outubrorevista.com.br/o-movimento-trotskista-internacional-e-as-revolucoes-do-pos-guerra/). Acrescentamos uma seção extra que nos foi fornecida pelo autor, excluída da versão original por questões de espaço.

A Quarta Internacional foi fundada em 1938 por Leon Trotsky, após o abandono da condição de fração externa que a Oposição de Esquerda Internacional manteve diante da Comintern até 1934 e a sua opção de se tornar um novo partido internacional. Mas, desde a sua fundação, ela se encontrava bastante fragilizada, uma vez que praticamente toda a direção da antiga oposição fora assassinada pelos stalinistas ao longo da década de 1930, tendo Leon Trotski o mesmo destino em 1940. Assim, somando uma liderança frágil às duras condições impostas pela Segunda Guerra Mundial, a nova Internacional, na prática, deixou de existir durante o começo dos anos 1940, vindo a ser reorganizada ao longo de 1944-1948, a partir da soma dos esforços de uma nova geração ativistas europeus sob a liderança do Socialist Workers Party (SWP) dos Estados Unidos.

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Os problemas do MAIS e o legado do PSTU

Os problemas do MAIS e o legado do PSTU/LIT

É preciso romper com o morenismo para não ser “mais do mesmo”

Pablo Pedrosa, novembro de 2016

Faixa conjunta entre o MAIS e o Juntos (PSOL) defendendo a realização de

Faixa conjunta entre o MAIS e o Juntos (PSOL) defendendo a realização de

Ao completar 22 anos, o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) tem pouco a comemorar: o partido sofreu um enorme racha depois de perder vários membros nos últimos três anos. Com centenas de militantes, entre eles históricos dirigentes como Valério Arcary, o novo grupo lançou seu manifesto “Arrancar Alegria ao Futuro” e logo organizou-se com o nome de MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente Socialista). Há cerca de um ano, ex-militantes do PSTU também reuniram-se em um outro grupo, consideravelmente menor, o Movimento ao Socialismo (MAS). Esses dois movimentos romperam em momentos e contextos distintos, mas tinham algumas posições em comum. Em especial a discordância com a política nacional do PSTU, sobre o impeachment da presidenta Dilma – o PSTU dizia que o impeachment era “insuficiente” e lançou a palavra de ordem: “Fora Todos Eles, Eleições Gerais Já!”, dizendo que a saída de Dilma correspondia à vontade dos trabalhadores (independentemente de como se desse). E também a crítica ao isolamento do partido do restante da esquerda, especialmente a oposição da direção nacional a uma frente eleitoral com o PSOL em 2016. Ambos os rachas defendem oposição ao impeachment, sem se comprometer com o governo Dilma. Também defendem a formação de uma Frente de Esquerda contra a política de “ajuste fiscal”, aglutinando partidos como o PSOL, PCB, PSTU, movimentos como o MST e MTST e organizações sindicais como a CSP-Conlutas.

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Os revolucionários e as eleições burguesas

Setembro de 2016

[Este texto foi originalmente escrito como uma colaboração à discussão interna do Reagrupamento Revolucionário sobre qual posição tomar nas eleições de 2016. Posteriormente à discussão, ele foi expandido e adaptado para publicação.]

No Brasil, a esquerda possui um forte foco nas eleições burguesas, muitas vezes até mesmo priorizando o calendário eleitoral em detrimento do fortalecimento de lutas populares e dos trabalhadores. Isso força grupos pequenos como o nosso, atualmente incapazes de ter algum impacto no processo eleitoral, a afirmarem suas posições e a se diferenciarem da tendência geral de disseminação de ilusões nas eleições como uma via para mudanças que interessem ao proletariado. Organizamos essa primeira parte do texto na forma de teses que definem nossos princípios básicos para uma atuação revolucionária nas eleições. Posteriormente, discutimos nossa posição sobre o pleito de 2016.

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LSR/CIT: centristas a serviço de Bernie Sanders

Contra todos os candidatos capitalistas, por um partido da classe trabalhadora nos EUA!

Icaro Kaleb, agosto de 2016

[O presente artigo começou a ser escrito quando as primárias ainda ocorriam. Portanto, não aborda posições mais recentes da LSR / CIT. Mas cabe ressaltar que não foi feita nenhuma autocrítica das posições aqui debatidas.]

Kshama Sawant, importante figura pública da CIT, abraçada com Sanders

As primárias para as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos chegaram ao fim. Pelo Partido Republicano foi escolhido Donald Trump, um figurão bilionário e estrela do reality-show empresarial “O Aprendiz”. Ele não faz questão de esconder seus preconceitos contra latinos, muçulmanos e tampouco seu machismo. Ao contrário, essas características repulsivas são habilmente manipuladas como atrativos para uma base de apoiadores reacionários, que tem feito algumas manifestações em seu apoio. Apesar de um receio de “instabilidade” por parte de setores do Partido Republicano devido a seu estilo tão abertamente reacionário e provocador, Trump é mais um candidato do grande capital e, apesar do seu grau de independência – ele pode, por exemplo, financiar sua própria campanha sem depender de doações milionárias de outros capitalistas – não terá problemas em se ajustar aos interesses da grande burguesia caso seja eleito. Continuar lendo

Nota sobre o Ocupa IFCS (UFRJ)

Por uma universidade a serviço dos estudantes e trabalhadores! Lutar com unidade e democracia pelas demandas do Ocupa IFCS e organizar outros pela UFRJ!

Foto: Facebook do Ocupa IFCS

Panfleto distribuído na assembleia dos estudantes da UFRJ dos cursos do Centro do Rio de Janeiro, em 22 de junho de 2016.

No dia 13 de junho, estudantes do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ ocuparam a sala da Direção do Instituto, como forma de protestar por uma política de alimentação para os estudantes do Centro (que não tem Restaurante Universitário), contra o Projeto de Lei reacionário “Escola Sem Partido”, contra o corte da Bolsa Auxílio Permanência e do Bilhete Único Universitário, pela implementação de cotas raciais na pós-graduação do Instituto e pela democratização da internet Wi-Fi para todos no prédio, além de declararem apoio ao movimento das escolas secundaristas ocupadas.

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Moreno e Trotsky: compare e contraste

Notas para uma crítica revolucionária ao morenismo

Moreno e Trotsky: compare e contraste

Nahuel Moreno na II Conferência da LIT

Marcio Torres e Icaro Kaleb, junho de 2016

O “morenismo” é um dos principais “troncos históricos” do trotskismo, associado ao dirigente argentino Nahuel Moreno (1924-87), o fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores – cuja seção principal atualmente é o PSTU brasileiro. Entre muitos militantes das organizações que reivindicam seu legado (PSTU, CST, MES, MRS) é comum a crença de que Moreno apenas “atualizou” o trotskismo para uma época mais recente. O intuito desse texto é demonstrar, através da comparação de citações de Leon Trotsky e de Moreno acerca de assuntos centrais, que essa “atualização” é na realidade uma desfiguração das principais posições do trotskismo. Nenhum programa se mantém atual por décadas e nós não tomamos as posições de Trotsky como “infalíveis” ou “eternas”. Porém, é ilustrativo ver quão atuais permanecem muitas das ideias do revolucionário russo e também quão distantes são da “atualização” oportunista feita por Moreno. As citações aqui reunidas, mais do que demonstrarem diferenças em assuntos diversos, demonstram que Moreno elaborou toda uma nova estratégia de transição ao socialismo. Essa nova estratégia levou ainda Moreno a rever outras posições chave, como sobre as frentes de colaboração de classes com a burguesia e sobre a revolução política nos Estados operários burocraticamente degenerados/deformados.

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Abaixo o governo golpista!

Lutar contra os ataques de Temer, nenhuma confiança no PT e seus satélites!
Junho de 2016

Na madrugada do último dia 12 de maio, Dilma foi temporariamente afastada da Presidência e agora será julgada pelo Senado sob a tutela do Supremo Tribunal Federal, já sendo quase certa sua condenação. O destino do país está sendo cada vez mais conduzido pelos “ministros togados” do poder Judiciário, que recebem salários exorbitantes e não prestam contas a ninguém, pois sequer são eleitos pela população. Está muito claro que a atuação conjunta dos Supremos Tribunais, da Polícia Federal, do Ministério Público tem assumido ares cada vez mais autoritários. Não podemos deixar que o golpe institucional se consolide através da reafirmação dos superpoderes do STF e Cia.!

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A demanda de Assembleia Constituinte do MRT

Nenhum gato põe ovos

Icaro Kaleb, maio de 2016

O MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores), grupo responsável pelo site Esquerda Diário, tem defendido como perspectiva para o movimento dos trabalhadores no atual cenário de crise do Brasil “uma resposta democrática de fundo, imediata, que realmente dê resposta aos anseios e necessidades dos ‘de baixo’, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana”.

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