A questão LGBT+ e o socialismo

Por Pablo Pedrosa, junho de 2018.

Ao contrário do que é pregado por uma parcela significativa da classe dominante e pelos reacionários em geral, a repulsa ao comportamento homossexual não é um instinto natural do ser humano, que em seu processo de desenvolvimento social vem abrindo espaço às minorias sexuais para que “tenham liberdade de amar”. Outro mito atribuído à sexualidade humana é que ancestralmente o acasalamento tinha apenas uma função reprodutiva, e que nossa espécie evoluiu de maneira que este envolvesse laços de afetuosidade entre um casal de macho e fêmea.

A sexualidade em outras espécies

Há registros de atos homossexuais em pelo menos 500 espécies, de vermes intestinais a mamíferos de grande porte, passando por peixes, anfíbios e uma infinidade de aves. Portanto, o sexo meramente reprodutivo sequer é uma realidade entre os animais selvagens. O que explica esse tipo de comportamento nestes? Cientistas de uma série de matizes ideológicos tentaram demonstrar como a homossexualidade animal poderia ser justificada com a falta de parceiros (as) do sexo oposto, uma estratégia de sobrevivência, uma forma de demonstrar poder durante a competição entre machos ou por questões hormonais. Diversas espécies animais buscam no ato sexual também uma forma de prazer, e para uma parcela destes, sua atração está voltada a parceiros do mesmo sexo.

Isso demonstra porque cerca de 8% dos ovinos recusam-se em procurar parceiras, mesmo em período fértil, preferindo copular com outros machos, já as macacas da espécie Fuscata apresentam comportamento agressivo quando um macho se aproxima enquanto têm suas relações. Entre os Bonobos, 60% das relações são entre fêmeas da mesma comunidade.

Não visamos aqui justificar a prática homossexual usando como exemplo os animais; em centenas de milhares de anos de evolução, nos distanciamos de hábitos como o canibalismo e o incesto, naturais no meio animal. O que queremos demonstrar é que, diferente da homofobia, o desejo por parceiros do mesmo sexo é natural, e o que justifica a condenação dos humanos a esta prática é a forma como nossas sociedades se desenvolveram, ou seja, como os meios materiais levaram a que nossa interação sexual fosse voltada apenas ao sexo entre seres de gêneros opostos.

Falar sobre homossexualidade no homem primitivo seria o mesmo que tratar de homofobia no reino animal. Para começar, esta terminologia é extremamente recente e a preocupação sobre o quão natural é este comportamento advém da discussão sobre os limites entre o que deve ser aceito ou não pelas sociedades ‘modernas’.

A homossexualidade humana ao longo do tempo

A imagem de Niankhkhnum e Khnumhotep, dois servos reais em ato semelhante a um beijo, é o primeiro registro de um ato homossexual de que se tem notícia. A homossexualidade está presente também entre os deuses, como na lenda de Horus e Seth.

Tribos ameríndias designavam membros como “dois espíritos”, para representar homens e mulheres que se vestiam e adotavam comportamentos comuns ao sexo oposto. Nestas tribos era comum que os pais criassem seus filhos de maneira ‘neutra’. Sendo assim, as crianças iam demonstrando a que gênero mais se identificavam conforme iam crescendo. Seriam nossos transgêneros de hoje. [2]

Na Grécia antiga, a “paideia” era a tradição na qual um homem adulto agia como tutor de um jovem. Ambos se relacionavam amorosamente, o erastes (amante) era responsável por educar o jovem para a vida civil, já o eromeno (amado) detinha um papel submisso, este era penetrado pelo seu superior, que necessariamente precisava ser um homem livre. Esta relação continuava até que o eromeno se tornasse um cidadão pleno na polis. A partir daí podia assumir o outro papel, até que viesse a constituir uma família. A prática homossexual fora deste relacionamento não era bem vista, especialmente se envolvesse um escravo, ou um homem adulto assumisse o papel passivo, relacionado à posição da mulher, alguém “inferior”. Em Esparta, na colônia de Tebas, uma tropa formada por 150 casais de soldados que conviviam em relações homossexuais ficou conhecida por ter um dos exércitos mais poderosos da antiguidade (segundo historiadores, o apreço em defender a vida do companheiro e demonstrar virilidade em batalha são as explicações para tamanha devoção em guerra). Muito antes, em Papua-Nova Guiné, nas ilhas Fuji e Salomão, o ato sexual entre homens era um importante rito de passagem.

Já em Roma, a influência grega da educação por meio da sodomia entre homens é substituída por uma representação de poder, nela o amo penetra seu escravo jovem, demonstrando seu papel de domínio naquela sociedade. Com abertura maior a variantes sexuais, os romanos gozam de certa liberdade em seus relacionamentos, sendo Nero o primeiro imperador a se casar com outro homem.

Na China, mulheres que se relacionavam mantendo os aspectos da cultura dos casais heterossexuais eram conhecidas como dui shi. Em Lesbos, ilha grega que deu origem à palavra lésbica, a poetisa Safo ficou conhecida por descrever seu amor platônico a outras mulheres. A arte homoerótica é encontrada em abundância numa série de civilizações.

Apesar de todos esses séculos de relativa tolerância por parte de diferentes sociedades, como advento do cristianismo o imperador Justiniano (527-65) passa a condenar a homossexualidade à morte. Para a Igreja católica, a sodomia, como se referiam ao ato sexual sem fim reprodutivo, é ‘o maior dos pecados’. Para o novo imperador de Roma, deveria ser castigada por conta dos pecados de seus líderes e cidadãos.

A mesma mentalidade persistiu e se alastrou durante a Idade Média. As Cruzadas promovidas pela igreja não pouparam os homossexuais, assassinados covardemente em nome de seu deus. Com o domínio e colonização sobre outros povos, a homofobia da igreja católica perseguiu homens e mulheres que conviviam com relativa liberdade em suas comunidades de origem. [3]

Igreja, Estado e capitalismo

As mais variadas sociedades lidaram de maneiras diferentes em relação ao sexo: ritual, festejo, relação entre casais, da mesma maneira o sexo entre pessoas do mesmo gênero foi encarado de maneiras diversas, cultuado, hostilizado, rito de passagem ou simplesmente outra forma de relacionar-se.

A partir do momento em que ‘o homem’ domestica animais e é capaz de cultivar alimentos, sua relação com a natureza muda, e com ela sua interação social. Rapidamente desenvolvem-se as cidades, e as comunidades primitivas lideradas por mulheres passa a se fragmentar. Em pouco tempo surgem o comércio e as profissões, o homem passa a ser proprietário de terras (e de suas mulheres e filhos), com isso deixa de produzir em comunidade para a subsistência e passa a vender o excedente. A criação de seus descendentes deixa de ser compartilhada, assim o homem passa a compor família ao lado de uma mulher com quem tem filhos, estes são os herdeiros legítimos de sua propriedade. Estão criadas aí a base para o ideal de família monogâmica e nuclear, centrada num casal que deve gerar filhos.

A competição entre comunidades distintas dá origem à noção de nacionalidades, com ela surge o combate ao ‘estrangeiro’ e a necessidade de domínio sobre o outro, seja através da escravidão ou colonização, daí a importância de ter descendentes não só para herdar bens, mas para levar adiante sua cultura e etnia. Estas sociedades dão origem a diferentes maneiras de enxergar o mundo, explicar o que não conhecem e semear tradições e valores, está aí a origem das mais diferentes religiões.

De lá para cá os seres humanos desenvolveram-se cultural e tecnologicamente de maneira vertiginosa, o que não impediu que sua antiga composição familiar deixasse de existir. Do surgimento da agricultura à Revolução Industrial e ao advento do capitalismo, houve uma cada vez maior homogeneização das relações sociais, e a organização que era considerada mais interessante ao desenvolvimento do sistema passou a ser exigida como a única possível. Um clássico onde essa discussão é desenvolvida é a obra A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, de Engels (1884).

O domínio europeu, a colonização e a cristianização exercem papel fundamental no combate às práticas tidas como pecaminosas. A Igreja se tornou castigo e refúgio para homens com tendências homossexuais. Abdicar do sexo foi a alternativa para muitos que professavam o cristianismo e segue sendo até hoje. Para a igreja e o Estado (impregnado da mesma), o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo nada tinha de produtivo. Não era capaz de gerar herdeiros legítimos, assim como novos fiéis pagadores de dízimo, o sexo para estas pessoas têm caráter exclusivamente recreativo, o que por si só já era considerado uma aberração. Dominar os mais diferentes aspectos da vida, em especial um aspecto tão íntimo era demonstrar o quanto esta instituição era respeitável e poderosa. Entre os servos e explorados, dominar sua intimidade e disseminar um ódio irracional às variantes sexuais tinha como interesse fundamental fortalecer os ditames da igreja e dividir os oprimidos.

Revendo a questão LGBT no século XX

A ciência, assim como a cultura, é influenciada pelo sistema vigente, portanto a sexualidade e os casos de pessoas que não identificavam-se com seu gênero ainda há pouco eram tabus e não tinham uma explicação. O primeiro estudioso a debruçar-se sobre o tema é Magnus Hirschfeld (1868-1935), renomado sexólogo alemão. Magnus foi o criador do ‘Comitê Científico Humanitário’, organização que tinha como intuito mudar a visão que se tinha dos homo e transexuais através da ciência. Além de estudar a sexualidade humana, a organização foi responsável por promover o primeiro ato político em prol dos direitos LGBT. Seu comitê lutou pela revogação do Parágrafo 175 do código penal alemão que criminalizava o sexo entre homens. Magnus só pode contar com o apoio de uma minoria do Partido Social Democrata Alemão, em especial de August Bebel, que condenou a lei diante do parlamento.

Os socialistas também foram responsáveis por solidarizar-se e condenar a prisão do poeta Oscar Wilde por ‘indecência’. Apesar da preocupação humanitária, seu discurso estava limitado aos estudos científicos e a condenação moral da discriminação. Eduard Bernstein escreveu que: “Toda nossa existência cultural, nosso modo de vida da manhã à noite, é um constante atentado contra a natureza, contra as pré-condições naturais de nossa existência. Se se tratasse somente do que é natural, os piores excessos sexuais seriam tão censuráveis como, por exemplo, escrever uma carta – já que a forma de estabelecer a integração humana por meio da palavra escrita é tão alheia da natureza como qualquer das formas conhecidas de satisfazer as necessidades sexuais nunca poderia ser”. [4]

Vista como doença ou distúrbio, uma série de métodos foram criados para tratar e ‘curar’ homo e transexuais. Com isso foram aplicados terapia hormonal, aversão, hipnose, choques elétricos, estupro corretivo, submersão, castigos físicos, castração e lobotomia. Chamada de ‘homossexualismo’, a homossexualidade foi considerada uma patologia até 1991 pela Organização Mundial da Saúde, quando publicou o Cadastro Internacional de Doenças (CID-10), retirando o termo. Os pioneiros foram os americanos quando, em 1973, o seu conselho de psiquiatria deixou de considerá-la como um distúrbio. Dois anos depois foram seguidos pelo conselho de psicologia.

No Brasil, em 1985, o Conselho Federal de Medicina repete a decisão dos americanos, e em 1999 o nosso conselho de psiquiatria estabelece normas para o atendimento nesses casos, rechaçando completamente toda tentativa de ‘curar’ a homossexualidade[5]. O mesmo não se repetiu com a transexualidade. Hoje, mesmo com a publicação de um novo catálogo de doenças, permanecem sendo tratados como doentes homens e mulheres que não se identificam com seu sexo biológico [6].

Com a Revolução Bolchevique de 1917, é liquidado o antigo código penal czarista que pune a sodomia. Com isso, a União Soviética torna-se o primeiro Estado a deixar de interferir em aspectos íntimos da vida de seus cidadãos. E não se limita a isso, a nova legislação vigente permite o divórcio de maneira facilitada, abolindo assim a posse da mulher pelo marido. Os soviéticos também estiveram na vanguarda dos estudos sobre a diversidade sexual e de gênero, o biólogo Nikolai Koltsov e sua equipe trabalharam para o desenvolvimento da primeira cirurgia de redesignação sexual ainda na década de 1920. Para ele, não existia um ‘sexo intermediário’, mas vários. [7] Ademais, Georgy Chicherin, homossexual, estava preso na Inglaterra quando teve sua liberdade exigida em troca da autorização de ingleses deixarem o país. De volta à URSS, sucedeu Trotsky no cargo de Comissário do Povo para Relações Exteriores.[8]

Todavia, com a ascensão de Stalin à gerência do primeiro Estado operário, uma reação aos avanços sociais alcançados é tomada. O termidor soviético promove uma caça a direitos civis alcançados. A União Soviética até então poderia ser considerada mais democrática que qualquer democracia burguesa, mas, para a burocracia, tamanha liberdade teria um custo muito alto. Com isso, voltam à tona no código penal punições à sodomia e práticas que, se antes eram contra a Igreja, agora são tratadas como desvios burgueses. O casamento e a família voltam a ter papel fundamental, e assim o ‘novo homem soviético’ repete a organização social do velho camponês no gélido país dos czares, o aborto volta a ser restringido e o divórcio dificultado. O sucesso da economia planificada é utilizado para justificar os passos para trás tomados pelo regime. [9] O exemplo do stalinismo foi repetido em outros Estados operários deformados como China, Cuba, Coreia do Norte e Vietnã, onde o estado passou a perseguir com maior vigor ou manteve legislação que perseguia LGBTs.

Lutar pelos LGBTs, lutar pelo socialismo!

Como camada oprimida, os LGBTs devem estar no front de batalha pela revolução social, especialmente aqueles e aquelas que fazem parte da classe trabalhadora. Estima-se que pelo menos 10% da população mundial esteja entre as pessoas com sexualidade e gênero diverso. Hoje muitos gays e lésbicas identificam-se entre uma camada jovem e sem perspectiva da população, desempregada ou sujeita a profissões e regimes de trabalho degradante, diferente do que é exposto pela mídia, que glorifica um tipo ideal de LGBT+ (só existente entre os setores mais abastados). A burguesia liberal foi aos poucos reconhecendo este setor da população e enxergando um potencial consumidor enorme e, com isso, criou um perfil do LGBT+ bem quisto pela sociedade: homens e mulheres cultos, bem-sucedidos, com uma vaidade exacerbada, dispostos a ter uma relação estável e monogâmica, sem trejeitos que confrontem com seu sexo biológico, ambos respondendo a um forte apelo consumidor e de preferência devem almejar ter filhos.

O ‘pink money’ utiliza-se de uma retórica meritocrática para demonstrar como é livre e maravilhoso viver sob o capitalismo. Empresas colocam casais gays em suas propagandas e afirmam apoiar a causa das minorias sexuais, desde que comemorem sua liberdade consumindo seus produtos. A mesma lógica foi usada para demonstrar o “empoderamento” das mulheres e negros, e assim negar que o machismo e o racismo perpetuado pelo sistema vigente sejam estruturais e necessitem do fim do capitalismo para serem extintos de fato.

A homofobia é responsável por promover angústia, estresse e sofrimento ainda na infância, e estes sintomas são perpetuados por toda a vida adulta. Há estudos que estimam que os jovens LGBT+ têm de 2 a 10 vezes mais chances de se suicidarem, tem o dobro de chance de ter uma depressão profunda, sofrem mais de doenças cardíacas e é mais provável um gay morrer por suicídio do que por AIDS. A pressão causada pela visão negativa da sexualidade e do sujeito pode levar até mesmo a uma desregulação na produção de cortisol (hormônio diretamente envolvido na resposta ao estresse). [10]

A maneira como se enxerga, ou quer ser enxergado, leva LGBTs a mudarem seu comportamento social e sexual. Desde o autopoliciamento em relação a como se vestir ou que lugares frequentar, até o apelo ao tabaco, álcool e drogas sintéticas, mesmo entre aqueles que lidam bem com sua sexualidade, é uma constante. Há uma preocupação cada vez maior sobre homens que por auto exclusão e incômodo durante interações sociais, passam a buscar prazer arriscando-se em encontros ‘chemsex’, festas combinadas por aplicativos onde desconhecidos praticam sexo sem proteção e sempre sob efeito de drogas. [11]

Segundo levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia, só em 2017 foram assassinados 445 LGBTs no Brasil, o que faz do país líder mundial em casos de mortes relacionadas à homofobia. Neste levantamento foram computados apenas crimes notificados pela imprensa e que chegaram à polícia, o número real deve ser ainda maior. Geralmente estes crimes são praticados sem a menor chance de defesa para suas vítimas: espancamento, apedrejamento, execução a tiros, pauladas, asfixia, etc. . 56% delas foram mortas em vias públicas, outros 37% dentro da própria residência. Ao contrário do que afirma a direita, apenas 4% dos assassinatos é provocado por um cônjuge ou ex da vítima. Cerca de 25% dos casos é solucionado e 10% punido. A cada cinco LGBTs mortos no mundo, um é brasileiro, sendo um a cada 18 horas. [12]

A situação do(a)s transexuais é ainda pior. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 95% das trans são levadas a apelar para a prostituição por conta da dificuldade em conseguir emprego. As profissionais do sexo são 50,6% das vítimas de homofobia, apesar de serem uma minoria dentro do universo gay. Para poder trabalhar apelam ao uso de hormônios sem qualquer acompanhamento e injetam silicone industrial em seus corpos, o que em muitos casos é fatal. Além da preocupação com a violência, existe o risco de contrair doenças: AIDS, sífilis, tuberculose e hepatite são preocupações constantes. A expectativa de vida de uma transexual no Brasil é de 35 anos. O que leva travestis e transexuais a apelar para a prostituição é a pobreza, a falta de emprego e a dificuldade no acesso à educação: a evasão escolar nesta camada é de cerca de 82%. [13]

Diferente dos que atacam o ridículo espantalho da ‘ideologia de gênero’, somos pela educação sexual nas escolas, esta deve abordar a saúde e a aceitação da diversidade. Sabemos que o ambiente escolar é potencialmente discriminatório, fonte e origem de traumas em jovens LGBTs.

Em casa, muitos sofrem com o preconceito, por isso demandamos a instituição de centros de acolhimento para esses jovens rejeitados pela família.

Somos contra qualquer tipo de restrição/diferenciação à adoção ou ao reconhecimento civil de sua relação. Defendemos uma política de saúde voltada para essa população. Atendimento psicológico especializado a todos que se sentem desconfortáveis com sua condição sexual.

Nome social em documentos, terapia hormonal, redesignação sexual e procedimentos estéticos para transexuais adequarem seus corpos ao seu gênero de identidade. Junto a isso defendemos o direito de frequentarem os mesmos espaços públicos abertos ao seu gênero. Combatemos a posição de algumas feministas que consideram que o fato de uma trans ter pênis a torna uma assediadora em potencial. Pelo contrário, as enxergamo como mulheres trans que, além de oprimidas pelo machismo, são vítimas da transfobia, o que torna o simples fato de usar o banheiro um transtorno.

Rechaçamos a restrição ou a aplicação de condições especiais para que LGBTs possam doar sangue: o sangue que é recusado pelos hemocentros é o mesmo que escorre pelas calçadas de ruas e avenidas pelo Brasil! Os critérios de aceitação ou não de doações deve ser o mesmo que para os heterossexuais.

Combatemos a homotransfobia, somos pela criminalização destes atos, mas não depositamos confiança no Estado responsável por perseguir e se omitir sobre o sofrimento da população LGBT. Defendemos simultaneamente a organização do(a)s homo e transexuais pela sua autodefesa. [14]

Os sindicatos têm papel fundamental na organização dos LGBTs, pois sabemos que são uma camada superexplorada e oprimida da população, sujeita a precarização extrema das condições de trabalho, assédio constante e o risco de não conseguir outro emprego. Estes também devem mobilizar os jovens LGBTs desempregados para a defesa de seus direitos e da garantia de trabalho.

Combatemos propostas que visam legalizar e institucionalizar a exploração da prostituição (como o PL “Gabriela Leite” de Jean Willys, do PSOL), mas somos contra a criminalização das prostitutas e sua perseguição pelas polícias; lutamos pela melhoria das condições de vida dos LGBTs.

Nenhuma ilusão nas empresas que se utilizam da necessidade dos LGBTs por aceitação para se enriquecer, como os países e cidades que fazem um discurso pró-LGBT para atrair turistas ou atacar outras nações e imigrantes estrangeiros (como Israel). Somos acima de tudo internacionalistas e proletários, não apoiamos um governo ou nação de acordo com a quantidade de bares gays que possui.

Lutamos pela memória dos LGBTs perseguidos pela Igreja ao redor do mundo, pelos carrascos do marxismo nos Estados operários degenerados, pelos nazistas na Alemanha e pela ditadura militar brasileira.

Honramos o exemplo dos LGBTs que rebelaram-se em Stonewall contra a homofobia e a extorsão praticada pela polícia, levantando a bandeira do movimento gay em todo o mundo e dando origem ao Dia do Orgulho e Luta LGBT.

Exaltamos figuras como a de Mark Ashton, membro do Partido Comunista Britânico que liderou o movimento ‘Lesbians & Gays Support The Minners’, em solidariedade aos mineiros em greve durante a era Thatcher.

Por fim, defendemos o socialismo como a via para libertar os LGBTs, ao erradicar as contradições e estruturas capitalistas.

Referências

[1] Mistério da homossexualidade em animais
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/02/150211_vert_earth_animais_homossexuais_ml
Atração entre iguais https://super.abril.com.br/ciencia/atracao-entre-iguais/
Comportamento de bonobos prova que homossexualidade é normal entre animais https://hypescience.com/comportamento-de-bonobos-prova-que-homossexualidade-e-normal-entre-animais/

[2] Índios americanos já reconheciam 5 tipos de gêneros sexuais antes da colonização: https://www.vix.com/pt/bbr/ciencia/5811/indios-americanos-ja-reconheciam-5-tipos-de-generos-sexuais-antes-da-colonizacao.

[3] Quando ninguém era gay https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/quando-ninguem-era-gay.phtml
Relações homoafetivas entre índios eram comuns antes da colonização
https://oglobo.globo.com/sociedade/relacoes-homoafetivas-entre-indios-eram-comuns-antes-da-colonizacao-21541630
Tortura Medieval: Pera da Angustia
https://historiablog.org/2014/04/12/tortura-medieval-pera-da-angustia/

[4] Citado em O socialismo e a questão homossexual: http://nucleopaoerosas.blogspot.com.br/2010/06/o-socialismo-e-questao-homossexual.html

[5] Ver Por que considerar a homossexualidade um distúrbio é errado: https://veja.abril.com.br/saude/por-que-considerar-a-homossexualidade-um-disturbio-e-errado/

[6] Ver Organização Mundial de Saúde continua classificando transgeneridade como patologia: https://esquerdaonline.com.br/2018/05/03/organizacao-mundial-de-saude-continua-classificando-transgeneridade-como-patologiaa/

[7] Direitos LGBT: um aspecto esquecido da revolução soviética cem anos atrás: https://www.lsr-cit.org/2017/06/26/100-anos-atras-uma-revolucao-sovietica-esquecida-sobre-os-direitos-lgbt/

[8] Georgi Chicherin: homossexual, ex-aristocrata e bolchevique: https://blog.esquerdaonline.com/?p=6518

[9] As mulheres e a URSS: conquistas históricas, limites e retrocessos: http://blogjunho.com.br/as-mulheres-e-a-urss-conquistas-historicas-limites-e-retrocessos/

[10] Ver Preventing Suicide Among Gay and Bisexual Men: New Research & Perspectives (https://www.academia.edu/28181008/Preventing_Suicide_Among_Gay_and_Bisexual_Men_New_Research_and_Perspectives) e Suicide and HIV as leading causes of death among gay and bisexual men: a comparison of estimated mortality and published research (https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/09581596.2014.946887).

[11] What is chemsex? The sex parties for gay and bisexual men where drugs are injected or snorted: https://www.pinknews.co.uk/2018/04/16/what-is-chemsex-the-sex-parties-for-gay-and-bisexual-men-where-drugs-are-injected-or-snorted/

[12] Assassinatos de LGBT crescem 30% entre 2016 e 2017, segundo relatório: https://oglobo.globo.com/sociedade/assassinatos-de-lgbt-crescem-30-entre-2016-2017-segundo-relatorio-22295785#ixzz5FniiUWDw

[13] Ver Transexuais são excluídos do mercado de trabalho (http://especiais.correiobraziliense.com.br/transexuais-sao-excluidos-do-mercado-de-trabalho), Expectativa de vida de transexuais é de 35 anos, metade da média nacional (https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/expectativa-de-vida-de-transexuais-e-de-35-anos-metade-da-media-nacional) e Discriminação rouba de transexuais o direito ao estudo (http://especiais.correiobraziliense.com.br/violencia-e-discriminacao-roubam-de-transexuais-o-direito-ao-estudo).

[14] Ver nossa polêmica com o PSTU sobre o assunto da confiança na polícia: https://rr4i.milharal.org/2011/09/05/polemica-com-o-pstu-no-combate-a-homofobia/

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