ADENDO à posição eleitoral do Reagrupamento Revolucionário

Sobre o voto do MRT em Marcelo Freixo (PSOL Rio de Janeiro)

Pouco antes do dia das eleições burguesas, realizamos uma alteração da posição eleitoral descrita em nossa declaração. Não por mudarmos nossos princípios ou tática, mas pela informação de última hora de que o MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores) daria apoio eleitoral à candidatura de Marcelo Freixo (PSOL) no Rio de Janeiro. Como havíamos declarado sobre o voto de protesto nas candidaturas independentes da classe trabalhadora, “nosso apoio a essas candidaturas é condicional à manutenção da sua independência em relação aos candidatos capitalistas em geral.”.

Anteriormente, o MRT estava fazendo certo silêncio sobre a candidatura de Freixo, embora tivesse declarado não apoiar as candidaturas do PSOL comprometidas com a burguesia. Ao defender o voto em Freixo (apesar de contraditoriamente recusar apoio à candidatura de Erundina em São Paulo), mudou também nossa postura com relação ao MRT. Essa organização se colocou a reboque de um candidato capitalista do PSOL, ainda que a candidatura de Freixo represente apenas a “sombra” da burguesia (já que nenhum grande partido burguês integrou sua campanha). Porém, Freixo já havia, inclusive, realizado um “pacto” com o PCdoB e REDE para apoio mútuo num segundo turno eleitoral.

Consideramos a posição do MRT um oportunismo que cruza a linha de classe, e que não se diferencia qualitativamente da situação das candidaturas do PCB, MAIS, NOS, CST ou LSR, que reivindicam o classismo e o socialismo, mas vão a reboque de candidatos capitalistas do PSOL, que “não veem nenhum problema com o mercado”, como Freixo declarou durante sua campanha. Portanto, retiramos no último momento a possibilidade de voto de protesto que daríamos ao MRT. Mantivemos a posição de voto de protesto nas candidaturas proletárias do PSTU e PCO (mantendo nossas críticas às posições oportunistas de tais organizações, que já discutimos em nossa declaração).

Pelo voto nulo no segundo turno

Aproveitamos para reafirmar que as eleições burguesas não são um caminho viável para a classe trabalhadora obter grandes mudanças, embora possam ser taticamente úteis à agitação revolucionária. Os altos índices de abstenção e votos em nulo e em branco mostraram que a população não se vê representada pelos candidatos da classe dominante; como afirmamos, porém, isso não é um sinal de avanço das ideias socialistas. O que é necessário para lutar contra a hegemonia burguesa agora é a construção de frentes únicas proletárias para lutar contra os ataques da classe dominante, como forma de começar a acumular forças na difícil conjuntura pós-golpe em que vivemos. No segundo turno que ocorrerá em algumas das grandes cidades brasileiras, declaramos desde já nossa postura pelo voto nulo, diante da ausência de qualquer candidatura da classe trabalhadora, assim como a denúncia das várias candidaturas capitalistas que seguem concorrendo.

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