Perestroika: Uma Caixa de Pandora

Revolução Mundial Sim, “Socialismo de Mercado” Não

Perestroika: Uma Caixa de Pandora


Artigo originalmente publicado pela então revolucionária Tendência Bolchevique Internacional, em 1917 Nº 6 (verão 1989). Sua tradução para o português foi realizada pelo Reagrupamento Revolucionário em março de 2014.

Ronald Reagan, voando rumo à aposentadoria em 20 de janeiro, se gabava para os repórteres abordo do seu avião que ele poderia entrar para a história como o presidente que ganhou a Guerra Fria. Com esse comentário auto proclamatório, Reagan tocou uma nota ideológica que tem se tornado cada vez mais ressonante entre comentaristas políticos burgueses e ideólogos. Eles argumentam que, se Mikhail Gorbachev obter sucesso no novo curso no qual ele lançou a União Soviética, a luta mundial iniciada com a Revolução Russa de 1917 pode finalmente ser concluída a favor do capitalismo. Setembro último, Margaret Thatcher declarou: “Nesse momento é, ao mesmo tempo, extremamente corajoso e profético que a União Soviética tenha um líder que vai direto ao topo e diz, olha, por 70 anos o comunismo não produziu as esperanças e sonhos que nós tínhamos para ele. Esses sonhos e esperanças desmoronaram” (New York Times, 28 de setembro de 1988). Até mesmo Ayatollah Khomeini não resistiu a entrar em cena: em janeiro, seu emissário entregou uma nota pessoal a Gorbachev onde dizia que “O comunismo deverá passar a ser ensinado em museus”. Quando o apóstolo iraniano da escuridão pré-feudal, se recuperando de uma derrota militar, declara o comunismo antiquado, a realidade começa a se confundir com Monthy Python [série britânica de humor non-sense]. Entretanto, para parafrasearmos Mark Twain, as proclamações de vitória contra o comunismo são exageradas. O sistema internacional de exploração e opressão imperialista que atende pelo nome de “livre iniciativa”, não resolveu nenhuma de suas profundas contradições internas, nem adquiriu um novo sopro de vida. Conforme o sol se põe no “Século Americano”, a economia dos EUA está estagnando sob uma montanha colossal de dívidas; grandes centros industriais americanos estão às moscas e as camadas inferiores da classe trabalhadora estão enterradas entre as fileiras dos sem-teto.
  
As condições de vida para as massas nas neocolônias “subdesenvolvidas” do império americano estão mais desesperadas do que jamais estiveram. Na América Latina, o quintal do imperialismo norte-americano, revoltas esquerdistas ameaçam os regimes de El Salvador e do Peru, enquanto o México, e virtualmente todo o restante da região, oscila à beira de um vulcão social. A revolta espontânea que abalou a Venezuela em fevereiro último, em resposta às medidas de austeridade ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), revelaram a fragilidade das economias da América Central e do Sul. No principal entreposto do imperialismo norte-americano na Ásia, o Novo Exército Popular das Filipinas está se mantendo contra o regime de Corazon Aquino, sustentado por Washington. Trinta anos atrás, agentes da CIA podiam orquestrar golpes do Teerã à Cidade da Guatemala. Mas hoje em dia, os EUA não só tem sido incapazes de derrubar os Sandinistas apoiados pela União Soviética depois de oito anos de esforços, como eles sequer conseguiram expulsar o General Noriega, o ditador militar mequetrefe que eles ajudaram a por no poder no Panamá, uma república das bananas criada por eles próprios.
  
Mas a visão de Reagan de uma “vitória” capitalista não é uma simples alucinação. Os países do Bloco Soviético, cujas economias se baseiam na expropriação do capital privado, estão em um recuo sem paralelos nos terrenos militar, econômico e ideológico. Conforme a União Soviética e seus aliados se retiram do Afeganistão, Angola e Camboja, uma nova epidemia ideológica está varrendo as terras governadas pelos herdeiros de Stalin. Moscou, Pequim, e capitais secundárias do assim chamado mundo comunista, ressoam com chamados para ejetar a bagagem do “dogma marxista” em prol de tudo que for “Ocidental”. O tom na esfera política está assentado no “pluralismo”, no “estado de direito” e na democracia parlamentar desprovida de caráter de classe. Na esfera econômica, o sentimento dominante corre em direção ao mercado, a “iniciativa privada” e a “rentabilidade empresarial” como antídotos à “rigidez do planejamento centralizado”. Bolsas de valores já abriram em Pequim e Budapeste, a União Soviética embarcou em “joint ventures” [empreitadas de capital misto] com empresas ocidentais, enquanto os Estados do Leste Europeu rivalizam uns com os outros por injeções ainda maiores de crédito por parte do FMI e Banco Mundial.
  
A súbita descoberta das virtudes da livre iniciativa por parte dos stalinistas gerou uma verdadeira orgia de cantoria nos círculos burgueses. Zbigniew Brzezinski, o conselheiro de Segurança Nacional de Jimmy Carter e falcão da guerra fria par excellence [por excelência], escreveu um livro intitulado O Grande Fracasso, no qual ele prediz que o comunismo será lembrado como a maior aberração do século XX. Esse tema ecoou na primeira página da edição de janeiro de Commentary, o principal órgão “neo-conservador”, que possui um artigo por Jean-François Revel sob o título “O Comunismo é Reversível?”. A primeira página do Economist de 23 de janeiro, uma voz de autoridade do torismo britânico [uma vertente política ultraconservadora, baseado no lema “Deus, Pátria e Família”], apresentava um emaranhado de barbantes sendo cortado por uma tesoura e com a manchete “Enquanto a Europa do Leste se Liberta”. Na mesma semana, o New York Times publicou uma série de entrevistas em três partes com membros de Partidos Comunistas ao redor do mundo. O primeiro artigo começa com uma piada comum em Moscou. Pergunta-se: “O que é o comunismo?”. Responde-se: “Comunismo é a mais longa e dolorosa via para ir do capitalismo ao capitalismo”. O artigo segue e destaca os efeitos do recente desenvolvimento da URSS na opinião stalinista internacional:
  
“O processo de reforma, personificado agora por Mikhail S. Gorbachev […] evoca […] desânimo, por todo o terrível sacrifício, luta e privação que eles impuseram por tanto tempo é agora declarado como tendo sido em vão, que a fé secular que certa vez prometeu tanto agora se revela aos seus próprios adeptos como um fracasso”.
  
Essa dança em torno do presumido despertar do comunismo é balanceada pelos conselhos da direita Republicana por “cuidado” e “coibição”, receosa de que o urso russo esteja apenas se fingindo de morto. Eles apontam que as reformas de Gorbachev a esta altura são mais retórica do que realidade, e dessa forma seria “prematuro” relaxar a pressão militar e econômica sobre a União Soviética. Entretanto, apesar de diferenças táticas, todas as alas da opinião burguesa concordam que as mudanças em curso na URSS, no Leste europeu e na China representam uma mudança radical frente ao passado e uma ocasião para otimismo renovado.
  
Boa parte da esquerda que se reivindica trotskista, com sua inclinação para ver o lado “progressista” de tudo, tenderam a enfatizar o desabrochar de expressões políticas e a exoneração das vítimas de Stalin, incluindo a “reabilitação parcial” dos membros da Oposição de Esquerda, que ocorreram sob a bandeira da glasnost. Esses eventos (que incluem uma promessa de publicar os trabalhos de Leon Trotski) de fato se distanciam um pouco de levantar a cortina da falsificação stalinista da história soviética, e apresentam oportunidades real para trotskistas. Apenas os cegos, entretanto, são capazes de falhar em perceber no “novo pensamento”, a implicações reacionárias que geraram tal entusiasmo no campo do inimigo de classe.
  
Política Externa da Perestroika: Conciliação e Capitulação
  
Em 7 de janeiro, o New York Times publicou uma tradução de um artigo que apareceu na edição do inverno de 1988 de International Affairs, a publicação oficial do Ministério Soviético do Exterior. Ele foi publicamente aprovado por Eduard A. Shevadnadze, o Ministro Soviético do Exterior, e pode, dessa forma, ser tido como uma reflexo das visões do próprio Gorbachev. O autor, um tal Andrey V. Kozyrev, opina:
  
“Ao perseguirmos a lógica de uma luta antiimperialista, nós permitimos a nós mesmos – contrariamente aos interesses de nossa pátria – sermos tragados para a corrida armamentista, e ajudamos a introduzir a ‘imagem de inimigo’ e criar barreiras tecnológicas e culturais entre a União Soviética e os Estados Unidos.”
  
Kozyrev continua:
  
“Entretanto, caso se olhe para a burguesia monopolista dos Estados Unidos como um todo, poucos de seus grupos, e nenhum dentre os principais, estão conectados com o militarismo. Não há mais nenhuma necessidade de falarmos, por hora, sobre um conflito militar por mercados ou matérias primas, ou pela divisão e redivisão do mundo.
  
“Nenhuma das classes ou estratos da sociedade soviética estão sujeitos a exploração pelo capital estrangeiro, e assim nenhum deles pode resolver os problemas fundamentais que lhes afligem através de uma ‘luta contra o imperialismo’. Só há um meio de fazer isso – a renovação interna revolucionária do socialismo, incluindo a eliminação de idéias anacrônicas sobre o mundo ser uma arena para a ‘batalha internacional das classes’. É ainda mais estranho se falar dos interesses irreconciliáveis entre estados com sistemas sociais diferentes agora que até os conflitos de classes dentro dos países capitalistas se dão sob a forma de angariar compromissos dentro de um escopo legal mutuamente aceito, ao invés de sob a forma de um árduo confronto. Segue-se que a solidariedade dos trabalhadores soviéticos com seus irmãos de classe no Ocidente, passa longe de justificar as teses do confronto global entre classes.
  
“O mito de que interesses de classe dos países socialistas e dos países em desenvolvimento coincidem em resistir ao imperialismo não se sustenta contra as críticas. A maioria dos países em desenvolvimento já aderiram ou tendem em direção ao modelo ocidental de industrialização e eles sofrem nem tanto do capitalismo, mas da sua falta…”
  
As conclusões operacionais de Kozyrev são que as tentativas dos países do terceiro mundo apoiadas pelos soviéticos:
  
“para organizar suas economias por meio de um sistema administrativo, sua dependência de auxilio militar vindo do exterior e seu desdém por liberdades democráticas levou inevitavelmente à polarização de forças políticas. Virtualmente, todos esses regimes foram arrastados para conflitos prolongados com uma oposição que, por sua vez, depende de suporte externo…
  
“Nosso envolvimento direto ou indireto em conflitos regionais levou a perdas colossais, devido à escalada geral da tensão internacional, justificando a corrida armamentista e dificultando o estabelecimento de laços mutuamente vantajosos com o Ocidente.”
  
Se, como Kozyrev alega, poucos grupos entre a “burguesia monopolista” estão conectados com militarismo, como ele explica o fato dos Estados Unidos sob Reagan terem lançado o maior orçamento militar em sua história? Isso aconteceu porque alguns povos do terceiro mundo, sem saber do brilhante futuro que os aguarda debaixo da tutela dos imperialistas, ameaçam a impublicável estupidez de realizar uma revolução? Ou talvez foi porque alguns líderes soviéticos mal orientados foram tolos o suficiente no passado para provocar a ira do imperialismo norte-americano ao oferecerem apoio militar e econômico para regimes como Cuba e Vietnã, que extirparam o capitalismo? Segundo a lógica de Kozyrev, é a União Soviética e os povos neocoloniais insurgentes que são responsáveis pela Guerra Fria e pela corrida armamentista. Essa triste situação pode chegar ao fim através da desistência. As conseqüências do argumento de Kozyrev são que, qualquer um que se recuse a seguir essa simples prescrição para a paz mundial, não deveria contar com nenhum apoio da URSS no futuro.
  
Fidel Castro, um dos poucos estadistas stalinistas que expressou abertamente ter reservas quanto ao presente curso adotado por Moscou, comentou que “Existem dois tipos de sobrevivência e dois tipos de paz… A sobrevivência do rico e a sobrevivência do pobre; a paz do rico e a paz do pobre.”. As diferenças entre Havana e Moscou foram evidentes durante a visita de Gobachev a Cuba nesse outono. No discurso de 4 de abril à Assembléia Nacional Cubana, com a presença de Gobachev, Castro deixou claro que a perestroika não se aplica a Cuba. Em referência ao novo pensamento que varre a URSS e o Leste Europeu, ele observou que “Se um país socialista quer construir o capitalismo, devemos respeitar seu direito a construir o capitalismo.”. O projeto de Castro de construção do “socialismo” em uma ilha é pesadamente dependente da magnanimidade soviética e restar ver se ele vai continuar sendo tão franco caso seu patrono soviético ameace cortar o subsídio de $14 milhões diários à economia cubana.
  
Stalinismo e Restauração Capitalista
  
Os burocratas de Moscou só estão sendo passados para trás em termos de idolatrar o capitalismo pelos seus equivalentes em Pequim. Lá fala-se abertamente em restauração da propriedade privada dos meios de produção. Três importantes economistas, todos membros do Partido Comunista em posições de longa data em instituições do governo, propuseram a Zhao Ziyang, um proeminente “reformista” e Secretário Geral do Partido Comunista, que a propriedade das empresas estatais sejam transferidas para acionistas que incluiriam universidades, governos locais e indivíduos privados. Hue Sheng, o mais destacado dos três, pondera: “O problema com boa parte das reformas socialistas é que elas tentam reduzir a intervenção estatal sem criar um proprietário para cada empresa. E cada empresa precisa de um proprietário.”. Segundo o New York Times de 10 de janeiro:
  
“O Sr. Hue disse que uma nova definição de socialismo se faz necessária, focando em questões mais gerais de justiça social como igualdade de oportunidade, ao invés de propriedade pública dos meios de produção. Mr. Hue afirmou que, enquanto Marx em geral estava certo no campo da política, ele errou em economia ao se opor à propriedade privada.”
  
Pronunciamentos como o acima devem ser vistos com uma saudável porção de ceticismo. A propriedade coletivizada dos meios de produção está profundamente enraizada na vida social de um Estado proletário degenerado/deformado, e só pode ser abolida como resultado de uma violenta contrarrevolução, e não através de meras declarações de intenção por parte de membros do governo. Tanto na China quanto na União Soviética, a atual economia está encontrando resistência não só de camadas entrincheiradas do partido e do aparato estatal, mas também de milhões de trabalhadores que corretamente veem nela uma ameaça a relativa segurança material que eles há muito desfrutam sob uma economia planejada.
  
Nicholas Kristof, o correspondente em Pequim do New York Times, relatou em 6 de abril que “Reforma inicialmente significava uma TV a cores, uma bicicleta vermelha e porco para o jantar. Agora muitas pessoas se preocupam que signifique mais subornos, preços mais elevados e até mesmo demissões.”. Ele lamentou que “Muitos chineses aparentaram ver o mercado como um confortável lugar para prosperidade, não uma fonte de dor”, e apontou para os temores de um diplomata ocidental de que demissões em massa necessárias para “acabar com a tigela de arroz de aço” poderiam deflagrar “duras greves e conflitos sociais.”. O governo chinês está alarmado por conta do massivo descontentamento popular com o crescente desemprego, com a corrupção alastrada, a corrida aos bancos, a acumulação, as ondas de compras especulativas, e uma taxa de inflação que corre a mais de 30 porcento. (De acordo com o Manchester Guardian Weekly de 5 de março, uma musiquinha atualmente circulando na China diz “Dez centavos valiam um dólar na época do Comandante Mao; com Deng no poder, um dólar agora vale dez centavos.”) O premiê chinês Li Peng, geralmente identificado com elementos mais conservadores dentre os burocratas no poder, tem recentemente feito barulho sobre apertar o controle central sobre a economia e suspender propostas anteriores de preços de varejo “gratuitos”.
  
O errático curso da década chinesa de experimentos com “reformas” de mercado reflete as contradições sociais reais que existem dentro de todos os Estados proletários deformados e degenerados. Seria um grave erro subestimar os perigos da perestroika. As declarações de Hue e Kozyrev, citadas acima, não são a opinião de dissidentes isolados nas franjas exteriores da intelligentsia. Elas carregam a marca dos mais altos escalões de Moscou e Pequim. Por essas e outras indicações, muito numerosas para serem ignoradas, está claro que elementos dentro das castas burocráticas governantes dos dois maiores Estados proletários do mundo estão flertando abertamente com a idéia de uma restauração capitalista.
  
Há mais de cinqüenta anos atrás, Leon Trotski escreveu que a burocracia soviética era uma formação social altamente instável que repousava sobre as bases econômicas criadas pela Revolução de Outubro, que ela foi forçada a defender através de seus próprios métodos contra os ataques do mundo capitalista. Mas Trotski também alertou que a burocracia, a longo prazo, constituía um perigo mortal para as conquistas da revolução, e que seções inteiras do aparato stalinista poderiam, sob diferentes circunstâncias, sair abertamente em defesa de uma bandeira restauracionista. Nós podemos estar agora testemunhando os estágios iniciais de um tal processo. É, portanto, de suma importância entender as causas, a natureza e as implicações do turbilhão que no momento engole essas partes do mundo que se encontram fora da órbita capitalista.
  
As Raízes da Desaceleração da Economia Soviética
  
As grandes mudanças que tem tomado lugar nos Estados operários deformados/degenerados são fundamentalmente uma resposta por parte das burocracias stalinistas ao problema da estagnação econômica. Como a economia planificada de todos os Estados operários deformados é baseada na experiência soviética, uma análise das contradições da economia russa fornece a chave para entendermos a presente crise do stalinismo como um todo.
  
Do final da Segunda Guerra Mundial até meados dos anos 1960, as massas russas desfrutaram de um crescimento estável do padrão de vida. Quando Gorbachev assumiu seu gabinete, entretanto, o crescimento econômico estava estagnando. O crescimento médio anual da renda nacional soviética, que entre 1966 e 1970 era quase 8 porcento, caiu para 3,6 porcento entre 1981 e 1985, o período antes de Gorbachov assumir.
  
O desempenho da economia soviética sob Gorbachev parece, ao menos até o momento, ter piorado. Isso é apenas em parte fruto de uma má colheita e da queda no preço do petróleo (o principal produto de exportação da URSS para o Ocidente), que estima-se ter custado anualmente à economia U$ 8 bilhões em moeda forte. Os bens e serviços produzidos pelas 50.000 “cooperativas” privadas, que se multiplicaram sob a perestroika, contribuíram com um surto para a inflação, agora estimada entre seis e oito porcento. Enquanto isso, as filas para produtos básicos cresceram: “Donas de casa soviéticas gastam o equivalente a um dia de trabalho toda semana, ficando em pé em filas para as compras. Bens básicos como carne, açúcar e detergente estão constantemente indisponíveis ou sob racionamento.” (Economist, 11 de março).
  
O impacto da estagnação da economia soviética tem que ser analisado mediante as expectativas de uma população que, talvez mais do que qualquer outra no mundo, foi alimentada com a ideia de progresso social. Apesar da ideia stalinista de “socialismo em um só país” ter sido uma completa perversão da perspectiva dos líderes da Revolução Russa, ela sem dúvidas exerceu uma poderosa influência sobre as mentes de gerações de trabalhadores e camponeses soviéticos. Stalin, mesmo no auge dos expurgos, não governou apenas pela força. As massas soviéticas não poderia ter sido mobilizadas a construir indústrias a partir do nada, repelir a invasão nazista, ou aguentar os rigores da reconstrução do pós-guerra, sem o convencimento, mantido em diferentes graus pelos vários estratos sociais, de que eles estavam construindo um futuro socialista para si e para as próximas gerações. A desaceleração da economia soviética coloca um grande ponto de interrogação sobre esse futuro.
  
A “Grande Guerra Patriótica” para derrotar os invasores nazistas, que imbuíram toda uma geração com orgulho, está agora esfriando na memória coletiva. Apesar dos enormes sacrifícios do passado, a economia soviética entra na última década do século ainda muito longe de seus rivais capitalistas. A afirmação de Nikita Khrushchev de que os padrões de vida na URSS superariam aquele dos Estados Unidos por volta de 1980 ainda é lembrado com amargura por muitos trabalhadores soviéticos. Gorbachev tentou evitar o mesmo erro. Leonid Albakin, diretor do Instituto de Estudos Econômicos de Moscou, “alertou recentemente os cidadãos soviéticos que eles terão que esperar até 1995 para aumentos no seus frugais padrões de vida” (Manchester Guardian Weekly, 12 de fevereiro). Mas é difícil convencer os trabalhadores a fazerem grandes sacrifícios hoje em troca de vagas promessas de benefícios futuros.
  
As razões para a estagnação da economia soviética são variadas e complexas; o quadro geral, no entanto, é suficientemente claro. Tendo adquirido sua principal infraestrutura industrial através da assimilação da tecnologia ocidental durante a primeira onda industrializante dos anos 1930, até cerca de 20 anos atrás a economia soviética era capaz de expandir a uma rápida taxa de crescimento extensivo, isto é, a extensão quantitativa dos métodos e da tecnologia já existentes. Novas minas e fábricas foram construídas, casas foram construídas em massa, e novas porções de terra fresca foram postas sob cultivação, utilizando o equipamento e as técnicas desenvolvidas no período inicial. O requisito para tamanha expansão era uma massa gigantesca de mão de obra não aproveitada, presente no interior soviético. Enquanto massas de trabalhadores não-qualificados podiam ser jogadas nos novos projetos agrícolas e industriais, a economia podia manter um certo ímpeto.
  
Tais métodos extensivos tem seus limites na notória baixa produtividade da mão de obra soviética. O número de produtos que um trabalhador consegue produzir durante um dia normal de trabalho é condicionado tanto pelo nível da tecnologia, quanto pelo grau de habilidade e motivação da força de trabalho. A União Soviética sempre foi defasada em relação ao Ocidente do ponto de vista tecnológico. Essa deficiência era agravada pelo fato de que as tropas de choque mobilizadas no front econômico eram largamente oriundas de uma massa camponesa atrasada, não acostumada aos ritmos e hábitos da indústria moderna.
  
A baixa produtividade podia ser compensada pelo crescimento quantitativo enquanto a mão de obra à disposição continuasse abundante: por volta dos anos 1960, entretanto, a economia soviética começou a sofrer de faltas crônicas de mão de obra. Isso se deveu parcialmente ao sucesso da onda de industrialização que recrutou milhões de pessoas da agricultura para a indústria. As faltas também eram exacerbadas por um acentuado declínio na taxa de natalidade: os vinte milhões de cidadãos soviéticos que perderam suas vidas para a máquina de guerra de Hitler deixaram uma lacuna na geração seguinte, que estava chegando à força de trabalho duas décadas depois. Para continuar expandido e encontrar as expectativas em ascensão de uma população mais urbanizada e sofisticada do que antes, se tornou urgentemente necessário reorientar a economia rumo a um crescimento intensivo, isto é, incrementar a produtividade da força de trabalho existente. Mas é precisamente este objetivo que ilude o rígido sistema de planejamento de cima para baixo posto em funcionamento durante a era Stalin.
  
Planejamento Burocrático: Irresponsabilidade Coletiva
  
O problema principal não é técnico. Ele só pode ser compreendido no contexto mais amplo das contradições da sociedade soviética. O grande ganho durável da Revolução de Outubro foi ter libertado a classe trabalhadora soviética do constante medo do desemprego e da carestia que assola sua contraparte Ocidental. Mas a vida é algo mais do que uma garantia de sobrevivência. Para que os trabalhadores atinjam o alto grau de competência exigido para o funcionamento adequado de uma economia planejada, eles precisam da garantia de uma existência material digna e serem motivados pelo saber de que seus esforços individuais podem contribuir para a melhoria da sociedade como um todo. O trabalhador soviético de hoje em dia não possui nenhum desses dois pré-requisitos. Apesar de salários mínimos comprarem o essencial, um segundo trabalho ou uma troca nos mercados negro e cinza são necessários para obter muitas das coisas que fazem a vida confortável e agradável.
  
Toda iniciativa e controle, tanto na esfera política quanto econômica, é monopolizada por um aparato burocrático. Os trabalhadores estão desmoralizados pela incompetência e cinismo dos parasitas materialmente privilegiados que se arrogaram toda a tomada de decisões. As massas soviéticas também estão bem cientes que a nomenclatura se beneficiará desproporcionalmente de qualquer melhoria na performance econômica. Desprovidos de qualquer meio de influenciar a natureza dos componentes de seu trabalho, os trabalhadores soviéticos não podem senão estar profundamente indiferentes ao seus resultados, e buscam fazer o mínimo possível em troca de seus salários. O alcoolismo galopante e vadiagem que os governantes fingem não existir não são senão sintomas de uma crescente apatia.
  
Essa atitude de passividade não é limitada à classe trabalhadora, mas permeia todas as camadas da burocracia. Considere-se o gerente de fábrica soviético, que ocupa uma posição intermediaria entre os trabalhadores e os escalões superiores da elite governante. Por um lado, ele busca ascender entre as fileiras dos burocratas através do cumprimento ou sobrecumprimento dos objetivos delimitados pelos planos entregues por seus superiores. O sucesso em tal empreitada lhe fornece um maior acesso às dachas [casas de veraneio russas], lojas especiais que utilizam moeda forte e limusines, além do alcance do cidadão comum. Por outro lado, ele é severamente constrangido em sua habilidade de impor disciplina nos trabalhadores sob sua autoridade. Os dias nos quais os trabalhadores podiam ser enviados para campos de concentração ou fuzilados por infrações menores do código de trabalho se foram. Ele também não pode recorrer a demissões em massa ou individuais. Diferentemente da época de Stalin, os trabalhadores soviéticos estão livres para escolher seu próprio local de trabalho e podem ir a outro lugar caso seus chefes sejam muito exigentes. Como há falta de mão de obra, o gerente é relutante em exigir demais de seus trabalhadores, por medo de perde-los.
  
A maneira mais simples para um gerente agradar seus superiores e evitar confrontos com os trabalhadores é cumprir suas cotas de forma negligente, e/ou falsificar dados de produtividade. As cotas para cada período sucessivo de produção são baseadas nos resultados do anterior. Logo, é do interesse do gerente não extrapolar muito as suas cotas. Isso garante que os objetivos futuros sejam alcançados. Cada empresa tem um incentivo para superestimar o estoque de bens de produção e matérias primas necessárias para o próximo período. Conforme estão as coisas, estes não podem ser comprados no mercado conforme cresça a demanda, mas precisam ser requisitados ao ministro de Estado apropriado no começo de cada ciclo de planejamento. É mais fácil evitar futuras crises de escassez obtendo-se grandes reservas do que conservar os estoques introduzindo-se técnicas mais eficientes. A tendência de cada empresa subestimar suas capacidade e superestimar suas demandas leva a uma subutilização crônica das forças produtivas e a desperdícios.
  
Esses problemas de eficiência são agravados pela notória má qualidade dos produtos soviéticos. Os planejadores dos escalões mais altos da burocracia tendem a estabelecer objetivos produtivos quantitativos. Isso pode ser facilmente obtido pelo uso de técnicas de chão de fábrica simples, uniformes e familiares. Isso leva a um enviesamento embutido no sistema contra a inovação. É muito menos exigente, por exemplo, transformar 10.000 pares de sapatos de um design padrão do que produzir a mesma quantidade de estilos variados.
  
Tais métodos quantitativos também deixam as portas abertas para uma miríade de maneiras de subverter-se o plano desde baixo. Quando a saída de um dado produto é medida através do peso, cotas podem ser facilmente alcançadas selecionando-se materiais mais pesados, independente da utilidade do resultado final. Se a saída dos produtos é medida pelo tamanho, por exemplo o metro quadrado, uma fábrica de janelas pode facilmente atingir sua cota produzindo painéis mais finos. O fato de que eles podem quebrar no primeiro pé de vento pouco importa ao burocrata encarregado da produção de janelas.
  
As irracionalidades do “planejamento” stalinista dão lugar a muitas piadas populares. De acordo com uma delas, um diretor de uma fazenda coletiva anuncia que ele obteve sucesso em gerar um novilho de duas cabeças. Quando é apontado que essa inovação não iria gerar um acréscimo na quantidade de bife, ele responde que isso não faz diferença, já que a produção de gado é medida por cabeça!
  
Bens de consumo monótonos e nada atraentes são um dos bem conhecidos resultados do planejamento burocrático. Mas as dimensões completas do problema ficam mais claras quando se lembra que a economia soviética é orientada para a indústria pesada. A maior parte de seu parque industrial é equipado para produzir equipamento para outros processos produtivos. A qualidade inferior desses bens afeta a indústria soviética com constantes gargalos e falhas mecânicas generalizadas. Reparos e produção de partes sobressalentes consomem uma porção incomumente alta da força de trabalho e dos recursos materiais que, sob um sistema mais racional, poderiam ser direcionados para a produção de itens de consumo.
  
Nenhum desses problemas pode ser resolvido no âmbito de um sistema de planejamento baseado na obediência passiva aos superiores. Um trabalhador pode ser mandado a realizar certa tarefa. Mas nem mesmo os comandos mais severos podem impeli-lo a realizar tal tarefa conscientemente, eficientemente ou com entusiasmo. Em um Estado operário saudável, os produtores estariam motivados pelo conhecimento de que os trabalhadores, enquanto classe, são os mestres da sociedade. O domínio stalinista na União Soviética, entretanto, é baseado na expropriação política da classe trabalhadora.
  
Contradições da Perestroika
  
As reformas de Gorbachev pretendem escorar a dominação burocrática stalinista, não acabar com ela. O único estímulo à produtividade possível dentro desses parâmetros é a introdução de elementos da disciplina capitalista de mercado. Apesar disso não ser equivalente à restauração capitalista, libera poderosas forças econômicas e sociais que militam nessa direção e, em última instância, representam uma séria ameaça às conquistas ainda existentes da Revolução de Outubro.
  
Sob o velho sistema “administrativo” de gestão que Gorbachev herdou, planos detalhados e a alocação de recursos para cada empresa eram determinados pelo aparato central de planejamento, de acordo com a demanda total da economia nacional, conforme entendida pela burocracia. A Perestroika é uma tentativa de substituir métodos “administrativos” por métodos “econômicos”. Pretende-se que a burocracia ligada ao planejamento central seja reduzida à metade até 1990. O controle central direto sobre as empresas será substituído pelos “três As”: autogestão, autofinanciamento e autocontabilidade. Cada unidade econômica individual deverá decidir como e quanto produzir (para além do mínimo obrigatório para se cumprir as “ordens estatais”) e gerar seu reinvestimento e seus fundos salariais primariamente a partir de seus próprios lucros. Estes lucros dependerão do retorno gerado pelas vendas.
  
O mercado servirá como escoamento não apenas para os bens de consumo, como já ocorre; Gorbachev também anunciou sua intenção de permitir que produtores de bens de produção troquem diretamente entre si, ao invés de submeter seus pedidos aos ministérios do planejamento central, como é feito no momento. Atrelar as fortunas de uma fábrica ou complexo econômico diretamente à performance do mercado irá, espera-se, dar aos trabalhadores e gerentes um suporte material direto para que se aumente a saída de produtos e a eficiência.
  
Um problema chave com o qual o Kremlin ainda tem que lidar é a questão das “reformas” de preços para consumidores. A não ser que cada empresa seja livre para determinar seus preços, os efeitos da “racionalização” de mercado serão enviesados pelas decisões de preço dos planejadores. Por outro lado, ao renunciar ao direito de determinar os preços de forma centralizada, a burocracia abrirá mão de um instrumento fundamental de controle econômico.
  
A atual disparidade anual entre o preço agregado dos bens de consumo disponíveis e o total pago em ordenados e salários é estimada em 70 milhões de rublos, por um dos principais economistas de Gorbachev, Abel Aganbegyan (citado em Soviet Economy, julho-setembro de 1988). Isso agravou a falta de bens de consumo e energizou a economia paralela (mercado negro). A demanda reprimida se reflete em contas de banco volumosas. De acordo com V. A. Korostelev, de um instituto de planejamento de Kiev, o total de dinheiro em depósito em bancos de poupança:
  
“tem aumentado de ano para ano: 1983 – em 12 bilhões de rublos; 1984 – em 15 bilhões de rublos; 1985 – em 18.7 bilhões de rublos. Pelo bem da comparação, frisamos que os depósitos em 1965 totalizavam 18.7 bilhões de rublos, enquanto agora eles totalizam mais de 220 bilhões de rublos.”
—The Soviet Review, janeiro-fevereiro.
  
Se os subsídiso fundamentais de comida fossem cortados e os produtores de bens de consume tivessem permissão de cobrar o que eles bem entendessem, os preços iriam no mínimo dobrar do dia para a noite, criando o que o Economist chamou de “o tipo de inflação que faria a perestroika explodir”. Um assalto generalizado como esse nos padrões de vida dos trabalhadores soviéticos – particularmente, pensionistas com renda fixa e aqueles empregados em empresas de lucratividade marginal – é tão potencialmente explosivo que os burocratas do Kremlin até o momento preferiram evitar lidar com o assunto. Ed Hewett, da Brookings Institution, ressaltou que quando “alguém pergunta a economistas soviéticos porque eles não alteram os preços de consumo, [seu] modelo é a Polônia de 1976. Eles tem medo que, se começarem a alterar os preços, as pessoas irão sair às ruas e destruir os trilhos das ferrovias.” (Soviet Economy, julho-setembro de 1988).
  
As reformas de Gorbachev, que até o momento só foram implementadas de forma bastante parcial, colocam outra questão inevitável: se as fortunas das unidades econômicas forem atreladas à performance do mercado, o que ocorrerá àquelas empresas que não ficarem à altura? Empresas não lucrativas são atualmente subsidiadas pelo Estado. Em Gorbachev’s Russia, Basile Kerblay cita uma estimativa de que a retirada desses subsídios significará a perda de não menos de 15 milhões de empregos na indústria, construção e transporte.
  
A noção de que a performance do mercado depende apenas da energia e iniciativa dos trabalhadores e gerentes é puro mito capitalista. A habilidade de uma empresa em produzir também depende dos meios de produção já instalados, isto é, da produtividade da planta industrial existente. Na agricultura, a fertilidade do solo é outro fator determinante. Esses fatores variam de indústria para indústria e de região para região, com meios de produção novos e mais sofisticados concentrados em áreas mais desenvolvidas do país. É possível para um trabalhador no Uzbequistão, com maquinaria antiquada, trabalhar de forma mais árdua e mais eficiente do que sua contraparte em Moscou e ainda assim produzir menos. Tais tendências à desigualdade seriam aprofundadas pela proposta de Gorbachev em relaxar o monopólio estatal sobre o comércio externo. Se empresas soviéticas receberem permissão para trocar diretamente com países capitalistas, as mais bem-sucedidas entre elas serão capazes de comprar tecnologia ocidental avançada, ampliando assim sua vantagem sobre as suas concorrentes menos eficientes.
  
Quando prevalece o mercado, as empresas e os trabalhadores que elas empregam são recompensados de acordo com quão bem vendem as mercadorias que elas produzem. Cada empresa deve, assim, especular constantemente a demanda de consumo, e encarar o risco de fracasso caso essas especulações se mostrem equivocadas. Isso levanta a possibilidade de empresas mal sucedidas indo à falência e demitindo seus trabalhadores. Gorbachev nega de forma vigorosa que tais consequências são desejadas. “É verdade”, diz Gorbachev em seu livro, Perestroika, “que a imprensa veiculou algumas propostas que fogem ao nosso sistema. Não podemos permitir isso, uma vez que visamos fortalecer o socialismo, não substituí-lo por um sistema diferente.”
  
Mercado vs. Plano
  
Não há razão para se questionar a sinceridade do Secretário Geral no que diz respeito a isso. Os escalões mais altos da burocracia soviética não estão planejando restaurar o capitalismo. Mesmo que Gorbachev seja bem sucedido na implementação de todo o seu programa, o Estado soviético ainda manteria poderosas forças econômicas que poderiam ser usadas para controlar os efeitos mais desastrosos da competição de mercado. Primeiro, o Estado permaneceria enquanto o cliente da maior parte das indústrias, e contratos poderão ser realizados em bases diferentes do lucro. Segundo, enquanto o Estado estabelecer os preços dos produtos industriais e agrícolas, ele pode financiar certas empresas às custas de outras. Finalmente, o Estado irá manter o controle dos impostos. Impostos podem ser estruturados de tal maneira que funcionem como um nivelador que transfira o rendimento gerado por empresas mais lucrativas, que pode ser então usado para gerar crédito fácil, através de bancos estatais, para aquelas que ficarem para trás.
  
Mas é justamente nesse ponto que as reformas de Gorbachev, assim como todas as outras tentativas de “socialismo de mercado”, se tornam embaralhadas. De um lado, Gorbachev propõe estabelecer lucratividade de mercado como o principal critério econômico. Ele intenciona, por outro lado, empunhar as alavancas econômicas do Estado para redesenhar as desigualdades entre as empresas mais ou menos lucrativas, para as quais a competição de mercado inevitavelmente dá espaço. Mas deve-se prevenir que empresas que hoje são lucrativas de, através de uma combinação de políticas de preço e impostos, continuarem lucrativas amanhã como forma de garantir que suas rivais menos bem-sucedidas sobrevivam? Pareceria que esse aspecto da perestroika não faz muito além de substituir o atual método de subsídios por um sistema de subsídios indiretos. Isso é equivalente a punir os vencedores e premiar os perdedores, e introduz na economia dois imperativos conflitantes.
  
Para o mercado operar de algum modo que faça o mínimo de sentido, ele precisa atuar enquanto o regulador da produção. Cada unidade econômica precisa ser um produtor de mercadorias e também precisa determinar a extensão de sua produção de acordo com os sinais do mercado (quando a oferta exceder a demanda, o produtor não pode realizar investimentos através de vendas, e irá reduzir sua escala; quando a demanda excede a oferta, os preços sobem e agem enquanto um estímulo para a produção). Nenhum gerente, entretanto, pode efetivamente responder às exigências do mercado se seus trabalhadores tem empregos vitalícios assegurados a um salário garantido, como é amplamente o caso hoje em dia. O gerente precisa poder reduzir ou aumentar a força de trabalho conforme demandar o mercado, e precisa, assim, possuir o direitos de reduzir salários e demitir trabalhadores. Resumindo, o mercado enquanto um regulador da produção não pode atingir total coerência a não ser que a força de trabalho seja reduzida ao status de outro “fator de custo”, da mesma ordem que máquinas ou matérias primas.
  
O trabalhador, em contrapartida, não pode ser tratado como outro “fator de produção” a não ser que exista, contra e sobre ele, um indivíduo ou grupo de indivíduos cuja função seja avaliar os custos de vários “fatores” com vistas a lucratividade da empresa.
  
Os interesses pessoais desse grupo precisam ser vinculados de alguma forma ao sucesso da empresa. E a História não delimitou maneira melhor de ligar interesse pessoal a lucro além de através da instituição da propriedade privada. O mercado, em suma, inevitavelmente leva a um ressurgimento dos antagonismos de classe.
  
Abel Aganbegyan, um gorbachevista de primeira categoria, argumenta em The Economic Challange of Perestroika que o mercado historicamente existiu em muitas sociedades não-capitalistas, e pode assim ser usado para também apoiar o “socialismo”. O que Aganbegyan se “esquece” é que os mercados existem apenas na periferia de sociedades pré-capitalistas, e diziam respeito apenas a trocas externas. Uma vez que a lógica do mercado se apodera da produção, ele varre tudo ante de si e é inevitavelmente acompanhado pelas divisões de classe da sociedade capitalista.
  
O mercado não é um instrumento neutro que pode ser aproveitado em serviço da coletivização da economia. Enquanto o mecanismo de mercado pode ser usado em uma economia planejada pela alocação racional de bens de consumo, sua lógica é em última instância antagônica com uma sociedade onde a produção é planejada na base da necessidade humana. Enquanto uma economia coletivizada governada por produtores fomenta nos indivíduos um senso de responsabilidade social mútua, o mercado fomenta um egoísmo mesquinho e materialista, a guerra de todos contra todos. De fato, é possível – seja no período de transição entre capitalismo e socialismo, ou nos estágios iniciais da restauração capitalista – a convivência entre mercado e planejamento na mesma sociedade, assim como é possível que células saudáveis e cancerígenas existam ao mesmo tempo em um organismo vivo. Essa coexistência, entretanto, nunca será pacífica. Ao final, um ou outro precisa prevalecer.
  
Mikhail Gorbachev e seu bando permanecem firmemente posicionados entre a cruz e a espada. A economia soviética não pode avançar nas base dos métodos stalinistas de planejamento do passado. Gorbachev e Cia. pensam que a introdução seletiva de elementos de mercado capitalista é a única saída. Mas, percebendo que certos interesses burocráticos entrincheirados e, mais importante, dezenas de milhões de trabalhadores soviéticos não abrirão mão da economia planejada sem luta, eles param para pensar o seu programa às suas conclusões lógicas, e prometem o melhor dos dois mundos. Esses oligarcas imaginam que eles são livres para escolher entre “aspectos” de diferentes sistemas sociais tal qual alguém seleciona comida em um supermercado; eles tem pouca noção de que existem forças sociais e econômicas mais poderosas do que a vontade do mais influente dos burocratas. Há, entretanto, outros, tanto dentro da burocracia soviética quanto fora dela, que percebem muito mais rapidamente as implicações a longo termo, e também médio termo, das mudanças propostas por Gorbachev.
  
A Base Social de Gorbachev
  
Enquanto as promessas de reforma econômica de Gorbachev tem se materializado lentamente, eventos no front político tem se desenvolvido mais rapidamente. A facção dominante no Kremlin percebe que uma chacoalhada econômica tão profunda quanto a que se está propondo não pode simplesmente ser decretada de cima para baixo. Para se superar a resistência que a perestroika tem encontrado por parte de setores burocráticos mais conservadores, se faz necessário exercer pressão desde baixo. Para este fim, Gorbachev levantou as restrições à expressão política a um patamar sem precedentes desde a consolidação no poder da facção stalinista, na década de 1920. Muitas correntes políticas mal definidas e contraditórias correram para esse espaço político recém criado. Mas, de todas as vozes levantadas até o momento, a mais destacada é a aquela da cada vez mais autoconfiante elite russa administrativa, tecnocrata e intelectual, que se sobrepõe à nomenklatura [burocracia] privilegiada do partido, mas não é inteiramente idêntica à ela. Esse é o estrato que provê a Gorbachev a sua principal base social.
  
Essas camadas profissionais se sentem sufocadas pelo rígido conformismo que a burocracia do partido impôs por décadas a todos os setores da sociedade. Elas exigem um campo mais aberto para expressões políticas, culturais e individuais. Em contrapartida, isso requer mais acesso a informações acerca de sua sociedade e do mundo, tanto em relação ao passado, quanto ao presente. Elas são muito sofisticas para acreditar nas falsificações grosseiras da história soviética que Stalin e seus herdeiros inventaram para cobrir seus crimes, ou para engolir acriticamente a imagem altamente controlada e distorcida acerca do mundo exterior apresentada pela mídia oficial. Enquanto o exercício dessa liberdade política recém conquistada dificilmente pode ser limitada a essas elites, são elas, e não os trabalhadores, que estão atualmente tomando a liderança em expressar o descontentamento geral da sociedade com a ordem burocrática.
  
Os resultados das eleições de 26 de março para a recém criada Câmara dos Deputados representa um esmagador repúdio popular aos até então consideráveis remanescentes brezhnevistas dentro do partido e do aparato de Estado. Descontentes com décadas de mentiras e alegres com a primeira oportunidade de jogar qualquer papel que seja na seleção de seus líderes, o eleitorado estava aparentemente pretendendo votar em qualquer um que se opusesse aos candidatos escolhidos pela maquina governamental e que se colocassem por mudanças. Os eleitos foram um misto de acadêmicos, tecnocratas e burocratas depostos (personificados por Boris Yeltsin, o líder deposto do partido em Moscou), unidos por nenhum programa além da oposição ao status quo e o apoio geral à perestroika. Sua trajetória futura só pode ser antecipada com base na sua presente composição social.
  
Por todas as suas inclinações anti-stalinistas, a intelligentsia profissional constitui um estrato social privilegiado, com interesses distantes daqueles do trabalhador comum. Seus objetivos econômicos estão centrados em remover todos os obstáculos à sua ascensão social. Um desses obstáculos é certamente a tirania dos burocratas, que, especialmente durante os anos Brezhnev, monopolizaram posições privilegiadas para si e seus comparsas, barrando assim o caminho para qualquer um em busca de reconhecimento nas bases de conquistas profissionais. Mais um obstáculo ainda maior é a própria economia planejada, que restringe o profissional ao status de um empregado assalariado do Estado. Assim, não é difícil de entender a atração dessas camadas sociais pelo ethos do yuppie ocidental [“jovem profissional urbano” (YUP, na sigla em inglês)], que supostamente gosta de liberdade pessoal e autonomia econômica, bem como ilimitadas oportunidades para enriquecer. A elite tecnocrata/gestora soviética certamente não fala através de uma voz política única. Mas não pode haver duvidas de seus elementos mais de direita estão saindo cada vez mais em defesa da restauração capitalista.
  
Ressureição Nacionalista: Fruto Amargo da Perestroika
  
Essa tendência é mais pronunciada nos Estados bálticos, que estão entre as mais ricas e prósperas das republicas nacionais que constituem a União Soviética. O maior e mais organizado desses movimentos nacionalistas bálticos é o Sajudis lituânio [“Movimento Pela Reforma da Lituânia”]. Gorbachev originalmente apoiou o Sajudis como um contrapeso aos seus oponentes políticos dentro da hierarquia do partido local. Apenas quando o Sajudis começou a chamar abertamente pela secessão em relação à União Soviética, foi que Gorbachev retirou seu apoio. O Sajudis capturou 32 dos 42 assentos lituânios no Congresso de Deputados, e ameaça tomar a legislatura nacional da Lituânia. A união no interior desse movimento está divida quanto a chamar imediatamente pela independência ou esperar uma oportunidade mais favorável no futuro. Vytautas Landsbergis, o presidente do Sajudis e líder de sua ala “moderada”, diz que “se a Lituânia tiver permissão de desenvolver sua própria economia experimental, fechar suas poluentes indústrias pesadas, desenvolver fábricas e fazendas privadas, se engajar em trocas no mercado livre com o Ocidente, e criar seu próprio sistema monetário, então a Lituânia pode continuar como parte de um federação soviética, ao menos por hora” (New York Times, 13 de março).
  
Os recentes desenvolvimentos na Lituânia provavelmente fornecem a mais clara indicação de com o que o processo de restauração capitalista se pareceria. As minoria nacionais na URSS são sem dúvidas oprimidas pelo chauvinismo grão-russo. Mas uma das vantagens inegáveis do planejamento é que ele permite à autoridade central canalizar o crescimento nacional para as regiões menos desenvolvidas da URSS. A dependência nas forças de mercado só pode aprofundar as desigualdades entre as repúblicas soviéticas mais ricas e mais pobres. A perestroika, assim, está levando a uma corrida pela manutenção do poder, por parte das burocracias regionais.
  
Apoiadas por um sentimento popular nacionalista, as elites das republicas mais ricas aparentemente intencionam consolidar suas posições através da ruptura, pouco a pouco ou de um só golpe, com a autoridade central. Tal estratégia as permitiria manter a riqueza produzida localmente dentro de suas fronteiras e lançar barganhas próprias com os poderes capitalistas. As Frentes Nacionais da Letônia e da Estônia, com programas similares ao do Sajudis, também obtiveram vitórias nas recentes eleições, e um sentimento nacionalista de direita está começando a conquistar espaço na Ucrânia. A Armênia soviética, e mais recentemente, a Geórgia, estão seguindo na mesma direção.
  
O desenvolvimento político mais sinistro dos últimos anos é o rápido crescimento de uma organização fascistóide chamada Pamyat, ou “Memória”. Baseada principalmente nos centros urbanos de Moscou e Leningrado, o Pamyat combina um sentimento de desejo de retorno à era Stalin com os violentos preconceitos do passado pré-revolucionário da Rússia: chauvinismo grão-russo, reverência aos Czares e o anti-semitismo das Centúrias Negras, os infames perpetradores dos pogroms czaristas contra judeus. Diz-se que o Pamyat desfruta do apoio encoberto de alguns grupos anti-Gorbachev no interior da burocracia. Mas também é possível detectar, nas fulminações reacionárias do Pamyat, a resposta histérica do “Zé Ninguém” – sem dúvida incluindo os elementos mais degenerados da classe trabalhadora – às mudanças que ele não entende e das quais ele está morrendo de medo. Esse medo e essa histeria encontram sua expressão política no desejo por um “pulso firme”, seja ele o de um Czar ou de um Stalin, que vá acabar com o caos e reintroduzir a ordem na sociedade. Tais ressentimentos são típicos de movimentos fascistas, que, em períodos de crise social, providenciam as tropas de choque da reação e que são os mais mortais dos inimigos da classe trabalhadora organizada. Esse é o momento para que os trabalhadores soviéticos se mobilizem para esmagar os pogromistas fascistas do Pamyat – antes que eles se tornem mais fortes.
  
O Surgimento de uma “Nova Esquerda” Soviética
  
Ainda está para ser dita a última palavra nesse fermento político que se espalha pela União Soviética. A recém-sacudida intelligentsia não é de forma alguma unânime na sua admiração pelo capitalismo. Uma minoria, representada pelos Clubes Socialistas (que se aglutinaram em 1988 na forma da “Frente Popular pela Perestroika”), continua comprometida com sua própria versão mal definida de marxismo. Mas, apesar de estar definitivamente na esquerda da corrente pró-perestroika (Boris Kagarlitsky, figura de liderança na “Frente Popular”, proferiu inúmeras críticas aos aspectos anti-operários da dependência no mecanismo de mercado), essa corrente está muito longe do internacionalismo proletário que inspirou a Revolução de Outubro. A maioria de seus membros, senão todos, parece inclinada a idealizar uma democracia sem adjetivos. Os elementos mais sérios e pensativos dentre a intelligentsia de esquerda, que tira vantagem das inestimáveis oportunidades abertas pela glasnost para redescobrir o Bolchevismo em sua forma verdadeira, pode desempenhar um papel valioso em restabelecer uma tradição autenticamente Leninista entre o proletariado soviético. Mas, no momento, esses elementos de esquerda seguem sendo uma pequena minoria, quantitativamente insignificante na cena política mais ampla e programaticamente amorfa.
  
De longe, o fator mais significativo em determinar a forma dos eventos por vir é o gigantesco proletariado soviético, que até o momento permaneceu silencioso. A classe trabalhadora é a que mais tem a perder com a introdução da disciplina de mercado. Se as reformas econômicas de Gorbachev seguirem conforme planejado, muitos trabalhadores soviéticos serão forçados à oposição. Qual forma política essa oposição tomará, entretanto, não pode ser prevista com precisão alguma no momento.
  
As tradições do Outubro Bolchevique, que criaram o Estado soviético, há muito foram enterradas debaixo de uma montanha de imundice stalinsita. Na ausência de uma liderança conscientemente revolucionária, o proletariado russo corre risco de ser manipulado pelas diversas frações burocráticas. O pior cenário é aquele da Polônia, onde os ressentimentos legítimos da classe trabalhadora contra o desgoverno stalinista foram aproveitadas em prol da reação clerical. Felizmente, não há força comparável à Igreja Católica Polonesa hoje na Rússia. Mas nenhuma das forças políticas que atualmente tomam o campo, desde os gorbachevistas até os neo-brezhnevistas no interior da burocracia, se apoiam em um programa minimamente ligado aos interesses históricos da classe trabalhadora.
  
“Socialismo em um só país”: Um Dogma Anti-Socialista
  
Para os ideólogos burgueses, para a maioria dos dissidentes soviéticos e do Leste Europeu, assim como para largas porções da esquerda ocidental, a orientação pró-mercado de Gorbachev comprovaria a falência do socialismo. Na realidade, a presente crise do bloco soviético confirma os avisos proferidos pro Leon Trotski e a Oposição de Esquerda sessenta anos atrás, de que o programa stalinista de “socialismo em um só país” é um dogma reacionário e intrinsecamente anti-socialista.
  
A recusa trotskista em aceitar igualar socialismo e stalinismo é objeto de chacota por parte de reacionários, pragmatistas e “marxistas” renegados de todo o tipo. Para eles, qualquer distinção entre os dois significa ou um moralismo sem salvação ou um apego desesperado a algo fora de moda, por questão de honra. O termo “socialismo realmente existente”, popularizado pelo “marxista” dissidente da Alemanha Oriental Rudolf Bahro, ao mesmo tempo reconhece e recusa a critica trotskista. Você pode chamar o socialismo de qualquer coisa, sugere Bahro, mas o único socialismo de que valeria a pena falar é aquele representado pela realidade das sociedades cujos governantes adotaram tal nomenclatura.
  
Em um caminho semelhante, o maior defensor do “socialismo de mercado” no mundo anglófono, Alec Nove, parte da inadequação do planejamento stalinista para concluir que o planejamento econômico em geral nunca poderá funcionar. “seria tolice”, escreve Nove em uma polêmica com Ernest Mandel, “ignorar a experiência soviética por conta de uma decisão prévia em em classificá-la como ‘não socialista’” (New Left Review, janeiro-fevereiro de 1987).
  
A recusa por parte dos marxistas genuínos em igualar o socialismo com as sociedades burocraticamente dominadas da União Soviética, do Leste Europeu ou da China, não é um reflexo dogmático ou um subterfúgio retórico. Ela deriva da nossa convicção de que o socialismo tal qual formulado por Marx – uma associação democraticamente planejada de produtores – não é apenas desejável, como também necessária e objetivamente possível em uma escala mundial. Stalin buscou legitimar o domínio da casta burocrática que ele levou ao poder, através da apropriação da nomenclatura socialista; legiões de ideólogos burgueses e seus seguidores no campo da “esquerda” agora apontam a crise do stalinismo como uma prova do declínio socialista. Tanto estes quanto aqueles, por aceitarem a igualação entre stalinismo e socialismo, explicitamente ou implicitamente negam que uma economia planejada, governada pela vontade consciente dos produtores coletivos, seja possível ou viável de se buscar. Ao reservarmos o nome de socialista a tal sociedade, nós afirmamos nossa filiação a 150 anos de luta revolucionária da classe trabalhadora para concretizá-la.
  
Uma sociedade socialista genuína só pode ser consolida de com base nos pré-requisitos materiais necessários. Seus cidadãos precisam ter tanto tempo quanto capacidade de participar plenamente na tomada de grandes decisões sociais. Isso implica uma crescente liberdade em relação à insegurança econômica, da labuta e da baixa especialização, que inibem o homem e a mulher dos dias de hoje de tomar algo além de um interesse passageiro pelos assuntos comuns à sociedade. Para que uma situação dessas seja permanente, isto é, irreversível, a sociedade precisa ter atingido um nível de abundância suficiente para assegurar que as necessidades básicas da vida (e muito daquilo que é hoje considerado luxo) estejam livremente disponíveis, e esta é a precondição, e não o objetivo, do esforço individual. De acordo com Marx, as forças produtivas nas quais o socialismo será baseado já se tornaram realidade pelo próprio desenvolvimento capitalista.
  
Em todas as sociedades históricas passadas, o sobreproduto social disponível era suficiente apenas para permitir que uma minoria desenvolvesse suas potencialidades, às expensas de uma maioria explorada, enquanto que estas eram condenadas a uma existência subumana. A emergência e o triunfo do capitalismo criaram, pela primeira vez na história, as condições objetivas para que a humanidade transcenda as divisões de classe. “A burguesia, durante seu domínio de menos de 100 anos”, escreveram Marx e Engels em 1848, “criou forças de produção mais maciças e colossais do que todas as gerações passadas juntas.” (Manifesto Comunista). Isso é ainda mais verdadeiro hoje em dia do que há 140 anos atrás.
  
A contradição mais fundamental do capitalismo é que a riqueza inigualável que ele criou não é serva da humanidade, mas sim sua mestra. Ela confronta a sociedade na forma do capital, uma força cega e inconsciente que tiraniza as vidas dos indivíduos com todas as arbitrariedades de uma força da natureza, “frustrando [suas] expectativas, levando à nulidade [seus] planos” (A Ideologia Alemã). E, tal como a dominação das classes dominantes anteriores estava baseada em um monopólio dos meios de produção oferecidos pela natureza (principalmente a terra), também a dominação da burguesia moderna é enraizada em sua propriedade das forças produtivas geradas pelos homens, na forma do capital. Apenas quando essas forças produtivas forem removidas das mão privadas e submetidas ao controle coletivo da sociedade, é que a divisão dos seres humanos entre as classes sociais antagônicas poderá ser transcendida e a riqueza que a classe trabalhadora produz será feita serva dos objetivos conscientes da humanidade.
  
O Socialismo deles e o Nosso
  
Trotski escreveu que, por todas as suas conquistas, o capitalismo “deixa intocado o jogo das forças cegas nas relações sociais dos homens. Foi contra essa esfera mais profunda da inconsciência que a revolução de Outubro foi a primeira a levantar o punho” (História da Revolução Russa, tomo 3). Mas, se a revolução de 1917 constituiu o primeiro passo da humanidade no caminho do socialismo, nem Lenin, nem Trotski, nem nenhum dos bolcheviques originais imaginaram que a construção socialista poderia ser finalizada dentro dos limites de uma Rússia atrasada, empobrecida e devastada pela guerra. Conforme o sistema capitalista, centrado na Europa e na América, possui extensão global, o socialismo só pode triunfar definitivamente na forma de uma nova ordem global, com as mais avançadas forças produtivas do mundo à sua disposição. Os bolcheviques viam a Revolução de Outubro como a batalha inicial na guerra internacional de classes, cujo objetivo último era a conquista pelo proletariado do coração super-desenvolvido do capitalismo, no Ocidente.
  
Nada poderia ter sido mais abominável para os fundadores do Estado soviético do que a doutrina do “socialismo em um só país”’, proposta pela primeira vez por Joseph Stalin em 1924. Essa doutrina foi o programa de um novo estrato burocrático que surgiu devido ao isolamento da revolução na década seguinte a 1917. A burocracia stalinista abandonou a luta pela revolução mundial, a fim de consolidar seus privilégios em casa. Isso, por sua vez, tornava necessária a conciliação com os governantes capitalistas no exterior. Para este fim, o Kremlin usou seu prestígio no movimento internacional dos trabalhadores para inviabilizar e trair os trabalhadores estrangeiros quando situações revolucionárias surgiam. Assim, a burocracia soviética, originalmente o fruto do isolamento da revolução, tornou-se um fator ativo em prolongá-lo. A ideia de que a Rússia poderia construir uma sociedade socialista por si própria foi a arma ideológica com que a burocracia atacou as tradições internacionalistas da Revolução de Outubro. Julgamentos de fachada, prisões e fuzilamentos eram as armas materiais com que aniquilaram os restantes membros do Estado-maior de Lenin.
  
Na ausência de ajuda por parte dos trabalhadores do Ocidente, a burocracia stalinista só poderia construir a sua base industrial através da coletivização forçada da agricultura e da imposição de um regime draconiano sobre os trabalhadores. Devido ao fato de que a Revolução Russa havia concentrado o poder econômico nas mãos do Estado, a burocracia conseguiu, ainda que por métodos brutalmente coercitivos, levar a Rússia para o mundo moderno. Mas a promessa de uma sociedade socialista que iria igualar e superar o capitalismo no poder produtivo continua inconclusa. Uma economia de comando cujos comandos não são mais apoiados pela força, uma classe trabalhadora sem a disciplina do mercado capitalista, nem a segurança material que desfrutaria em uma comunidade verdadeiramente socialista – este é o limbo histórico a que levaram sessenta e cinco anos de mando stalinista. Este impasse atesta não o fracasso do socialismo, mas a falência do “socialismo em um só país”. Trotski considerou que a perspectiva de construção do socialismo em um único país atrasado era uma fantasia autárquica que estaria fadada ao fracasso. Ele não era, ao mesmo tempo, ansioso por ver suas previsões confirmadas por uma restauração do capitalismo na União Soviética. Os elementos de planejamento econômico presentes na economia soviética, apesar de distorcidos, são os frutos duradouros da primeira tentativa na história em substituir a anarquia econômica e social do capitalismo pelo controle humano consciente. Abolir o planejamento em favor do mercado seria um passo para trás. No entanto, é precisamente neste sentido que os atuais governantes do Kremlin estão indo.
  
A defesa do planejamento econômico não pode ser confiada aos Ligachevs e outros apparatchiks conservadores que se agarram às velhas maneiras, por medo de perder as suas benesses. A democracia operária, com base em soviets eleitos democraticamente, é a única força que pode varrer os Gorbachevs, o Ligachevs e todos os outros mandantes burocráticos e dar vida nova à economia planificada. O internacionalismo proletário, a bandeira sob a qual o Estado soviético nasceu, é o único programa político que permitirá ao planejamento florescer, no contexto de um mundo socialista economicamente integrado. Este é o nosso programa – e o veículo para a sua realização só pode ser uma Quarta Internacional refundada.
  
Por fim, a todos aqueles burocratas reformistas, dissidentes anti-stalinistas e “pós-marxistas”, que afirmam que o socialismo está morto e que o mercado é a resposta, basta lançarmos uma única pergunta simples: qual futuro você enxerga para o mundo para além do capitalismo? Tal pergunta geralmente vai provocar uma resposta evasiva. Quando todos os rodeios são desfeitos, fica evidente que poucos desses especialistas têm qualquer esperança, e muito menos um programa, para ir além do capitalismo. Sua sabedoria, em última análise equivale a pouco mais do que a afirmação de que o mercado, com sua espontaneidade e seus cegos antagonismos de classe, estará sempre conosco. Já ouvimos isso antes. Se o marxismo que defendemos não é algo novo, a idéia de que o mercado surge da própria natureza humana é muito mais antiga; tão antiga, de fato, como a burguesia, cuja supremacia foi invocada para justificar. Duzentos anos atrás, quando a burguesia estava em ascensão, essas idéias podem ter sido convincentes. Mas na era atual de decadência capitalista, depois de inúmeras crises econômicas, duas guerras mundiais e do pesadelo do fascismo, esses pronunciamentos só podem ser fruto de desespero na própria possibilidade de progresso. Apesar do contínuo aumento dessa postura reacionária, o único futuro para a humanidade se encontra na via ao socialismo, primeiramente traçada por Marx e Engels, e aberta pela Revolução de Outubro de 1917.

Militant LongshoremAn No. 10

October 12, 1984

PROTEST ARMY OCCUPATION OF BLACK SOUTH AFRICAN TOWNSHIPS AND KILLING OF OVER 80 BLACKS

At the September membership meeting I tried to raise a motion in support of black South African goldminers whose strikes for union recognition were being suppressed with at least eight miners killed by police. I intended to bring the same motion to the following Executive Board meeting, September 27, but – as often happens – there was no quorum, and the meeting was cancelled.

The situation in South Africa is now escalating. At least 80 blacks have been killed, and the South African army is being openly mobilized to occupy the black townships. I urge brothers to support my efforts to put the following updated motion on the floor at next Thursday’s membership meeting.

MOTION: Local 10 protests the killing of eight black South African goldminers who were recently on strike for union recognition. We protest the killing of over 80 blacks during the current mass protests against the phony elections which exclude blacks. We further protest the mobilization of the South African army to occupy black townships.

In order to dramatically express our solidarity with the mass rebellion of South African blacks we will not work the next Nedlloyd Line ship carrying South African cargo to the Bay Area. We appeal to the rest of the coast to join us in this action, as they did in our successful 1977 boycott of a Nedlloyd Line ship.

UPDATE: Local 10 Executive Board unanimously passed this motion Thursday night, October 11. Come to the membership meeting Thursday, October 18, and vote for final approval of the motion!

Introduction (by Revolutionary Regroupment)

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By late 2018, a comrade from Revolutionary Regroupment contacted members of Bolshevik East Asia, a split of the International Bolshevik Tendency (IBT), in an attempt to better understand some of their differences with the other two sides of the IBT three-way split. See: https://bolsheviktendency.org/2019/04/13/why-things-fell-apart/

Initially, Bolshevik East Asia sided with the grouping led by Tom Riley (former leader of the IBT and now in the “Bolshevik Tendency” split group) against the incorrect notion defended by Logan/Decker/Dorn that Russia had become an imperialist power qualitatively equivalent to the U.S. and the European imperialists. Later, they broke from Riley in face of his “neutrality” on the military coup d’état in Egypt in 2013 and the 2016 attempt in Turkey. They also proclaimed their fundamental disagreement with the IBT view on the 1978/1979 events in Iran.

We disagreed with the Bolshevik East Asia comrades rejection of the 1978/1979 Spartacist League position on the Iranian revolution (the SL is the organization from which the IBT originated and which legacy we claim in opposition to most of the degeneration of post-WWII Trotskyism). We thought that these comrades were responding in a confused way, but with a good instinct, to Tom Riley’s methodology of neutralism and “not taking sides” in conflicts between bourgeois forces in which there was a clear advantage for the workers to defeat an attempted reactionary coup d’état/movement.

Riley argued that revolutionaries should not “take sides” when two sides in a conflict were equivalent in terms of their rejection of bourgeois democracy. He reassessed the Marxist opposition to Gen. Franco’s coup and the subsequent civil war in Spain and the opposition to the coup against Salvador Allende’s Popular Front in Chile in 1973 as justifiable by one side being ahead of a bourgeois democracy and the other being dictatorial. Later, Riley’s grouping also took a “neutralist” position on the coup/impeachment in Brazil in 2016, analyzing that both sides were equally part of the game of bourgeois democracy. See: https://bolsheviktendency.org/2019/08/28/on-the-igs-2016-capitulation-in-brazil/.

To further confusion, Riley argued that his views derived from the Spartacist position in Iran in 1978/1979, in which the slogan “Down with the Shah, down with the Mullahs” supposedly meant revolutionists should not have “militarily sided” neither with Shah of Iran, nor with the Islamist forces. In general, he accused his opponents, including some now still in the IBT, of “support one gang of reactionaries against another in Turkey, Egypt and Iran”. See: https://bolsheviktendency.org/2019/04/12/marxism-islamic-reaction/

Tom Riley did a terrific job at discrediting both Trotskyism and the best elements of the Spartacist tradition. Let’s try to clarify those matters. Marxists oppose reactionary civil wars, violent attacks and coups d’état aimed at removing a government or regime when what is at stake is crushing working class resistance or working class rights (whether social or democratic). Often times, this is done by means of destroying bourgeois democracy and replacing it with an authoritarian regime, particularly common in neo-colonies. Very often, those movements receive logistical/indirect military support from imperialist powers. Sometimes, though, there is no complete destruction of a democratic regime, but a hiatus in its functioning for the re-arrangement of the capitalist forces. Other times, the neo-colonial regime is itself a semi-dictatorship and no less “democratic” than its adversaries. Should we be neutral in these cases?

Our criteria is guided by the historical interests of the workers, and we oppose “government change” when it has become clear that the victory of the opposition will mean a qualitative destruction of working class positions and gains. We do this without giving any political support to the status quo or the current leaders, but defend a proletarian revolutionary position. That is why we sided against the military junta in Egypt in 2013 (See: https://rr4i.milharal.org/2018/11/28/the-military-coup-in-egypt-and-the-scandalous-position-of-the-iwl-pstu-2013/) and against the gang of right-wingers who removed the Brazilian popular front in 2016 by a combination of street pressure and illegal parliamentary/juridical proceedings (see: https://rr4i.milharal.org/2013/07/19/brazil-down-with-the-putschist-government/). Riley’s neutralism would result in prostrating the workers’ movement in face of the destruction of their achieved positions in bourgeois society whenever it does not fit his abstract scheme.

On Iran, we believe Riley is simply confusing apples and oranges. There was a potential revolution developing in Iran, with left-wing guerrillas, strikes and struggles, but which by the lack of an independent proletarian revolutionary pole, was later engulfed by the reactionary pro-Khomeini forces. Many on the left saw this political predominance of Islamists as a minor element, believing the struggle would develop “objectively” into the interests of the workers. The defeat of the officer corps in February 1979 allowed the strongest political force – the Islamist mullahs –to fill the vacuum of power left by the destruction of the Shah regime and of his puppet Bakhtiar “conciliation government”. The ascension of Khomeini led to the subsequent “Islamic republic” and the destruction/abortion of any real possibility of a working class revolution against imperialism and capitalism, not to mention the suppression of left-wing organizations, independent unions, women’s rights, etc. See: https://rr4i.milharal.org/1979/09/24/iran-history-takes-its-vengeance/

To begin with, revolutionaries would have intervened in several strikes, mass demonstrations and other struggles against the Shah. Marxists don’t analyze things as if they themselves were detached from reality, picking sides abstractly. A potential revolution is a complex phenomenon with multiple events. In some we had “no side”. We would not have supported the Islamists in their own sectarian marches or any relevant aspect of their program. But we could have “militarily sided” with the Islamists against mass repression by the Shah’s political police, for example, or if there were a military intervention against the struggles (even those led by the reactionary Mullahs). That, to our knowledge, was also the Spartacist League position, as we quoted in one of our letters. On the issue #225 of their paper, the SL wrote:

“Had such a confrontation erupted into civil war, Marxists would have militarily supported the popular forces rallied by the mullahs against an intact officer caste, even as our intransigent political opposition to the reactionary-led movement sought to polarize the masses along class lines and rally the workers and lower strata of the petty-bourgeois masses around the proletarian pole.”

The comrades from BEA, however, gave a step further. They considered that the victory of the reactionary Islamists over the Bakhtiar/Shah regime was a “partial victory”, or rather a victory of both Khomeini and the workers together, and that the situation after the victory of the Islamists over the Shah regime was “much better” than before. These comrades tended to analyze the dynamic of the anti-Shah struggles the same way Riley did – an open-ended “confrontation of forces”. But instead of “not taking sides”, they saw the victory of Khomeini as the better side or the side “against imperialism”. Their rationale for this was to equate the ascension of Khomeini with the defeat of an imperialist invasion/attack embodied in the Shah regime. In our correspondence, they repeatedly compared it with the side the Fourth International took against Japan in its occupation of China in the 1930 and 1940s and other anti-imperialist positions we shared.

Trotskyists oppose all sections of the bourgeoisie and promote working class independence. We do not promote one wing of the capitalists as supposedly “anti-imperialist” or less pro-imperialist but instead show the falsehood of that claim. It is impossible to truly break from imperialism without defeating capitalism. When a conflict erupts in which the results could deepen the imperialist control over an oppressed nation or destroy a working class movement fighting imperialist interests, we take a side to defend current obtained positions.

Declaring that the results of Iran after February 1979 were a “victory” for the workers and the situation “much better” does not help defending any positions, except confuse the workers about the dangerous meaning of the Islamists’ ascension. While the BEA comrades never clearly formulated it, it would be consistent with this position to promote the victory of Khomeini from the get-go (as it would be a “partial victory”). In fact, at one point they wrote that the task from the beginning of the revolution until the toppling of the Shah/Bakhtiar was to “struggle with Khomeinites to overthrow the regime” and “after the victory of Anti-Shah struggle” (!) they would struggle for workers’ power:

From the beginning of the revolution on January 7, 1978, until the collapse of the military on February 11, 1979, we struggle with Khomeinites to overthrow the regime. At the same time, we unconditionally protect the political and organizational independence and warn the working class of the reactionary nature of the Khomeinites. After the victory of Anti-Shah struggle, we struggle to build the workers’ power (1 August 2019).

We agreed, for instance, that we considered the nationalization of certain American companies by the Khomeini regime a partial gain and should defend it. While we could side with the Khomeinites on a practical level on certain specific issues, we could not have a general orientation of struggling “with them” (as opposed to having an independent proletarian orientation) to overthrow the regime. In the big picture, we wrote: “we do not confuse the two because, much more important than a couple of anti-imperialist measures is the fact that the new regime was dedicated to destroying the revolution  and any chance of real, solid, anti-imperialism.” (12 June 2019).

It became clear that this was more than a “historical difference” when we realized their view also reflected on other events, such as the 2011 replacement of Egyptian dictator Mubarak by a junta of his generals and his former Prime Minister as a way of trying to contain the massive struggles and strikes against austerity and oppression. The BEA comrades also saw it as a “partial victory” and not a maneuver to distract the workers and the masses. We pointed this had many similarities to revisionist thinking (such as with the pseudo-Trotskyist Morenoites).

Discussions also involved the Spartacist slogans at the Iranian revolution, the meaning of the 1917 February revolution in Russia, other anti-imperialist positions such as the wars in Libya and Syria, and later the imperialist participation in the impeachment/coup in Brazil in 2016. From our letter of 9 July 2020 on, comrades from Bolshevik-Leninist in Australia took part in the written exchanges and in our online chat. Their political and technical help was very significant to the continuation of the discussions.

Despite a promising start, in which we agreed on significant issues, the discussions ended up in frustration, with the BEA comrades accusing us of being stubborn and of using a straw-man fallacy against them. They then chose to end discussions with us. In our last letter to them over a period of almost 2 years, we concluded:

“As for us being stubborn about our positions, we do not deny that in the least, but we are definitely not dishonest. To the very end we honestly tried to convince you to our best ability, in a language neither of our groups is fluent at. We viewed discussions with you as a serious opportunity of regroupment. We actively pursue discussions with groups and individuals internationally, in an attempt to build an international tendency on the basis of our positions. We will continue to stubbornly do that!

“One week before sending your letter on September 14, you showed desire to publicize the content of our exchanged letters, and asked if we were OK with the posting of our letters to you. This indicated to us that the discussions were over on your part, although you ignored our direct questions about it. We clearly stated to you: ‘We’re OK with making it public, but we’ll probably want to respond to your letter as well. Will it be added then?’ To our surprise, you chose to post only your side of the discussions. We will post the entire content of the discussions on our website (including your letters to us). We ask you do the same on your website for an honest representation of both sides’ views.” (September 28, 2020).

Now we make the letters from both sides available, in an attempt to help the clarification of the question to those looking for revolutionary politics.

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RR to BEA (28 September 2020)

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Revolutionary Regroupment reply to Bolshevik East Asia’s Letter

1. Clarification on imperialist interests in the Brazilian coup d’état of 2016

Comrades of Bolshevik East Asia, on our July 2020 letter to you, we had written:

“We have not researched Turkey in depth, but if we should take a side on this confrontation it wouldn’t be because Erdogan had less pro-imperialist connections than his generals who attempted the coup. Speaking of Brazil, we know for a fact the PT government was in excellent terms with the imperialist powers during its entire existence. The coup, which never got to a physical confrontation, was much more a result of internal questions than of imperialist meddling/intervention. This is because imperialist interests were never at stake (your emphasis). Still, we take a side in it because it was a conflict in which the removal of the government by a reactionary band of right-wing forces accelerated attacks against the workers and the poor. 
“Our take on events like this has nothing to do with the IBT neutralism, which uses a technical issue (the type of imperialist involvement) to declare themselves ‘not taking sides’ as quickly as possible. We are, instead, telling you that imperialist involvement on one side is a defining factor for Marxists, but not the only one. And also that on several occasions in which we should take sides in intra-bourgeois confrontations, this criteria alone may not be sufficient.”

A correction and clarification is necessary, since in your decision to end discussions with us, you took the underlined sentence as apparent “proof” of “how frivolously” we take political questions in Brazil:

“We are not fully aware of the specific situation of Brazilian history and social organizations. But at the very least, we know that the words ‘imperialist interests were never at stake.’ is dangerous word that is very likely to be wrong.

“Looking at the answers to this question like that, we got a glimpse of how naive and frivolously RR deals with the important question even in Brazil.”

In an article dated February 2017 concerning the results of the reactionary 2016 coup/impeachment of the Workers Party, we wrote:

“Another important rupture occurred in relation to the financing programs for the operations of a limited range of highly monopolized and internationalized mega-companies, considered Brazil’s ‘national champions’ (Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Correia, JBS-Friboi, Grupo Eike Batista etc.). While the PT used the public funds (via the state-owned banks and pension funds) to finance part of the highly profitable operations of these companies, Operation Car Wash dealt a heavy blow to part of them, whose operations (especially in the highly profitable shipbuilding plan) is being absorbed by imperialist oligopolies.

“The coup government represents a break with the PT era also from the point of view of international politics. More specifically in relation to Brazil’s alignment in this period of troubled international relations that involve the gradual decline of exclusive American domination of the planet and the growth of Russian appetites in Asia and Europe, in addition to China’s commercial and productive weight. The choice of José Serra to head the Ministry of Foreign Affairs clearly indicated a willingness to collaborate more closely with the imperialist colossus in the northern hemisphere. The cooling of the relations with Russia and China shows to those countries that for different reasons partially escape the interests dictated by the great imperialists in the world, that they should have no expectation that the Temer government reflects their agenda.

“Dilma’s government in no way represented a brake or opposition to US imperialist interests. However, its diplomacy valued the construction of a multilateral approach to strengthen commercial interests with the BRICS, especially with China, which in the years of the PT became the country’s main trading partner, and with Mercosur. As for Mercosur, the coup makers’ agenda is also not promising. Serra endeavored to articulate Venezuela’s exclusion from Mercosur, not only as a way of strengthening the right-wing opposition that seeks to remove Nicolas Maduro from power, but to underplay this particular form of ‘regionalist’ capitalist configuration and return to the direct orbit of the United States.

“Here, once again, submission to imperialist interests is not exclusive to the coup makers. It was an agreement of the then Dilma government with the opposition led by Serra in the Senate that approved the law that allows the exploration of the Brazilian oil by foreign companies. In October, the coup makers in the House confirmed this law, which should open new profits for American, Canadian and European companies at the expense of Brazilian natural resources and the exploitation of our workers. Despite their different location in the international balance of forces, neither the coup makers nor the PT represent what workers really need and what the Brazilian people need, which is control over the wealth we produce.”

Brazilian political crisis and the need for a working class revolutionary program, February 2017.

Clearly, what we should have written for better clarity was that the imperialist involvement in the coup was not decisive or crucial, nor was the Workers Party (PT) government being anyhow “anti-imperialist” or in any particular confrontation with imperialism. The timing of the coup had to do with an internal dispute within the Brazilian bourgeoisie and how to best realize the attacks against workers in a moment of economic crisis.  As we previously wrote to you: “The fact that imperialists ‘have a part’ in what is going on does not change ‘the fact that a faction of the bourgeoisie was attempting to remove another from power to better repress and exploit the proletariat.’

The imperialist involvement was on a different level when we compare it to the recent coup attempts in Venezuela, the reactionary protests in Ukraine and Hong Kong, or the wars in Syria and Libya. Imperialists had interest in and supported the removal of the Workers’ Party popular front, but were not the main agents behind it. The Brazilian bourgeoisie of course is dependent of the imperialist powers, but it was the same capitalists who took part in the PT government who later removed them from office.

We could also correct that sentence in our letter by saying that under the PT government, imperialist interests were not at risk, although they were not met as easily (quantitatively speaking) as under Temer, or now under Bolsonaro, who is basically a grotesque imperialist stooge. You imply as if we thought the imperialist exploitation, interference, presence etc. in Brazil was not a relevant matter for us, which is in opposition to our beliefs. This conclusion seems to have been based on one poorly formulated sentence taken out of context. Had you asked for further clarification on this, this could have been easily solved.

Having made this correction, we want to point out that you have apparently chosen not to answer our question on Brazil, which would have clarified our different political approach and is crucial to understand where our difference lies:

“If today, amid Brazil’s reactionary government of Bolsonaro, there was a mass revolt with the PT playing a part in it and it ended up with them in power, protecting the bourgeois regime and its institutions, we might side with the PT on certain confrontations, but we would definitely not call the results a ‘partial victory’, neither say the outcome is ‘much better’ than before. The whole structure of the bourgeois state would be preserved because of the brake the PT ascending to power would mean. (All this is of course hypothetical since the PT is extremely legalist). If the PT succeeded in taking power over the government, would that count as a ‘partial victory’ to the Korean comrades? And if that is so, shouldn’t we be calling to vote for them?”

2. The Spartacist slogan on Iran

The slogan we claim from the Spartacist League on Iran in 1978/1979 is “Down with the Shah! No support to the Mullahs! Workers to power!”. This is the slogan that in our opinion best represents our position. The international Spartacist tendency itself made this correction to the original slogan of the American section. The fact that you confused it with “Break with the mullahs” was simply a sign of indifference or sloppiness towards what we were saying in our letter.

This slogan leaves no room for the sectarian interpretation that Marxists would take no part in the workers strikes, struggles and insurrection against the Shah in the course of 1978-79; that we would stand aside and “take no sides” as if we were no participants in the events. But it also makes clear we give no support to the Islamists and Khomeini. Their ascension to power was no “partial victory”. It was not the positive culmination of an anti-Shah revolution – it was its gravedigger, Kerensky and Kornilov fused in one single character. The Mandelites, Morenoites, Hansenites, all saw the events of February 1979 in Iran as a “victory” despite the pro-Khomeini forces griping power. We believe history fully confirmed the Spartacist assessment. See: https://rr4i.milharal.org/1979/09/24/iran-history-takes-its-vengeance/

3. The main difference

Your analysis of the fall of Mubarak in Egypt in 2011, who was replaced by a military junta and his former prime minister; of the fall of the Shah in Iran 1979, who was replaced by Islamist forces with many of the same repressive apparatus ahead of the bourgeois state; of the results of the Russian February revolution of 1917, which although it dismantled the monarchy, guaranteed the continuation of the interests of the landowners and the big bourgeoisie, all as “partial victories” and the situation being “much better” than before are serious political differences. We see the replacement of the previous governments/regimes by capitalist politicians and in some cases clearly reactionary forces as the pathway to the abortion and destruction of the potential revolutions if not overcome by the working class in time, not a progressive stage within them. This would clearly lead to opposed concrete views in future revolutions.

It seems you equate those situations with repelling of imperialist invasions – since you compare them with the side the Fourth International took in Japan’s war against China and in a hypothetical war of England against Brazil (positions which we are in full agreement with, but which are describing a whole different scenario). We see the equivalent of these in the case of an imperialist or Shah coup/invasion against Iran, in which we would take the other side despite the fact that Khomeini was persecuting communists, women, homosexuals, etc. As we quoted to show you, so would the Spartacists of 1978/1979.

We also conceded that a recently empowered capitalist government might be forced to make certain concessions/reforms to control the workers’ movement or a mass movement and we can regard those (such as the nationalization of certain imperialist companies or the opening of some democratic space) as partial gains which must be defended. But this cannot be said about the actual results in the realm of government/regime change.

4. Trotskyism and imperialism

Our opposition to your view on revolutions has little to do with not recognizing that “change has stages”, but with the actual meaning of one of those possible stages. There are many variants of “stageism”, not only the Stalinist one. Our early comparison of your interpretation with a left brand of Morenoism was drawn from our experience here in Brazil with this political tendency, which sees “victories” for the proletariat in events which cannot at all be interpreted that way. And by doing so, they tend to mesmerize the workers and see “progressiveness” in victories of reactionary forces. While you do not openly say it, this is clearly the direction your analysis leads to.

We translated our article on the 2013 events in Egypt to show you this. On that occasion, you had a correct position because you identified the removal of Morsi as a reactionary movement by the Egyptian generals and their imperialist backers (which the Morenoites did not). But when the ascending bourgeois force or party is not so blatantly pro-imperialist, or when it tries to pose itself as “anti-imperialist”, you seem to see the result of its ascending to power as progressive, even when the results are so clearly and so quickly fatal to the working class (as in Iran).

While we have our own critical assessment of the Spartacist tendency, we claim its legacy as an important exception to the almost complete degeneration and lack of principles among the “Trotskyist” organizations in the post-war period. We do not believe there was a tendency of capitulation to imperialism in the Spartacist group from the get-go. We proudly claim their defense of Algeria and Angola against the imperialists in the 1960s and 1970s as important examples. We have also analyzed their opposition to the right-wing pro-imperialist coups d’état against Allende in Chile in 1973 and Torres in Bolivia in 1971. But their subsequent degeneration has led to various capitulations to imperialism. From their 1983 position on Lebanon, in which they simply condemned and disregarded an attack against the US Marines occupying the country, to their 2001 rejection of calling for the defeat of US troops in Afghanistan and finally their shameful 2010 support to the American occupation of Haiti.

On Israel and the conflicts with groupings of neighboring Arab countries, the Spartacists changed their position in the 1970s to one of double defeatism to both sides in the wars of 1948, 1967 and 1973. They sided with Egypt against Israel and the British and French imperialists in the war of 1956 and the IBT also took a position siding with Lebanon against Israel in 2006. Their consistent call was to defend Palestine and smash the Zionist state by socialist revolution made by both Arab and Hebrew workers.

Their analyses of the wars did not ignore the imperialist interests, but seemed to point to the fact that both sides in the wars of 1948, 1967 and 1973 were struggling for imperialist favor and the predation of Palestine, not fighting to expel the imperialist forces from the Middle East or defend Palestine, despite the fact that the imperialists preferred the Zionists as their main support in the region. Their position on 1948 was shared by the then Palestinian section of the Fourth International at the time of the conflict, while it had opposed the partition of Palestine and creation of Israel sponsored by both the U.S. and the Soviet Union. See: https://rr4i.milharal.org/2011/06/19/the-trotskyist-position-in-palestine/

We do not uncritically follow every position the Spartacists have taken and are open to reviewing some of their views, but we must stress that to make a correct analysis of this issue one must define what the axis of the conflict was and the level of imperialist involvement on the Israeli side and the Arab countries side.

While capitulation in the face of imperialist attack/intervention or pro-imperialist “mass movements” has been a hallmark of fake-Trotskyists which we must fight (see our analyses on Libya, Syria, Ukraine, Hong Kong, etc.) we believe capitulation to popular-frontism, nationalism and bourgeois leaders posing as “anti-imperialists” has also played a significant role in leading to the swamp most “Trotskyist” currents are in. Often, these two forms of capitulation are found in the same tendencies. The destruction of the Fourth International by the Pabloists had the latter as its main feature. The betrayal of the 1952 Bolivian revolution by the FI involved their capitulation to a bourgeois government posing as “anti-imperialist”, which led to disaster. Same role was later played by revisionists in Algeria, Indonesia, Sri Lanka, Brazil, etc. etc.

Our recent position on Venezuela, entitled “Down with the imperialist threats against Venezuela! No trust in Maduro’s authoritarian regime!” is a testimony on how we are opposed to both “types” of degeneration of the Marxist perspective. See: https://rr4i.milharal.org/2019/01/30/down-with-the-imperialist-threats-against-venezuela-no-trust-in-maduros-authoritarian-regime

5. Farewell comment

As for us being stubborn about our positions, we do not deny that in the least, but we are definitely not dishonest. To the very end we honestly tried to convince you to our best ability, in a language neither of our groups is fluent at. We viewed discussions with you as a serious opportunity of regroupment. We actively pursue discussions with groups and individuals internationally, in an attempt to build an international tendency on the basis of our positions. We will continue to stubbornly do that!

One week before sending your letter on September 14, you showed desire to publicize the content of our exchanged letters, and asked if we were OK with the posting of our letters to you. This indicated to us that the discussions were over on your part, although you ignored our direct questions about it. We clearly stated to you: “We’re OK with making it public, but we’ll probably want to respond to your letter as well. Will it be added then?” To our surprise, you chose to post only your side of the discussions. We will post the entire content of the discussions on our website (including your letters to us). We ask you do the same on your website for an honest representation of both sides’ views.

Revolutionary greetings,
Icaro Kaleb
For Revolutionary Regroupment
28 September 2020

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BEA to RR/BL (14 September 2020)

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Published under the title “Imperialism, National Liberation and Permanent Revolution and also, a reply to the RR and BL”

This article is an answer to RR (9 July 2020, “RR and BL to BEA”). At the same time, for us struggling to establish the international leadership of the working class, the most important condition for overcoming the human crisis, we hope this article will contribute to the establishment of the right revolutionary program.

1. The repetition of straw man logic

Since the beginning of mutual dialogue in 2018, RR has argued that our position in Iran 1979 is to seek and support the rule of Khomeini. It is groundless and stubborn slander.

The position on Iran in 1979 is a very important programmatic point. For that reason, we have made our position clear several times.

The followings are the representative articles.

Summary of Our Thought on “Islam Revolution” in 1979 in Iran

Contributed in 29th May 2018 for the internal debate: Iran, nationalism and imperialism

Defend Iran against imperialist colonial aggression!: Promote the victory of the anti-imperialist liberation struggle to the socialist revolution!

This position is in full accord with Lenin and Trotsky’s position on the struggle for national liberation in colony. We just applied the lesson to the 1979 Iran situation.

In the face of the Iran-U.S. conflict in 2019, RR, BT, IBT, ICL, and IG fought to defend Iran. In other words, it supported the position of military alliance with the current Islamic leadership of Iran in the conflict against U.S. imperialism. We judge that this indirectly sympathizes with the anti-Shah, the stooge of the U.S imperialism, military alliance line in January-February 1979.

In our two replies in March and August 2019, we pointed out the straw man fallacy and asked for its grounds.

This sentence of comrades [“To support the ascent of Khomeini to power would have been a strategical, political form of support which would only sown illusions and false expectations in the results of the Islamists’ rise to power.”(RR to Bol EA)] is the creation of a strawman. We have never insisted on “helping or supporting” Khomeini’s ascension to power. We have consistently been wary of “infusing illusions and false expectations on the Islamists’ rise to power.” Lenin’s April thesis in this regard is a key example of our tactics. I want you to point out which part did we insist on “helping or supporting” Khomeini’s grip on power, or the part that could be interpreted as such. ―Aug 2019, Bol EA to RR

But now, a year later, as if there was no document from August 2019, RR endlessly distort and slander our argument with the straw man logic without giving any grounds.

In our view, calling Khomeini’s rise to power a “partial victory” (or in your particular wording a “victory for the left-wing guerrillas and the working people”) seems to be implicit of a call to power, albeit critically. ― 3 page, RR’s 9 July 2020

To call such a thing a partial victory amounts to critical support of Khomeini’s ascension to power, which would be by definition “critically” supporting Khomeini’s grip on power (albeit contradictorily for the purpose of positioning his overthrow). ― 3 page

But this position has stagist implications. It certainly sounds like you are calling to side with Khomeini until his ascension to power. ― 4 page, (every emphasis is of Bol EA)

RR only presents their sensory organs as the grounds.

To make an opponent prone to attack, use extreme expressions ridiculously frequently.

You have the claim that imperialist involvement in itself is the defining factor, so that Marxists should always just oppose imperialists on whatever side they choose as a question of just anti-imperialism. We agree taking this factor into consideration is crucial. But with such methodology you limit the issue to just imperialism. This methodology is very mechanical, imperialist presence helps us choose which side, but is not the sole determiner.…Even in neo-colonies, this of course helps us build the picture, but cannot be the absolute factor in itself. ―1page

This is a dishonest and obstinate attitude. With this dishonest and illogicality, Marxist science cannot be dealt with productively. 

2. The real slogan of the iSt: (a) Down with Shah! Break with Mullahs! vs (b) Down with Shah! Down with Mullahs!

This issue was analyzed and explained in detail in the August 2019 reply that ‘(a) is right and (b) is problematic.’

But RR still reiterates the argument that at that time iSt was no problematic and ‘(a)=(b).’, while we are wrong. In other words, future opportunistic interpretations of the iSt families are only a problem, and iSt’s position at that time was ‘(a)=(b).’

We see our analysis in the last letter as correct, but we may be wrong. We do not perfectly understand the internal circumstances and history of iSt at that time.

Let us leave this matter to our readers, including the iSt tradition (ICL, IBT, BT, IG).

They might answer these two questions.

1) what is right?

a: Down with Shah! Down with Mullahs!

b: Down with Shah! Break with Mullahs!

c: a=b

2) what is/was the real position of the iSt then and now

3. On the Brazil question

We, in August 2019, said to confirm each other’s commonality.

“But you comrades have a similar position with us in tactics in Egypt, Turkey, Libya, Brazil and Syria, which have been the big issues between IBT and us.”

Then, RR sent this opinion in July 2020.

“Speaking of Brazil, we know for a fact the PT government was in excellent terms with the imperialist powers during its entire existence. The coup, which never got to a physical confrontation, was much more a result of internal questions than of imperialist meddling/intervention. This is because imperialist interests were never at stake.”

RR is speaking of Brazil that “imperialist interests were never at stake [in the 2016 coup]”

* * *

We judge that Brazil is a neo-colony.

In other words, it was capitalized by the initiative of imperialist financial capital. The dominant capital, such as banks and key industries, was built for the super-profit of imperialist financial capital, and is directly and indirectly controlled by it. The national governance system, such as politics and military, was built around the interest of imperialist financial capital.

Exploitation is supported only by violence. Therefore, the army, the intelligence department, the police, etc. have a close relationship with imperialist financial capital. This is why there have been so many coups in the neo-colony, while there few in imperialist countries.

We think Brazil also shares these characteristics and history. And we need synchronic and diachronic studies on Brazilian capitalism.

RR says, “imperialist interests were never at stake. [on 2016 coup]”, but there are quite a few reasons not to say “never.”

“Michel Temer’s ties to the U.S. government, as revealed by WikiLeaks’ Public Library of U.S. Diplomacy, add to the growing body of evidence that the parliamentary impeachment of Brazil’s democratically-elected president, Dilma Rousseff, was supported by allies in Washington.”―WikiLeaks: Brazil’s Acting President Michel Temer Is US Diplomatic Informant, May 13th, 2016

“Instead of strengthening regional institutions, Temer’s policy promotes free trade, seeks to privatize state owned companies, and prioritizes economic relations with the United States and European nations.”―Council on Hemispheric Affairs, The Temer Administration and the Threat to the Southern Regional Integration Process, July 20, 2016

“We need class actions – not vague “movements,” but concrete measures – such as real, not symbolic, strikes and plant occupations to sink the budget cuts, the privatizations and the “reforms” ordered by big capital and imperialism, which is applying in Brazil the same program as in Greece.”―IG, Brazil: No to Impeachment!, April 2016

“LEAKED CONVERSATIONS BETWEEN Brazilian officials reveal the inner workings of a secretive collaboration with the U.S. Department of Justice on a sprawling anti-corruption effort known as Operation Car Wash. The chats, analyzed in partnership with the Brazilian investigative news outlet Agência Pública, show that the Brazilians were extremely accommodating to their U.S. partners, going out of their way to facilitate their involvement in ways that may have violated international legal treaties and Brazilian law.”—The Intercept, 12 March 2020, “KEEP IT CONFIDENTIAL” The Secret History of U.S. Involvement in Brazil’s Scandal-Wracked Operation Car Wash

“after NSA documents leaked by Snowden revealed that the US electronic eavesdropping agency had monitored the Brazilian president’s phone calls, as well as Brazilian embassies and spied on the state oil corporation, Petrobras.”—Guardian, 24 Sep 2013, Brazilian president: US surveillance a ‘breach of international law’

We are not fully aware of the specific situation of Brazilian history and social organizations. But at the very least, we know that the words “imperialist interests were never at stake.” is dangerous words that is very likely to be wrong.

Looking at the answers to this question like that, we got a glimpse of how naive and frivolously RR deals with the important question even in Brazil.

4. “Victory”

For RR, the key word in their last reply to us is ‘victory.’ The word ‘victory’ is repeated 37 times from beginning to end in a six-pages long document. And this word is evenly distributed throughout the text (3 times in 1page, 11 in 3page, 14 in 4page, 5 in 5page, 4 in 6page).

For RR, who never wants to lose, this question was perhaps the most embarrassing subject.

This ridiculous argument also began as soon as the conversation began. We explained that the resignation of Egypt’s Mubarak in 2011 and the fall of Iran’s Shah dynasty in 1979 were similar social phenomena to that of Russia’s Tsar in 1917. Then RR said:

“Their coming to power is never described as a “victory” or “partial victory” of any kind by Lenin or Trotsky, but as a maneuver of the bourgeoisie to fool the masses.”

We explained the ‘ambivalence of matters’ in two replies, in 7 Dec 2018 and 15 March 2019. And introduced the February Revolution to the references of Trotsky and Lenin, who call it “victory” and we expected that this ridiculous debate on whether we can call it partial victory or not, would finish.

* * *

However, this time again, RR mentioned only one side of its’ face, repeating, ‘We cannot call them victory.’

The RR presents the fate of the Bolsheviks after the provisional government took power and the Iranian communists after Khomeini, as the basis for the events not to be and should not be called victory.

You say “We do not agree to describe this conflict simply as a bourgeois internal struggle”, but the results of such a victory – mass repression against communists, shows that it really was definitely (though not “simply”) a struggle between two factions of the bourgeoisie, with once taking power they can turn their guns against the masses that brought them into power.―1page

The expropriation of certain American companies and other issues may have been partial victories, but the process that led them to jail cannot be considered a partial victory, which is why they were soon after reversed and also combined with very reactionary measures. ―4page

In July 1917, under Kerensky’s interim government, Bolshevik was outlawed and threatened to death, and the leadership, including Trotsky, was imprisoned. Nevertheless, when Kornilov staged a coup in August, Bolsheviks went on a military alliance with the interim government of Kerensky.

In “On the Sino-Japanese War (1937)”, Trotsky insisted on an united front with the Kuomintang against Japanese imperialism. Chang Kai-shek of the Kuomintang was the one who crushed the Chinese Communist Party and massacred communists in 1927. Trotsky proposed to the Communists to form a military alliance with the Kuomintang of Chang Kai-shek. Perhaps RR never understood the meaning of the tactic if RR had not known that the writer of it was Trotsky.

In “Anti-Imperialist Struggle is Key to Liberation,” 23 September 1938, Trotsky argued that if Britain and Brazil clash militarily, even if the Brazilian regime is semi fascist, it should stand on Brazil’s side against democratic Britain. So, should the Brazilian Communists participating in the military alliance be promised in advance by the Brazilian fascist to guarantee the revolutionary activities of the Communist Party and legalization of the Communist Party?

* * *

The fate of communists, does not depend on the tolerance of the capitalists, domestic or foreign. But it depends on the scientific understanding on the mechanism of class struggle, and relationship of forces, leadership, and success or failure of class struggle.

If one does not understand the dialectical nature of the development of events, such as the two faces of things and the change and development, it is difficult to understand the revolutionary dynamics from February to October in 1917.

Not understanding it means not understanding the revolution. Rather than a revolutionary, then, it would be more of what Trotsky said in “Ultra lefts in General and Incurable Ultralefts in Particular.”

It doesn’t matter whether you call the events “victory” or not. What’s important is that the overthrow of Egypt’s Mubarak in 2011, the overthrow of Iran’s Pahlavi dynasty in 1979 and the collapse of Russia’s Tsar in February 1917 brought considerable results to the working class, while causing fatal losses to the ruling class. And it provided a springboard for the socialist revolution.

The fate of the working class and communists does not depend on the springboard or name of it, but on how to use it. Will it be used as a springboard for the revolution or as a springboard for the gallows?

We call “a large animal with four legs, a mane (= long thick hair on its neck) and a tail. being used for riding on, pulling carriages, etc.” a ‘horse’ in English and ‘cavalo’ in Portuguese. But it doesn’t matter whether you call it ‘horse/cavalo’ or not. Regardless of your naming of it, the horse will be running on the meadow.

5. The Theory of permanent revolution and stagism

RR also charges us as stagists. Of course, the evidence is only in their sensory organs as well.

You say: “From the beginning of the revolution on January 7, 19, until the collapse of the military on February 11, 1979, we struggle with Khomeinites to overthrow the regime. At the same time, we unconditionally protect the political and organizational independence and warn the working class of the reactionary nature of the Khomeinites. After the victory of Anti-Shah struggle, we struggle to build the workers’ power”.

But this position has stagist implications. It certainly sounds like you are calling to side with Khomeini until his ascension to power, and after this stage of overthrow, then we would struggle to build workers power. If that is the case, it contains within it a nucleus of a stagist position.

Our tactics, “sounds like” a stagist theory to you, are the application of Bolshevik’s during the Russian Revolution of April, August and October in 1917 and Trotsky’s teachings to Iran. But RR takes issue with it. It is slandered by saying that it is a stagist theory reminiscent of Menshevik or Stalinism.

We cannot win over the partner who are struggling against their own imagination. And there is no gain to win.

However, the iSt tradition of succumbing to imperialism has rationalized its opportunistic neutral position by using the theory of permanent revolution, and has distorted it in the process. Therefore, an explanation of this question is needed, in order to defend the theory of permanent revolution from opportunism. As such, the letter of August 2019 has already well explained it, but it will be supplemented again.

1) No Stages? Change has stages.

Everything, always, changes/moves. However, it maintains a form of movement such in a certain period of time. This form of movement has a continuity with them of before and after, but at the same time is distinguished. This is a stage.

Stages are observed in both water changes, human growth and social development. In the Russian Revolution, the periods of February, April, July, August and October were distinct from those of the previous ones, respectively. Lenin and Trotsky’s internal struggles were devoted to getting Bolshevik to understand the very difference in timing. Differences in the objective situation, differences in relationship of forces, status of the ruling class, and changes in the conscious and organizational readiness of the working class.

2) The Problem of Menshevism and Stalinism

The problem of Menshevik and Stalinist stagist thinking is not in recognizing the existence of stage. But it is in reducing the stages of historical development of mankind as the stages of a nation. Thus, it is a mechanistic thought that believes that every country must go through all stages of historical development of mankind. In other words, they think that capitalism should first go through in underdeveloped countries including such as Russia, China etc., where capitalism has not developed enough yet. So, they succumb to the capitalist class. Falling into the popular front, class-collaborationism, they are later exposed defenselessly to the counterattacks of the capitalist class (with imperialism).

3) The Value of the theory of Permanent Revolution

The value of theory of permanent revolution lies in looking at the development of a country as a dependent condition of global development. In other words, the theory of permanent revolution identifies the world as an organic system, not a simple collection of each country. In the organic system of the world, the law of uneven and combined development penetrates in each country. Therefore, a country does not necessarily have to take the stage of capitalist development. A country’s deficiency can be overcome through the world revolution.

The working-class revolution overthrowing the imperialist rulers in advanced capitalist countries and the struggle for the national liberation of colonies against imperialism are two forces that promote and complement each other in the course of the transformation of the organism of the world into socialism.

Marx, Engels, Lenin and Trotsky understood this point, and explained it to us on several occasions. Here, we are quoting the representative sentences.

Marx and Engels:

“Now the question is: can the Russian obshchina, though greatly undermined, yet a form of primeval common ownership of land, pass directly to the higher form of Communist common ownership? Or, on the contrary, must it first pass through the same process of dissolution such as constitutes the historical evolution of the West?

The only answer to that possible today is this: If the Russian Revolution becomes the signal for a proletarian revolution in the West, so that both complement each other, the present Russian common ownership of land may serve as the starting point for a communist development.”―The 1882 Russian Edition, Communist Manifesto

Lenin:

“Social-Democracy…must utilize the struggle of the young colonial bourgeoisie against European imperialism in order to sharpen the revolutionary crisis in Europe.

“The dialectics of history are such that small nations, powerless as an independent factor in the struggle against imperialism, play a part as one of the ferments, one of the bacilli, which help the real anti-imperialist force, the socialist proletariat, to make its appearance on the scene.

“We would be very poor revolutionaries if, in the proletariat’s great war of Liberation for socialism, we did not know how to utilize every popular movement against every single disaster imperialism brings in order to intensify and extend the crisis.”―The Discussion On Self-Determination Summed Up, July 1916

“Hence, the socialist revolution will not be solely, or chiefly, a struggle of the revolutionary proletarians in each country against their bourgeoisie—no, it will be a struggle of all the imperialist-oppressed colonies and countries, of all dependent countries, against international imperialism…We said that the civil war of the working people against the imperialists and exploiters in all the advanced countries is beginning to be combined with national wars against international imperialism. That is confirmed by the course of the revolution, and will be more and more confirmed as time goes on. It will be the same in the East.

“It is self-evident that final victory can be won only by the proletariat of all the advanced countries of the world,…But we see that they will not be victorious without the aid of the working people of all the oppressed colonial nations, first and foremost, of Eastern nations. We must realize that the transition to communism cannot be accomplished by the vanguard alone.”―Lenin, Address To The Second All-Russia Congress Of Communist Organisations Of The Peoples Of The East, Nov 22, 1919

Trotsky:

9. The conquest of power by the proletariat does not complete the revolution, but only opens it. Socialist construction is conceivable only on the foundation of the class struggle, on a national and international scale. This struggle, under the conditions of an overwhelming predominance of capitalist relationships on the world arena, must inevitably lead to explosions, that is, internally to civil wars and externally to revolutionary wars. Therein lies the permanent character of the socialist revolution as such, regardless of whether it is a backward country that is involved, which only yesterday accomplished its democratic revolution, or an old capitalist country which already has behind it a long epoch of democracy and parliamentarism.

10. The completion of the socialist revolution within national limits is unthinkable. One of the basic reasons for the crisis in bourgeois society is the fact that the productive forces created by it can no longer be reconciled with the framework of the national state. From this follows on the one hand, imperialist wars, on the other, the utopia of a bourgeois United States of Europe. The socialist revolution begins on the national arena, it unfolds on the international arena, and is completed on the world arena. Thus, the socialist revolution becomes a permanent revolution in a newer and broader sense of the word; it attains completion, only in the final victory of the new society on our entire planet.―10. What is the Permanent Revolution? Basic Postulates

“In Brazil there now reigns a semi fascist regime that every revolutionary can only view with hatred. Let us assume, however, that on the morrow England enters into a military conflict with Brazil. I ask you on whose side of the conflict will the working class be? I will answer for myself personally—in this case I will be on the side of “fascist” Brazil against “democratic” Great Britain. Why? Because in the conflict between them it will not be a question of democracy or fascism. If England should be victorious, she will put another fascist in Rio de Janeiro and will place double chains on Brazil. If Brazil on the contrary should be victorious, it will give a mighty impulse to national and democratic consciousness of the country and will lead to the overthrow of the Vargas dictatorship. The defeat of England will at the same time deliver a blow to British imperialism and will give an impulse to the revolutionary movement of the British proletariat. Truly, one must have an empty head to reduce world antagonisms and military conflicts to the struggle between fascism and democracy. Under all masks one must know how to distinguish exploiters, slave-owners, and robbers!”―Anti-Imperialist Struggle Is Key to Liberation, Sep 1938

As such, the specifically established the theory of permanent revolution through Marx, Engels, Lenin and Trotsky looks at the imperialist world system as a single organism, and deploys a country’s revolution in international relations. On the other hand, the core of Menshevism and Stalinism, which we call stagism, is a one-national view of a country’s class relations by separating them from the world system and looking at them in isolation.

But from a one-national point of view, there is not just Stalinism, “socialism in one country.” The degenerated Trotskyists also shared the one-national point of view (“Capitalism in one country?”). Among the degenerated Trotskyists, there has been a tendency to remove imperialist and international factors from the class conflicts in a country or a region, especially in colony.

After Trotsky’s death, and after World War II, the Fourth International, whose main branches were mainly located in imperialist countries, began to be weighed down by imperialist pressure, and a programmatic degeneration occurred. Revolutionary continuity was inherited to some extent in the question of the degenerated/deformed workers’ states which was a hot point of struggle in Trotsky’s last years. It is undeniably significant contribution to Marxism. However, starting with the Israel-Arab war in 1948, a programmatic degeneration occurred in colonial-imperialist affairs.

The iSt camp was the most radical tendency within the increasingly regressive Fourth International. The iSt maintained a revolutionary line in the question of the degenerated/deformed workers’ states such as the Soviet Union, North Korea, China, Cuba and Vietnam. However, in the issue of imperialist-colonial conflict, the revolutionary attitude was not consistently maintained.

After taking a neutral stance in the Israel-Arab War in 1948, the tradition of looking at class struggles in certain regions or countries from a one-national perspective began without looking it internationally. It eroded a lot the so-called Trotskyist camp, including the iSt. In particular, it has frequently taken an inconsistent attitude toward the issue of imperialism especially in the Middle East. It took a frequent neutral stance, claiming that the struggle within the colonies was just a struggle between two bourgeois or two reactionary forces. Since then, such a neutral attitude has become chronic. Now, it takes a neutral stance on some complicated and difficult issues. Let’s check some remarkable examples. (We have been working on this long-term project.)

ICL: against Yeltsin in Aug 1991 in Russia

IBT: on Moscow coup in Oct 1993 in Russia

ICL, IBT, IG: Libya in Feb 2011, Syria in April 2011

ICL, (IBT), IG: Egypt in 2013

ICL, IBT, IG: Euromaidan in Ukraine in 2016

ICL, (IBT), IG: Turkey in 2016

ICL, (IBT): Brazil in 2016

* * *

Human society, which emerged at the end of the evolutionary process of things, is the highest level of complexity. The revolutionary movement is the act of scientifically understanding the highest level of complex objects and intervening in the process of their transformation. Marxism is the highest level of scientific analysis framework for society and its transformation. And it is possible to maintain Marxism only when you can withstand the pressures of this imperialist society.

However, there are those who want to understand society and revolution as black-and-white logic and the four arithmetical operations. They do not understand the basis of the dialectic of ‘unity and conflict of opposites’, relationship of matters and endless movement of things. To bring down and distort the essence of an object to their own level of understanding. It is also a kind of idealism.

Here’s the conclusion from the last two years of talks with RR. Further dialogue is unproductive, whether it is under pressure or because of a lack of intellectual sincerity to understand Marxism. But through that conversation, we have become more able to understand more specifically about one of the most important issues of this time. Hopefully this can contribute to the construction of an international revolutionary party in the future.

14 SEP 2020
Bolshevik EA

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RR and BL to BEA (9 July 2020)

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Dear Comrades of Bolshevik East Asia,

We are sorry for the late reply. We view your letter is a huge step forward towards a common international program and organization. Nevertheless, we think that there are still differences and misunderstandings. Our goal in this letter is to hopefully clarify and elaborate and hopefully reach common ground on the Iranian question so that we can focus on other areas of discussion we have not yet started.

“What is different?” or the role imperialism plays internationally

We welcome your statement that our position on Libya and Syria contribute to the reconstruction of the international socialist movement. However, we do not believe our line on Iran in 1979, derived from the Spartacist line at the time, is in contradiction with this. The SL repeatedly stated, as you yourselves are aware, it would side against an imperialist or Shah military reaction against the ongoing mass struggle, and against the Iranian people as a whole.

The fact that imperialists “have a part” in what is going on does not change “the fact that a faction of the bourgeoisie was attempting to remove another from power to better repress and exploit the proletariat or an oppressed nation.” (as you quote from us). It rather makes it clearer.  We never attempted to hide or deny the role of imperialist intervention in Syria/Libya or Iran.

You say “We do not agree to describe this conflict simply as a bourgeois internal struggle”, but the results of such a victory – mass repression against communists, shows that it really was definitely (though not “simply”) a struggle between two factions of the bourgeoisie, with once taking power they can turn their guns against the masses that brought them into power.

Let us examine our differences between our methodologies on determining whether or not workers should take a dispute on certain issues. You have the claim that imperialist involvement in itself is the defining factor, so that Marxists should always just oppose imperialists on whatever side they choose as a question of just anti-imperialism. We agree taking this factor into consideration is crucial. But with such methodology you limit the issue to just imperialism. This methodology is very mechanical, imperialist presence helps us choose which side, but is not the sole determiner. We say that the criteria is if the victory of one side over the other represents a qualitative change on the conditions of the working class for class struggle. That is when there are real concrete differences between the sides in which a victory of one would serve in the interests of the proletariat.

For example, on the hypothetical Fascist coup in Germany Trotsky discusses in his book, Schleicher vs. Hitler. We would take a side because it would be beneficial for the workers to avoid it, not because of the other side being more pro-imperialist – which your methodology implicitly upholds. Even in neo-colonies, this of course helps us build the picture, but cannot be the absolute factor in itself, especially since at times there won’t be much difference on which side is “more pro-imperialist”.

We have not researched Turkey in depth, but if we should take a side on this confrontation it wouldn’t be because Erdogan had less pro-imperialist connections than his generals who attempted the coup. Speaking of Brazil, we know for a fact the PT government was in excellent terms with the imperialist powers during its entire existence. The coup, which never got to a physical confrontation, was much more a result of internal questions than of imperialist meddling/intervention. This is because imperialist interests were never at stake. Still, we take a side in it because it was a conflict in which the removal of the government by a reactionary band of right-wing forces accelerated attacks against the workers and the poor.

Our take on events like this has nothing to do with the IBT neutralism, which uses a technical issue (the type of imperialist involvement) to declare themselves “not taking sides” as quickly as possible. We are, instead, telling you that imperialist involvement on one side is a defining factor for Marxists, but not the only one. And also that on several occasions in which we should take sides in intra-bourgeois confrontations, this criteria alone may not be sufficient.

On the slogans

When you say “This ‘Down with the shah Down with the mullahs’ was an ‘ultra-leftist’ and ‘sectarian (Feb. 10, 1979)’ slogan which was controversial within SL” I think there is some misunderstanding. In the quote you referred to they do not call their old slogan “ultra-leftist” or “sectarian”. Or consider this change in slogan a line change at all. The “Slogans on Iran” motion makes this explicit saying:

“The slogan ‘Down with the shah, Down with the mullahs’ expresses the strategic Marxist perspective for the outcome of the Iranian revolution: a life without the shah and without the mullahs”.

According to the motion, they had amended the slogan because it didn’t best display the position they had, and it could potentially be interpreted and used for sectarian purposes if it were to be allowed to – which the ICL and I/BT eventually went on to do, so their assessment in 1979 was quite correct. That shows the flaw of the slogan, yes. But it is not calling the slogan sectarian but it being not as precise enough to display their same line as before – in their words it “lacks a tactical element (but not a principled one!)” as it had an implication of “equivalency between the shah and the Mullahs”, as such adopting a new slogan which “cuts through the possible [our emphasis] misuse of either of the other slogans”.

On the reason it was hidden in future publications, this most likely occurred because the SL liked “angular” slogans (which they themselves addressed in the same motion complaining that this new slogan does its job “less angularly and forcefully”). It was also easy for the real SL leadership in New York to ignore a correction from the IEC of the iSt because it was a bureaucratic organization. We have no doubt that within time in the SL, this “abstentionist” view started to consolidate. That is valid for the IBT too, especially Riley. The motion prophetically predicted this, stating:

“In the hands of revolutionary Marxists the slogan was used to express the correct program; in other hands it could be used to mask a sectarian program”.

The original slogan certainly could be used for sectarian purposes, and it certainly did serve that purpose in the end for Riley, but was the slogan that way originally? We do not think so, and neither did this correction.

WV 219 loudly states “Down with the Shah! Down with the Mullahs!” in its title. Does this mean “ultra-left abstentionism”? Well when referencing the strikes that occur they acknowledge its limitedness in that is has subordinated itself to a common program as the Mullahs:

“However, the leftist students and striking workers seem united to the bourgeois liberals and Muslim clergy by a common “democratic” program directed against the shah: the end of martial law, freeing of political prisoners and replacement of the monarchy by a parliamentary regime.”

Yet, they explicitly call for “victory to the strikes”! This is quite the opposite of abstaining from the struggle in spite of having such a program. In fact the SL later in the article says this point blank:

“An Iranian Trotskyist party must join in the struggle for bourgeois democratic demands. But this is inseparable from an irreconcilable opposition to the mullahs’ reactionary drive. The struggle for a sovereign, secular constituent assembly, land to the tiller, women’s rights, smashing SAVAK and the monarchy and the right to self-determination for Iran’s oppressed nationalities are impossible without the independent mobilization of the working class”. [Our Emphasis]

These quotes, in no uncertain terms confirm that despite the SL having the old slogan, they still had the position of “Down with the shah! No support with the Mullahs!” and that both the old and updated slogan were not abstentionist, in fact quite explicitly for intervening in the struggles for bourgeois democratic demands.

Iran

The description of the regime after the ascension of Khomeini as “much better than the shah”, like a “partial victory”, just like the SWP, the Mandelites, and the Morenoites is our key difference. In our view it is rather an aborted revolution, due to prominence of Islamists, lack of independence of the working class and lack of revolutionary party. Its result ended up a maneuver of a section of the ruling class in order to maintain capitalism. Would you agree with this key issue? We view it is a foundational point of this whole question.

Let us clarify on where we think you “insist on ‘helping or supporting’ Khomeini’s grip on power, or the part that could be interpreted as such”. In our view, calling Khomeini’s rise to power a “partial victory” (or in your particular wording a “victory for the left-wing guerrillas and the working people”) seems to be implicit of a call to power, albeit critically. What else would this victory be? A victory we don’t call to happen (and admittedly aim to go beyond)? To call such a thing a partial victory amounts to critical support of Khomeini’s ascension to power, which would be by definition “critically” supporting Khomeini’s grip on power (albeit contradictorily for the purpose of positioning his overthrow).

We would participate with our own banner in popular insurrection even with the participation of followers of Khomeini. But we do not consider their consolidation of power, although unstable, in the hands of his political forces a partial victory. You say it is a victory for Khomeini and also the working class – that is a contradiction, these days you cannot have both. It cannot be a “victory for the Khomeinites. But at the same time, it was also a victory for the left-wing guerrillas and the working people”. It may seem like so to some (as it certainly did for the SWP, the Morenoites and the Mandelites too). But Marxists know class struggle in the time of imperialist decay cannot work like this.

We can recognize some partial victories (on the economic level, for example) that they were forced to concede, but the movement in itself, their grip on power, cannot be considered a victory, albeit partial, at all. The fact that a section of the bourgeoisie was able to take the grip of power means the change as a whole can’t be considered a partial victory or a victory for the working masses. Proof of that is that the Mandelites and the Iran CP were jailed – no partial victories would lead to that. The expropriation of certain American companies and other issues may have been partial victories, but the process that led them to jail cannot be considered a partial victory, which is why they were soon after reversed and also combined with very reactionary measures. Marxists are willing to recognize those partial progressive measures and defend them (even if they are taken by the most reactionary regime). But to call the movement which led to the ascension of the Khomeini group to power (although still unstable) a “partial victory” is different. It masquerades the meaning of his ascension.  That is the difference between Marxism and Mandelism, the SWP, Morenoism, etc.

While we are happy you agree with the line “Down with the shah, No support to the mullahs”, that shows an inconsistency in your argument. Calling for no support to the mullahs would not be calling their ascension a “partial victory”. No support to the Mullahs would mean we wouldn’t see their rise to power as a victory of any kind. You say that the working people “went beyond Khomeini’s control and toppled the military directly” which we think is a testament to the potential of the working people of Iran, and that confirms even more that a call “Down with the Shah, no support to the Mullahs! Workers to power!” could have great effect in exposing the reactionary nature of the Mullahs and help the Iranian masses move forward. But it does not change the fact that Khomeini had already taken over the lead and grip of power after this confrontation.

What position should have been raised? Permanent Revolution vs Stageism

You say: “From the beginning of the revolution on January 7, 1978, until the collapse of the military on February 11, 1979, we struggle with Khomeinites to overthrow the regime. At the same time, we unconditionally protect the political and organizational independence and warn the working class of the reactionary nature of the Khomeinites. After the victory of Anti-Shah struggle, we struggle to build the workers’ power”.

But this position has stagist implications. It certainly sounds like you are calling to side with Khomeini until his ascension to power, and after this stage of overthrow, then we would struggle to build workers power. If that is the case, it contains within it a nucleus of a stagist position. Marxists defend the need for workers’ power without the need of establishing any previous bourgeois regime (“with the Khomeinites”). That is the sole interpretation of Permanent Revolution for the defeat of reactionary regimes in backwards nations.

On this question, you appear to be using a similar methodology to Morenoites, and as such it may be worth drawing parallels with how the Morenoites saw Egypt in 2011, when the dictatorship of Mubarak was toppled. Would the ascension of the Muslim Brotherhood and other bourgeois forces to power in Egypt in 2011 be considered a “partial victory” after the fall of Mubarak? The democratic gains are partial victories, yes, but with the leadership and program, which can’t be ignored – we cannot consider this in general a partial victory just because the masses waged a mass struggle against the regime and it fell.

In WV 217, it explicitly details the problem the SL has with the Mullahs, that is, their program represented reaction. They correctly point out that the workers’ strikes that aroused from this period had a distinctly different character. It, in distinction from the Islamists led protests, had a sharply proletarian character. The urbanized and even secularized proletariat which reared its head were brushing against the Mullahs movement itself.

As the article said “The workers’ strikes are clearly seen as distinct from the mullah-led protests. This was made explicit when strikes by taxi drivers, government, airline, hospital and postal employees, among others, broke out and the merchants of Tehran unexpectedly opened the city’s main bazaar, which had been shut down in support of Khomeini and the mullah-led religious opposition. They wanted, said the merchants, “not to confuse the issue with the other strikes” (UPI dispatch. 8 October)” not to mention that “The airline strikers, for example, steadfastly refused to fly some 20,000 pilgrims to Mecca (the shah intervened to offer the pilgrims transport in air force planes in an attempt to refurbish his religious credentials.)” (WV 219) effectively acting as a strike breaker.

This posed the question of proletarian independence point blank. You cannot support the movement as a whole as well as supporting the strikes – it showed that a victory of the workers cannot be at the same time a victory of Khomeini. To join in certain struggles on a case by case basis with the Khomeinites, that is one thing. We take a side in certain confrontations, not just in general, “with the Khomeinites” for the fall of the Shah. One is concrete, the other is taking the side of the “anti-shah revolution”, which is abstract, doesn’t clarify the class character of the Shah defeat. But if Trotskyists were in Iran at the time, how could one reconcile the struggle of these workers with a general support to a movement politically dominated by the Islamists when they rose to power? Only by championing such a proletarian pole would Trotskyists be able to win the support of these workers, as such as opening an opportunity for the Islamist led movement to potentially have a split to the side of the workers.

You ask, “who will comrades fight against on whose side ‘temporarily’ when Rousseff and the rightists fight?” In our view, the struggle between PT and the rightists was not militarily based. Also, this is a different situation because the PT was the one already in power, not trying to obtain it. If today, in Brazil’s reactionary government of Bolsonaro, there was a mass revolt with the PT playing a part in it and it ended up with them in power, protecting the bourgeois regime and its institutions, we might side with the PT on certain confrontations, but we would definitely not call the results a “partial victory”, neither say the outcome is “much better” than before. The whole structure of the bourgeois state would be preserved because of the brake the PT ascending to power would be. (All this is of course hypothetical since the PT is extremely legalist). If PT succeeded in taking power over the government, would that count as a “partial victory” to the Korean comrades? And if that is so, shouldn’t we be calling to vote for them?

During the coup that removed the PT, we took a side when the rightists advanced but we did not call for the PT to “stay in power”. Defeating the coup would be a partial victory only in the sense of their not being removed by a reactionary movement, not because they stayed in power. We called for workers’ unity as a class against the rightist maneuver. The equivalent here would be a shah or imperialist coup against Khomeini after he had gotten to power. We state that we’d be on the side against American imperialism if they invaded Iran. But this is two different situations. As such, this example you have brought up does not seem to justify their call for the rise to power of Khomeini and calling that a “partial victory”.

The understanding of the February revolution and where it is similar and where it is different is crucial – the February revolution was a proletarian insurrection! But the proletariat was not ready to take power; its opportunist leaders gave the power to the bourgeoisie. The collapse of the Shah regime was not a proletarian insurrection, although it had an element of popular support, of course.  In 1979, the Islamists took over power, despite the fact they did it as part of a larger bloc of forces and therefore couldn’t immediately apply their full program. There were partial victories in 1917 – the creation of the soviets, the establishment of socialist cells in the army, the toppling of the monarchy by a workers insurrection. But we do not consider the process as a whole to be a “partial victory” either. To describe the 1979 movement as that is just WRONG. It was a movement with potential for revolution. But change in power led by the Islamists was NOT the path for that. It was the path for burying the movement. We know comrades here agree with us, but your position of “partial victory” betrays this.

Today SL, IBT and BT alike have all adopted “Down with the Shah, Down with the Mullahs” to, in the prophetic words of the German section of the iSt and later its IEC, “mask a sectarian program”. We think your instincts against that are correct. But you have inverted their formulation. We hope clarifying how the SL did not do a line change with their slogan change will show how the current abstentionism was not the original line of the SL. We again apologize for the delay in response. And we hope this letter shows our seriousness in working towards a common program.

9 July 2020

[R. Beiterin] on behalf of Bolshevik-Leninist of Australia
Ícaro Kaleb on behalf of Reagrupamento Revolucionário of Brazil

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