Unidade com os caminhoneiros, em defesa dos interesses dos trabalhadores e estudantes (panfleto)

Reproduzimos a seguir, com algum atraso, panfleto utilizado por membros do Reagrupamento Revolucionário em duas manifestações estudantis que ocorreram durante a greve dos caminhoneiros, em solidariedade ao movimento, nas cidades de Londrina (PR) e Ribeirão Preto (SP), na última semana de maio.

Em Londrina, a manifestação infelizmente foi muito pequena. Já em Ribeirão, a manifestação foi bastante interessante e com um bom nível de politização. Entre as posições defendidas no ato estavam a defesa da Petrobras estatal, a redução dos preços dos combustíveis e a demanda por uma mídia menos parcial, que não criminalize as lutas dos trabalhadores. Além disso houve pautas relacionadas a questão da educação, como a defesa da escola pública, contra a reforma do ensino médio, denúncia de falta de merenda e de professores, coisas que dificultam o bom funcionamento do ambiente escolar.

Em um dos momentos de abertura do ato, um camarada do Reagrupamento Revolucionário fez uma fala denunciando a política de preços da Petrobras e as medidas do governo federal para reduzir o preço do óleo diesel de forma que justifique cortes de recursos em áreas sociais, podendo até mesmo reforçar a campanha pela aprovação da reforma da previdência, enquanto grandes empresários e banqueiros recebem isenções de impostos e perdão de dívidas.

UNIDADE COM OS CAMINHONEIROS
PELA DEFESA DOS INTERESSES DOS TRABALHADORES E ESTUDANTES

Iniciada pelo aumento do preço dos combustíveis, a greve dos caminhoneiros pode ter sido o estopim de diversas lutas com potencial de transformar a realidade em que vivemos. Muitos trabalhadores começam a se organizar e indicativos de greves pipocam pelo país, como a paralisação dos petroleiros marcada para iniciar nessa quarta 30 de maio.

A situação em que as cidades ficaram com a interrupção dos serviços dos caminhoneiros mostram apenas uma fração da importância e do poder da classe trabalhadora, sem a qual nada funciona no Brasil e que tem justamente na interrupção de seus serviços sua principal arma na luta por direitos.

A política de preços da Petrobras, adotada desde junho de 2016, atende apenas aos interesses dos acionistas internacionais da empresa encarecendo o combustível e trazendo prejuízos para os trabalhadores ao mesmo tempo que garante lucros ao setor privado. Esse encarecimento é que levou os caminhoneiros a sua manifestação, porém é importante notar a complexidade e até mesmo as contradições dentro desse setor e suas posições.

O movimento dos caminhoneiros foi composto por basicamente três setores, os trabalhadores autônomos (donos de seu próprio caminhão), as empresas de transporte, e os funcionários dessas empresas. A luta pela redução do preço do combustível é de interesse de todos os setores, porém a forma como isso pode ser conseguido não favorece a todos eles. O movimento forçou o governo a negociar uma redução no preço dos combustíveis através, principalmente, da redução dos impostos sobre a mercadoria. Além de ter um prazo de validade de apenas 60 dias, essa proposta só atende aos interesses das empresas de transporte, uma vez que a redução de impostos acarretará em menor arrecadação de fundos para o Estado que compensará isso fazendo cortes em outros setores. Obviamente eles não cortariam gastos com seus próprios benefícios e certamente os farão em áreas sociais como programas assistencialistas, saúde e educação.

As empresas de transporte ficam satisfeitas, pois seus donos têm o lucro assegurado e não dependem de serviços públicos, já seus funcionários e caminhoneiros autônomos continuam a levar prejuízos, mas invés de ser no combustível será com serviços públicos de péssima qualidade, coisa que afeta não apenas eles, mas também toda população sem condições de pagar por serviços privados. Essa diferença de interesses, nem sempre perceptível a primeira vista, acontece porque os empresários pertencem a uma classe chamada burguesia, a qual detém os meios de produção e podem empregar outras pessoas para trabalharem por si alcançado lucros. Já a maioria da população compõe o proletariado, uma classe de despossuídos que precisam trabalhar para sobreviverem e cujos os ganhos geralmente são insuficientes para permitir a eles uma vida digna sem depender de auxílios públicos.

O governo está alinhado aos interesses da burguesia, por isso sua proposta contempla apenas as empresas ao mesmo tempo que convoca o exército e a polícia para reprimir os manifestantes que desejam continuar a greve. Nesse sentido é importante que os caminhoneiros se reconheçam como membros ou aliados da classe trabalhadora e suas pautas avancem para que a redução do preço dos combustíveis seja garantida com uma política que não corte direitos sociais, que recupere o caráter de empresa estatal da Petrobras e que ela seja colocada para atender os interesses nacionais, sob o controle dos petroleiros e da população, ao invés dos lucros de alguns poucos acionistas estrangeiros. Essas propostas podem ser garantidas pela taxação de grandes fortunas e lucros como forma de combater a desigualdade e promover uma redistribuição de renda. É inaceitável que em um país tão desigual como o Brasil os pobres paguem altos impostos enquanto que grandes empresários e banqueiros recebam isenção por parte do governo!

Os movimentos de trabalhadores que ameaçam estourar pelo Brasil devem unir-se aos caminhoneiros pois todos eles se beneficiam com as pautas que atendem o interesse do proletariado, o mesmo serve para os estudantes sejam eles secundaristas ou universitários. Estudantes estão em fase de preparação para um dia ocuparem uma posição no mercado de trabalho, a maioria pertencerá ou já pertence a classe trabalhadora, além disso os cortes do governo podem afetar na qualidade da educação, sendo fundamental que desde já percebam que nenhum direito econômico, político ou social será conquistado ou defendido sem luta. Se você concorda ou deseja saber mais sobre essas posições conheça o Reagrupamento Revolucionário!

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